Crítica: MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA

Mad poster

Com sequências espetaculares, mas sem esquecer da humanidade de seus personagens, o diretor George Miller traz aquele que é o filme de ação perfeito

Por Carlos Alberto Bárbaro

A vida é uma história cheia de som e de fúria, significando nada, já dizia Shakespeare.

maxresdefaultOu era, corrige George Miller, o diretor e criador de Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, 2015), que com este filme acrescenta várias camadas de significado aos caminhos tortuosos percorridos pela mais recente encarnação cinematógrafica de sua imortal criação, nosso velho conhecido Max Rockatansky, interpretado por Mel Gibson em três filmes lançados entre 1979 e 1985.

O filme de ação perfeito é aquele que conta uma história sem descuidar do aspecto mirabolante e aventuresco do percurso dos seus protagonistas, o que não é coisa fácil de realizar. Não são poucos os diretores que desandam a receita, às vezes tentando explicar demais em busca do quê estão os personagens; às vezes esquecendo-se totalmente de esclarecer o que quer que seja, ocupados que estão em exigir do pessoal dos efeitos especiais que explodam o maior número de obstáculos que houver entre o herói e seu objetivo.

Nenhum desses erros é cometido aqui.Mad chains

Esta quarta aparição do personagem nas telas, trinta anos depois de Mad Max: Além da Cúpula do Trovão (Mad Max Beyond the Thunderdome, 1985), é o filme de ação que veio para ensinar que a ação não somente pode, mas deve ser a narrativa; que uma história pode ser organicamente contada tão somente a partir do encadeamento de sequências de perseguição, explosões, tiros e lutas. Desde, claro, que esses conflitos sejam travados entre pessoas que não tenham nada a perder porque, paradoxalmente, tenham muito a ganhar enfrentando essas provações.

FURY ROADMiller não perde muito tempo na apresentação dos personagens principais de seu espetáculo operístico: um ou dois minutos de narração de Max (Tom Hardy), meio que explicando que aquele mundo desértico que ele contempla de cima de uma colina já foi um lugar bom de se viver, o que basta para que os eventuais espectadores que não conheçam essa figura mítica do cinema, saibam o essencial, que o cenário do filme é o de um mundo apocalíptico.

Na sequência, Max é perseguido, aprisionado em uma fortaleza-oásis comandada pelo tirano Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), que mantém o poder por controlar o fornecimento de água e de gasolina, as duas coisas mais vitais nesse nada admirável mundo novo. Como todo tirano, Imortan Joe tem seu harém, o que somente descobrimos quando sua principal concubina, e a verdadeira protagonista do filme, Furiosa (Charlize Theron) se desvia de uma missão de rotina pilotando uma das máquinas de guerra do tirano na qual transporta alguns bens ainda mais preciosos.file_119918_0_mad-max-bar-640-fury-road

Essa fuga, em que Max é a princípio levado de roldão como um mero acessório, dura cinquenta gloriosos minutos, no calor dos quais somos apresentados a cada um de seus protagonistas em toda sua gloriosa história e sentimentos. Um dos exemplos dessa maestria na apresentação dos personagens em meio às sequências de ação pode ser observado quando um dos personagens tropeça em uma corrente, uma tolice que irá alterar os rumos não só dessa personagem, mas de todo o filme daí para a frente.

Mad guitarUm filme de ação perfeito é quase impossível de ser descrito. A tentativa, além de insana, corre o risco de ser tediosa. Com setenta anos de idade, George Miller entrega algumas das sequências de ação mais perfeitamente coreografadas dos últimos anos; não tem medo de oferecer apoteoses seguidas de apoteoses cada vez mais elaboradas; corteja perigosamente o ridículo (uma guitarra que solta chamas); e faz tudo não esquecendo por um minuto sequer que sem uma história para contar, sem personagens humanos com quem nos identificar e sem atores no auge do domínio de sua arte, toda pompa e circunstância seriam em vão

Mad Max: Estrada da Fúria é o filme de ação mais que perfeito, aquele em que, antes de ensurdecidos, saímos da projeção comovidos.

Cotação:

5-star-

BraboCarlos Alberto Bárbaro é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Acredita que todos têm direito a opinar sobre tudo, mas que devem estar preparados para quando o sangue começar a jorrar

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3 comentários sobre “Crítica: MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA

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