Crítica: POLTERGEIST, O FENÔMENO (2015)

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A refilmagem do clássico do cinema de terror comete o maior dos pecados para um filme do gênero: não assusta

Por Carlos Alberto Bárbaro

Refilmar clássicos é sempre algo complicado, afinal, um clássico é aquele tipo de filme que, não importando quando tenha sido feito, se em 1941 ou 2015, continua sempre não apenas ótimo, mas atualíssimo. As refilmagens que dão certo são as de filmes bons em sua época, mas que envelheceram por razões alheias a seu argumento central, sua história.

O novo Poltergeist: O Fenômeno (Poltergeist, 2015), dirigido por Gil Kennan, conhecido até aqui pela animação A casa monstro, já começa, portanto, em desvantagem, já que o Poltergeist original, dirigido por Tobe Hopper (do cultuado O massacre da serra elétrica), e com roteiro e produção de Steven Spielberg, foi talvez o responsável pela revitalização do gênero terror nos anos 1980 e por sua popularização nos anos seguintes

A ideia do original era simples, um filme de casa assombrada em que esta não precisava ficar isolada da civilização, localizando-se agora em um pacato conjunto habitacional de subúrbio, não assombrando mais viajantes incautos ou investigadores do sobrenatural, mas uma pacata família de classe média tranquilamente rodeada dos confortos eletrônicos da civilização ocidental.

A refilmagem segue o roteiro original com mínimas atualizações, mas falha exatamente onde o original era perfeito, não consegue fazer com que o espectador se preocupe minimamente com a família Bowen, composta de um pai desempregado, beberrão e gastador (Sam Rockwell, péssimo), uma mãe complacente e descuidada (Rosemarie Dewitt) e três crianças totalmente desinteressantes. A caçulinha abduzida desta versão consegue ser irritante de tão chatinha, o exato oposto da simpática lourinha do original.

No começo do filme, devido a seus problemas financeiros, os Bowen se mudam para uma casa em um condomínio bem afastado da cidade. O que não sabem é que a casa fora construída sobre um antigo cemitério e que, embora a construtora tenha afirmado que transferira os túmulos, isso não foi feito e agora as almas penadas voltam para assombrar a família. Infelizmente, porém, elas não conseguem assustar nem os espectadores mais susceptíveis. A adaptação é preguiçosa, o roteiro é sofrível, os efeitos, incrivelmente inferiores aos do filme de 33 anos atrás.

A direção de atores, que na maior parte das vezes têm que contracenar com efeitos especiais, é sofrível e fica nítido, durante o tempo de projeção, que as reações destes aos acontecimentos ocorrem com alguns segundos de lapso a partir do momento em que as coisas ocorrem de fato. Os personagens não sofrem nenhum tipo de transformação visível a partir do momento em que as assombrações começam a se manifestar. É como se o problema que estão enfrentando seja uma mudança na programação da tevê.

E aquilo que poderia ser mais bem aproveitado numa atualização do filme, a infinidade de tranqueiras eletrônicas existentes hoje em dia, não chega a ser explorado a contento, e quando o é, caso de um drone que surge do nada na trama, parece algo forçado, ação de marketing mesmo.

A produção é tão preguiçosa que chega a dispensar os extras. Não há entorno no condomínio dos Bowen; no único momento em que se visualizam os vizinhos de condomínio dessa família, em uma tomada aérea quase ao final projeção, não parece haver nenhuma pessoa de carne e osso por ali, mas somente um ambiente criado em CGI.

Para não dizer que nada se salva, há um momento, involuntário, em que uma grande ideia é desperdiçada. É quando o pai da menina abduzida pelos espíritos convence a mãe a não chamar a polícia, argumentando que não apenas ninguém iria acreditar na história deles, mas que, dado o perfil da família naquele momento, com os dois desempregados, eles iriam ser considerados os principais suspeitos. Taí, eu veria um filme em que toda a cidade suspeitasse de um pai cuja filha foi abduzida por poltergeists.

O maior pecado do filme, porém, é mesmo o de não assustar.

COTAÇÃO:

 0,5

BraboCarlos Alberto Bárbaro é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Acredita que todos têm direito a opinar sobre tudo, mas que devem estar preparados para quando o sangue começar a jorrar.

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4 comentários sobre “Crítica: POLTERGEIST, O FENÔMENO (2015)

    • Que horror! É uma pena e falta de tempo e dinheiro. A vocês diretores de cinema. Quando inventarem de refimar um clássico de terror façam algo que preste, inovem, arrebentem. Espero que alguém criativo e que tenha capacidade faça outra refilmagem que realmente deixe o público satisfeito e impressionado, em respeito ao clássico anterior.

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  1. Geeeeeeeente!!!!!
    Concordo plenamente com vcs!!!! Nadinha de susto!!! Na hora q a menina some: nem tem um drama, nem desespero! É como se eles aceitassem, sei lá… Meio q forçado e algo fora do comum!
    Tipo, tem mais piadinhas “engraçadas” doq sustos, e aquele suspense que eu esperava ver..
    Mas, fazê oq né… Mais um dindin jogado fora no cine…
    Que decepção.. :-((

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