O Pasteleiro Louco: o que achamos do cancelamento da revista do QUARTETO FANTÁSTICO

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A disputa pelos direitos cinematográficos dos heróis levou ao cancelamento do título da Primeira Família da Marvel. Conheça nossa opinião sobre essa decisão da Marvel

Pelos Pasteleiros

O Quarteto Fantástico não existe mais. Ao menos, como revista.FantasticFourScreenshot1

Devido a disputas entre a Disney-Marvel e a Fox, que tem os direitos cinematográficos dos personagens, a Marvel decidiu cancelar a revista que iniciou seu universo de super-heróis durante o período que antecede o filme (que chega às telas em agosto) e durante sua exibição nas telas. Supostamente, a revista foi cancelada para não ajudar na divulgação da produção, uma vez que a Marvel tentou adquirir de volta os direitos cinematográficos e a Fox não aceitou negociar e resolveu produzir um novo filme da equipe por conta própria.

Mais ainda, a Marvel cancelou contratos de licenciamento dos personagens com antigos parceiros, de maneira que não possam ser produzidos novos pôsteres, cards ou action figures com o Sr. Fantástico, a Mulher Invisível, o Tocha Humana ou o Coisa. Mesmo se os personagens poderão aparecer em outras revistas da Marvel, a Primeira Família da Marvel não
terá mais espaço nas lojas de quadrinhos e bancas de jornais com título próprio. A promessa é que a revista voltará em algum ponto no futuro – quem sabe, após o lançamento do DVD do filme da Fox?

De qualquer maneira, nossos pasteleiros resolveram dar sua opinião sobre o cancelamento. Confira:

Eduardo Marchiori: Puro marketing. Não é à toa que o cancelamento da revista acontece no mês anterior ao lançamentostan-lee-premiere-the-avengers-05 do filme produzido pela Fox. Com isso, a Marvel deixa claro seu boicote à produção, tipo aquele garotinho que é dono da bola e, quando é contrariado, acaba com o jogo de todo mundo. A tentativa, claro, é ver se a Fox pede desculpas pelo descaso com os personagens e devolve os direitos – aí haverá o relançamento do título, com toda pompa e circunstância. O problema é que a estratégia pode ter o efeito inverso e fazer todo mundo correr ao cinema para ver o filme que encerrou o título que deu origem à Marvel. Se isso acontecer, prevejo Stan Lee dizendo, em entrevistas, que sempre quis ajudar na promoção do filme, afinal, o Quarteto é que deu origem às maravilhosas obras da editora. Excelsior!

fantasticfour4Ben Santana: Infelizmente, o corporativismo falou mais alto e a Marvel/Disney cancelou o título que deu origem à Era Marvel. E não foi por obra de Victor Von Doom, do Mestre dos Bonecos, de Galactus. Foi o Rato que resolveu prejudicar a concorrente mais próxima, a Fox. Com certeza, eles vão voltar. Não sei quando ou como. Mas é uma certeza absoluta que, depois que a poeira do reboot cinematográfico passar, eles voltarão. O que me assusta é que o Rato está disposto a cortar na própria carne para que a a Fox não tenha uma propaganda gratuita. A autoproclamada “Melhor Revista de Quadrinhos do Mundo” não existirá mais. E os quadrinhos ficarão mais pobres.

Carlos Alberto Bárbaro: Encerrar, ou interromper, vá lá, o título regular mais antigo do seu catálogo por capricho editorial é algo no mínimo temerário. Símbolos são fortes demais para se mexer com eles impunemente. Quem diria que o Quarteto seria derrotado não por uma ameaça cósmica intergaláctica, mas por um mero contrato mal redigido?4412569-643

Gustavo Daher: Isso de cancelar um gibi por causa do universo cinematográfico estar com uma empresa concorrente é de uma escrotidão sem tamanho. Eu fico é com pena dos fãs do Quarteto Fantástico. Provavelmente vão esperar os resultados de bilheteria e crítica do filme para repensar o futuro do Quarteto nos quadrinhos. Não creio que será uma decisão permanente, já que estamos falando da Marvel. Mas o pior de tudo é o trocadilho de merda que nomeia essa última história: “The End is Fourever”.

Fábio Ochôa: É meu grupo favorito, desde que me conheço por gente. Curiosamente, entendo e não lamento a decisão. São negócios, como sempre foram nos quadrinhos, ainda que haja somas maiores circulando hoje em dia. Infelizmente, nem sempre nas mãos de quem realmente merece. Mas tudo bem, sabemos que esse mercado de quadrinhos sempre foi pródigo em histórias de horror. Dada a situação com a Fox – afinal, cada história nova e grandiosa, cada novo conceito imaginativo, é dar munição para o estúdio rival – a decisão da Marvel faz todo o sentido. O que não quer dizer necessariamente que seja bom para nós, leitores. A fase que eu amava na infância, a de John Byrne, continua lá na minha ff252_00estante, a de Mark Waid e Walt Simonson também, o melhor trabalho de Stan Lee e Jack Kirby também. Então tudo bem, let it go, como cantaria a menina de Frozen, prefiro ver o grupo dissolvido e cancelado do que engessado em histórias sem nenhum potencial, para não alimentar a Fox. Os clássicos estão lá, prontos para serem visitados a qualquer momento e acordo algum com um estúdio de cinema pode mudar isso. Só lamento o que a decisão significa, que relações familiares e histórias com uma carga cósmica de imaginação não bastam mais para segurar altas vendas hoje em dia e que dinheiro pesa muito mais que a história e tradição de uma editora. Mas é a vida.

Wilson Simonetto: Eu, particularmente, sou mais conservador, especialmente no caso de uma revista que é um marco Fantastic-Four-Posternos quadrinhos, como a do Quarteto Fantástico. Com relação ao cancelamento, o que mais me incomoda é o motivo por trás disso, já que fatores comerciais são importantes, em qualquer ramo de negócio, para se analisar a viabilidade de um produto. Mas, no caso, é evidente que se trata muito mais de uma ação de retaliação à Fox, em função de falta de um entendimento, envolvendo os direitos e participação do grupo no Universo Cinematográfico da Marvel. De qualquer maneira, acredito que o que ditará o futuro dessa estratégia será o resultado do próximo filme da família de heróis mais famosa dos quadrinhos. É uma pena que essas negociações interfiram no rumo das histórias e espero, sinceramente, que o futuro seja mais promissor do que aparenta no momento.

FF001_CoverMaurício Muniz: É uma atitude tola e mesquinha da Marvel e da Disney. Entendo que possa haver desavenças entre empresas, mas me parece apenas birra cancelar a revista para diminuir a exposição dos personagens. Não acho que a falta de uma revista do Quarteto terá muita influência na bilheteria do filme. Na verdade, o lançamento do filme poderia dar novo fôlego às vendas da revista – que, realmente, não andam muito boas. Eu até entenderia se o cancelamento fosse devido às vendas, mas há outros títulos da Marvel que vendem ainda menos e continuam sendo lançados. E a Fox já anunciou que lançará outro filme do Quarteto em 2017, se o Jack_Kirby_1982_San_Diego_Comic_Conprimeiro se sair bem nas bilheterias. E o que a Marvel fará, então? Manterá a revista cancelada até lá? Vai relançá-la em 2016 e voltará a cancelá-la no meio de 2017, antes do segundo filme chegar às telas? Não tem lógica. Nunca é bom quando decisões corporativas de visão limitada influem na produção criativa. E, em algum lugar no além, Jack Kirby assiste a tudo isso, inconsolável.

E você, o que achou do cancelamento? Comente abaixo!

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8 comentários sobre “O Pasteleiro Louco: o que achamos do cancelamento da revista do QUARTETO FANTÁSTICO

  1. por isto e por outras razões que não assisto filmes Marvel e DC,quadrinhos de super heróis era algo único, quase exclusivo,pra se entender deste magnifico universo tinha que querer,e até levava um certo esforço,e no final era muito recompensador,agora qualquer um acha que entende deste universo,e os estúdios fazem tanta grana com estes novos fãs de cinco minutos,que deixam os quadrinhos de lado,pela ganancia,vemos historias ruins,reboot horrendos,e nunca olham para os verdadeiros fãs que fizeram esta industria prosperar,decisões como esta da disney marvel,só prova que para a disney o fã verdadeiro,aquele que compra quadrinhos desde a infância,não vale nada. e que a disney,não vai pensar duas vezes em destruir este magnifico universo que é a Marvel,para levantar mais dólares até sugar o ultimo centavo,e depois jogar o que sobrou no esquecimento,triste fim,para algo que fez parte da vida de muita gente

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  2. Sempre tentei manter a flexibilidade quando o assunto é “adaptação” de uma mídia para outra, no caso principal nos dias de hoje, das HQs para o cinema ou TV…Afinal, resumir décadas de história de um personagem e um curto período médio de 2 horas seria impossível.
    Além da adaptação também, ainda que involuntariamente ter as influências culturais de sua respectiva época…Sempre houve isso…No humor camp e patina psicodélica do Batman de 1966, nas calças boca de sino e trilha sonora com sax e cry baby guitars de Peter Parker e David Banner nos Homem-Aranha e Hulk dos anos 1970…Nos mega computadores de Superman 3 nos anos 1980, nos ainda mais animados do que realistas efeitos especiais em CGI de Spawn nos anos 1990 e por aí vai…
    Ou mesmo na valia de fazer uso de outra interpretação, para dar tom mais realistas as vezes, ou pela limitação tecnológica de sua época para representar o que nada limitava as HQs.
    Mas vivemos uma época em que a tecnologia permite o que era impensável em um filme poucos anos atrás…E com isso, a liberdade artística em uma adaptação acaba ainda mais limitada de justificativas para mudanças radicais.
    A Marvel achou a “fórmula do sucesso”, fórmula ditada por fãs há anos verdade seja dita…Quanto mais próximo a sua essência nas HQs um filme for, maior seu sucesso…O problema maior desse reboot cinematográfico do Quarteto é esse, mexer na essência dos personagens…E onde fizeram isso, tentando reinventar suas características básicas, deu errado…os exemplos são inúmeros, Mulher-Gato, Spirit, Besouro Verde, Cavaleiro Solitário…Então não é um risco calculado, vejo quase como um fiasco calculado…Daí entendo a Marvel não compactuar com isso, mas…Cancelar a HQ do grupo e tudo mais, não é a melhor resposta, é dar um tiro no próprio pé.
    Acho que o maior protesto que a Marvel poderia fazer seria justamente o contrário…Seria investir em uma linha de HQs, de posters, de action-figures e etc completamente focada na versão clássica do Quarteto Fantástico, mostrando em evidência suas características mais marcantes distintas dessa versão da Fox…Mostrando “qual é o verdadeiro Quarteto Fantástico” para quem quiser conhecer.
    Para os fãs só resta talvez com sorte…muita sorte…Que o filme seja mesmo a framboesa esperada…que o prejú deixe a Fox sem opção além de negociar com a Marvel, ou colocar o grupo nas gavetas do cinema por três anos aí, quem sabe, lá por volta de 2020 tenhamos o filme do grupo com toda pompa, circunstância e marketing que vemos hoje em Vingadores.

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    • Boas considerações, Éder! Isso me faz lembrar quando a Filmation lançou um desenho chamado Ghostbusters antes da Sony – que era detentora dos direitos dos personagens do cinema. Perdida a causa, a produtora lançou o seu desenho chamado “The Real Ghostbusters”. Para o público, ficou claro quem eram “os verdadeiros caça-fantasmas” e os outros, apenas uma cópia malfeita. Se a Marvel relançasse o título do número 1, com o título “O Verdadeiro Quarteto Fantástico” seria uma forma de protesto muito mais eficaz do que simplesmente acabar com a sua revista mais duradoura.

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      • Em parte, a Filmation não estava de todo errada, pois o desenho Ghostbusters era derivado de uma série live-action de mesmo nome, conhecida no Brasil como Trio Calafrio.

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  3. É muito assustador isso que está acontecendo. O mundo corporativo e o capitalismo não perdoam, e nós que somos fãs de HQs e dos heróis envolvidos, assistimos a tudo isso com medo do que possa vir a acontecer com outras revistas e com os personagens que estão sendo transportados para o mundo cinematográfico. É verdade que são mídias diferentes e que as histórias que são adaptadas para o mundo cinematográfico nem sempre são como queremos ( nós, fãs de quadrinhos), mas cancelar uma tradicionalíssima revista, marco de uma era, é muito doido. Como disse o Fábio Uchoa, as fases que ele citou do Quarteto também são minhas preferidas, porém vejo que tem muita gente boa escrevendo coisas maravilhosas com todo tipo de heróis e poderia muito bem dar ao Quarteto as histórias e tramas que eles merecem. Tomara que quando voltar a revista, porque acho que vai voltar, seja pra melhor.

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  4. Eu apóio totalmente a decisão da Marvel, ainda que fosse originalmente apenas um protesto simbólico. Convenhamos que a Fox não está errada, ele conseguiu os direitos de maneira legítima. Eu quero que a Marvel trabalhe com afinco e usando qualquer arma possível para reaver seus personagens, isso sim é respeito pelos seus fãs. Não importa quanto o hiato dure, o Quarteto é eterno em nossos corações e temos muitas boas histórias para nos entreter enquanto isso. Que volte quando todos voltarem pra casa.

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  5. Pelo que se viu com o Homem-Aranha e a Sony, a Marvel estava disposta a negociar. A Fox é que, como já havia acontecido no caso dos X-Men, não deixou que isso acontecesse. Neste momento, a Fox vive um período sem franquias que lhe possam trazer dinheiro e para eles a Marvel é o seu ponto de dinheiro garantido. Por vezes existem investimentos que a longo prazo são rentabilizados e nesse sentido, uma parceria e co-produção de filmes com Disney e Fox iria gerar mega-sucessos. Neste caso, os Fantastic vão ser um sucesso bom, mas no Marvel Cinematic Universe seriam um sucesso gigantesco.

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