Entrevista exclusiva: ERIC PELEIAS, um SUPER-HERÓI dos Quadrinhos Independentes

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Eric Peleias, autor de Ima e Eu, Super, bate um papo exclusivo com O Pastel Nerd e conta mais sobre sua nova obra, Olhos Insanos

Por Wilson Simonetto

Um dos novos nomes no mercado de quadrinhos nacional, Eric estudou na Escola Panamericana de Artes, no Istituto Europeo di Design e no Instituto dos Quadrinhos. Passa seus dias trabalhando como quadrinista, ilustrador e designer em seu próprio estúdio. Conversamos com ele sobre a vida de quadrinista e seus projetos.

FILES-2015-03-foto_eric_peleias.jpg.axdxFale um pouco sobre você.

Nasci em São Paulo, no século passado.Tenho 33 anos e passo meus dias trabalhando como quadrinista, ilustrador e designer gráfico. Estou nessa desde 2007.

O que te inspirou a ser quadrinista?

Quando eu era bem pequeno, tinha certeza absoluta que eu seria quadrinista. Sempre li muita HQ (era o jeito que os meus pais conseguiam me fazer parar quieto). Acho que quadrinhos juntam duas coisas que gosto muito. Artes visuais com histórias. Eu queria muito trabalhar com quadrinhos e sempre escrevia e desenhava. Cheguei a fazer alguns gibizinhos que ninguém viu. Mas a idade do vestibular chegou e achei melhor escolher uma profissão “séria”. Por isso, entrei na faculdade de direito

Mas aí decidiu trabalhar com desenho?

Sim. Em 2006 comecei o curso de design gráfico na Escola Panamericana de Artes. Era o começo da nova fase. Em dezembro do mesmo ano eu já estava me despedindo do escritório.

Se encontrou profissionalmente?div_capa_ima_sempre_em_frente

Sim! Eu me sinto muito mais confortável neste papel atual. Comecei ilustrando pra revistas, agências e empresas. Uma revista me chamou pra fazer charges. Passei um tempo procurando o projeto que queria fazer em quadrinhos até que, em 2011, um grande amigo contou a história da avó dele, uma sobrevivente do holocausto.

E surgiu Ima: Sempre em Frente?

Isso. Desde aquele dia, em julho de 2011, comecei a trabalhar nele. Discuti a ideia com ela, a família dela, comecei a coletar material e escrever, esboçar.  Aí passei a discutir os resultados com a família dela, ver o que faltava e o que podia melhorar. Muito mais gente me ajudou. A minha esposa via as páginas antes de todo mundo; o meu irmão (que entende muito de história) ajudou com diversos pontos; uma amiga atriz revisou os diálogos… Até o Danilo Beyruth e o Rafael Coutinho deram conselhos de narrativa. Quando o livro estava pela metade, mostrei para um editor. Ele gostou e topou publicar pela Artliber, editora dele. O custo alto de produção nos fez correr atrásBook_ima.indb de patrocínio. Por sorte a The Group (agência de comunicação) e o ZCBS Advogados apoiaram. Ajudou muito o fato de eu ter amigos entre os sócios de ambas. Antes de conseguir o patrocínio, fizemos 100 exemplares-teste. Foi lindo, mas não caiu a ficha. Levei pro FIQ/BH e a recepção foi ótima. Conseguimos o patrocínio e lançamos em maio de 2014, agora com prefácio do Dan Stulbach e comentários na quarta capa do Laerte e do Vitor Cafaggi. Todos muito gentis!

Falando em esposa, como ela enxergou essa vontade de trabalhar com quadrinhos?

Ela apoiou o tempo todo. Diz que prefere que eu seja feliz fazendo o que gosto.E ainda me incentivava nos dias que eu pensava em abandonar as páginas. Até hoje ela faz isso.

eu_super_capaE o projeto seguinte?

Como passei a frequentar muitos eventos, queria ter ao menos algo novo para levar comigo. E, foi ai que surgiu…lancei de forma independente Eu, Super. É uma HQ divertida. Sem texto, só ação, como um desenho do Papa-léguas. É sobre um sujeito que quer muito ser um super-herói e tenta de todos os jeitos realizar esse sonho.

E ai, qual foi a recepção a este projeto?dc409d2c860b0480a6f9cd4672baac39

Muito boa. É uma história simples, mas muito querida. As crianças curtem muito e os adultos se divertem. A ausência de texto deixa tudo mais universal e subjetivo.Interessante como as pessoas reagem. Alguns fazem questão de me contar suas conclusões sobre a moral da história. Tem gente que conclui coisas muito mais inteligentes que eu sobre a história

Falemos então de seu próximo projeto.

Se chama Olhos Insanos. E é inspirado em um crime que aconteceu no final da década de 1990, em São Paulo. Vou evitar
spoilers, mas é sobre Daniel, um jovem que está há 3 anos estudando para o vestibular de medicina. Ele é muito tímido e angustiado com a própria situação. Um dia ele conhece Diana, que é uma garota cheia de vida. O oposto dele, mas a paixão entre eles é imediata. O problema é que a Diana tem um ex-namorado muito ciumento, que a persegue há tempos. Isso coloca a vida do casal em perigo.

Como foi ou está sendo esse trabalho via Catarse?olhos_insanos (2)

A campanha acabou há 17 dias. Fomos bem, acho. Chegamos a 285% da meta inicial. Foram 60 dias de bastante ansiedade e divulgação. Espero não ter incomodado muito os amigos.

VIK88MYMas, isso é parte fundamental para ter uma campanha de sucesso, não acha?

Pra mim, foi. Muita gente nem sabia o conceito de financiamento coletivo e muitos ficaram contentes e se empolgaram em fazer parte do projeto. Sem exagero, cada apoio foi essencial pra eu me motivar a seguir em frente. É um processo que envolve muito trabalho extra. Produzir o livro, as recompensas, enviar tudo. Por exemplo, enviei a cada apoiador um e-mail agradecendo pelo apoio e dando um brinde surpresa. Também estou bolando alguma coisa inesperada pra mandar junto com as recompensas. Penso que é bom dar aos apoiadores mais do que eles esperam.

CBTIS8-W4AAa7DY.jpg-largeE, acha possivel trabalhar somente com quadrinhos?

Conheço alguns poucos que vivem só de quadrinhos, mas ainda são a exceção. Eu não conseguiria, hoje. A não ser que houvesse um evento grande por mês. O que tampouco seria viável ou saudável. A grande vantagem é que os quadrinistas se ajudam. Muita gente me deu dicas, apoiou e torceu. Estamos todos na mesma batalha.

E vale a pena?

Sim. Há algum tempo escrevi a missão, visão e valores da minha empresa (que atualmente sou só eu, mesmo): contar histórias que transformem as vidas das pessoas. Se conseguir divertir as pessoas ao mesmo tempo, missão cumprida.

Eric Peleias pode ser encontrado no site www.peleias.com.br.

WilsonWilson Simonetto é colaborador do site Chamando Superamigos e da revista Mundo dos Super Heróis. É colecionador de quadrinhos e prestigia todos os eventos nerds que pode, o que já rendeu a ele o apelido de “Homem-Evento”

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