ENQUANTO ISSO… Os (Verdadeiros) Maiores Durões do Cinema

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Nem Stallone, nem Schwarzenegger, nem o Incrível Hulk… saiba quem são esses quase desconhecidos personagens que têm mais coragem que bom senso

Por Fábio Ochôa

Há um bom tempo eu queria escrever sobre os maiores durões do cinema. Não os durões que a gente conhece por aí dos cartazes de locadora da vida, mas os durões de fato, aquelas pessoas que estão lá para mostrar com quantos testículos são feitos a hombridade humana.

Nessa categoria é muito injusto colocar qualquer astro de ação. Por quê? Ora, porque ele é um astro de ação, pombas. arnold-schwarzenegger-total-recallOu você acha que Rambo, Braddock ou John Matrix realmente estão em perigo no filme? Que eles vão tomar um balaço, morrer na explosão, pegar tétano e ir para as cucuias, comprometendo assim o futuro de suas franquias?

Não, isso é coisa da série lá daquele gordinho que escreve com chapéu de maquinista. No cinema o buraco é mais embaixo.

Os verdadeiros durões do cinema não tem nome ou, se tem, não tem sobrenome. São os sujeitos que estão na chuva, vendo Bruce Lee acabar de sovar 90 dos seus companheiros sem sequer grunhir e ainda assim avançam com seu bambu contra ele. Afinal, o filme tem que seguir e o que você faria? Jogaria o bambu fora e diria “Ok, desisto, não sou pago pra isso, W.O.”? É o que eu faria. O que automaticamente me desqualificaria da categoria “durão do cinema”.

Mas não eles.

O durão do cinema é o sujeito que (literalmente) dá o sangue para que o filme possa seguir.

Nada mais justo então que elencarmos aqui os cinco maiores deles:

1) O sujeito do planeta-prisão que encarou um Alien armado apenas com um estilete

Cara, uma barata é o bicho mais nojento da criação (além de ter um grau de imprevisibilidade em suas ações que faz comAlien que ela seja praticamente o Joaquim Phoenix da natureza). Imagina o que é então encarar um Alien, que é uma espécie de barata gigante com uma cabeça em forma de p****, que ainda por cima foi desenhado pelo H.R. Giger, que tem um estilo de arte que conseguiria deixar até o Zé Gotinha perturbador (eu tenho medo até das fotos dele, uma olhada naqueles olhos e você não consegue mais dormir à noite).

Encarar um Alien é mais assustador que descobrir que o Bozo dorme debaixo de sua cama à noite. E o que faz esse presidiário de Alien 3? Nem conversa, puxa sua faquinha de presidiário e vai lá peitar o bicho à sua frente.

Já parou para imaginar o que que um sujeito que carrega essa carga de testosterona fez para ir preso? Atirou nos Menudos, talvez? Honestamente, se o mundo fosse justo, esse sujeito deveria ter uma estátua na Terra. E de ferro, o mesmo material do qual é feito suas bolas.

Jason2) Os adolescentes que inventam de transar em Crystal Lake

Desde os anos 80, quando a AIDS começou a fazer suas vitimas, transar sem camisinha é um risco. Menos em Cristal Lake, onde o número de vitimas da epidemia foi zero. Não que lá o sexo seguro fosse a regra, mas é que bastava você resolver fazer sexo antes do casamento que… páááá! Jason, o empata-foda supremo ia lá e empalava você – o que, aliás, deve ter levado muitos motéis à falência na região. Ou seja, o vírus não tinha tempo de sequer se desenvolver.

Porém, mesmo sabendo disso, nada impediu essa garotada medonha de saracotear o pepino pra dentro em plena mata repleta de névoa de gelo seco. Ah, a juventude. Sabe como é que é…

Aliás, só o fato de acampar em Cristal Lake já é um ato de extrema coragem. Se alguém me telefona e diz:

– Fábio, vamos passar uma noite naquele acampamento abandonado onde a cada ano dezenas de adolescentes são assassinados misteriosamente?

– Não.

Simples assim. Filmes de terror estrelados por mim durariam dois minutos.

Assim sendo, nossa menção honrosa vai para essas dezenas de adolescentes anônimos (que até não são anônimos, mas alguém se lembra do nome de um deles sequer?), que em nome da paudurescência viril não deixaram que coisas como doenças venéreas, filhos não planejados ou Jason Vorhees os impedissem de se saciar no mato. Esses sim dão uma nova dimensão ao termo “durão”. O cinema de terror dos anos 80 agradece a estes irresponsáveis.

O Darwin Awards também.

3) Qualquer amigo de Jean-Claude Van Damme em… qualquer filme

Uma das maiores certezas da vida é que, se você é amigo de Jean Claude Van Damme, meu caro,  você vai se lascar noDragão cinema. E ele vai vingar sua morte. O que, imagino, não seja lá um grande consolo.

Eu admiro a coragem dessas pessoas, que seguem sendo amigos dele, mesmo sabendo que a qualquer momento algum japa peitudo que sacode as tetinhas pode aparecer e aleijar, trucidar e espezinhar você a troco de nada. No lugar deles, eu cortaria relações com Van Damme, daria unfollow no Facebook e ainda diria “cara, sua interpretação de cego em O Grande Dragão Branco é péssima”.

A mesma regra vale automaticamente para parentes do Charles Bronson no cinema.

Comando4) O pobre infeliz que achou que sequestrar a filha de John Matrix, em Comando para Matar, era uma boa ideia

Vamos aos fatos: você quer ver morto o presidente de um pais qualquer da América Central. Em vez de esperar que ele morra de tétano, falta de água, sente em cima de alguma granada, enfim, qualquer uma dessas coisas que afligem presidentes de países da América Central, você chega à conclusão que apenas um homem pode fazer esse trabalho a contento: John Matrix. Até porque todo mundo sabe que nada é mais discreto que um gigante alemão de sotaque austríaco andando por um país latino-americano, certo?

Mas, John Matrix está aposentado, está vivendo com sua filhinha em uma ilha isolada – uma vida tão idílica que é mostrada em uma das sequências mais engraçadas do cinema, com direito a Arnold Schwazzenegger e filha dando risadas no café-da-manhã-comercial-de-margarina e alimentando um pacífico veadinho depois. Logo, você tem a genial idéia de ir lá, acabar com essa paz toda e sequestrar a filha do cara para obrigar ele a levar o seu plano a cabo. Bom, era óbvio que não ia dar certo, mas não podemos deixar de respeitar a coragem do sujeito que teve essa ideia de merda.

5) Lea Thompson

Eu só vi dois filmes com a Lea Thompson. Num, ela quase transa com o próprio filho dentro de um carro em 1955. No Leahoutro, ela transa com um pato (em uma produção de George Lucas, veja). Se isso não é ter coragem, não sei mais o que é. Ela precisa de um agente melhor.

No fim das contas, esses durões são como John Wayne no fantástico O Homem que Matou o Fascínora (aliás, poderíamos tranquilamente colocar também “índio em filme de John Wayne” neste artigo). São os cascas grossas que estão ali, na sombra e sem glória, mas essenciais para a história ser contada e algum outro propagar a própria fama.

Nada mais justo que este pequeno memorial a eles.

OchôaFábio Ochôa trabalha como redator publicitário. Conquistou prêmios, foi citado na TV, foi diretor de criação, já saiu na Zupi, fez campanhas políticas e, mesmo assim, ainda consegue gostar das pessoas e achar este mundo um lugar legal. É um exemplo, esse rapaz. Trabalha também como ilustrador freelance e roteirista eventual. Para saber mais acesse:  www.behance.net/fabioochoa

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