Crítica: JURASSIC WORLD – O MUNDO DOS DINOSSAUROS

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Os dinossauros estão de de volta… mas o novo fiilme consegue ressucitar a série cinematográfica ou ela deveria continuar extinta?

Por Maurício Muniz

Admito, nunca fui um grande fã dos filmes da série Jurassic Park. Li o livro original de Michael Crichton antes da história chegar ao cinema e gostei muito: era uma ótima aventura com discussões nas entrelinhas sobre a vontade do homem em bancar Deus e todos os problemas que isso costuma causar – um tema popular na ficção científica desde os tempos de Frankenstein.

o-JURASSIC-WORLD-facebookPorém, mesmo se sou fã confesso de Steven Spielberg, achei seu O Parque dos Dinossauros, de 1993, um filme correto, mas não muito empolgante. Tinha seus momentos, mas os dinossauros que criei na minha imaginação ao ler o livro de Crichton eram mais assustadores e interessantes. O segundo filme, O Mundo Perdido: Jurassic Park, de 1997 e também de Spielberg, já se mostrou inferior e mais burocrático, enquanto Jurassic Park III, de Joe Johnston, lançado em 2001, parecia estar raspando o fundo do tacho para achar algo de interessante a dizer. As bilheterias se reduziram consideravelmente a cada novo exemplar e a franquia parecia ter chegado ao final. Mas Hollywood, em sua cada vez mais aparente falta de ideias para os filmes-evento, não deixou barato e ressucitou os dinossauros recriados pela ciência.

O que nos leva, claro, ao motivo pelo qual você entrou aqui: saber nossa opinião sobre Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros (Jurassic Word, 2015). Bem, já dá pra adiantar que, se você gosta de ver dinossauros correndo para todo lado e brigando, este é o seu filme. Mas se você gosta de originalidade, nem tanto.

Vinte e dois anos após o primeiro filme, finalmente o sonho do falecido John Hammond se realizou e a Ilha Nublar jurassicworldclip-novaimagem03se tornou um parque de sucesso, no qual visitantes interagem com centenas de dinossauros criados através da genética avançada. Porém, todo parque precisa de novas atrações de tempos em tempos e seu dono atual, um milionário indiano, acha que a resposta é um tipo diferente de dinossauro, mais esperto e feroz, que poderá ser apresentado ao público e renovar o interesse do público. O responsável pela criação dessa nova espécie é o suspeito Dr. Wu (BD Wong, único ator do filme original a repetir seu papel) que realizou sua tarefa com mais competência do que deveria.

jurassic-world-chris-pratt-bryce-dallas-howardJunto a uma nova leva de visitantes, chega à ilha os irmãos Gray (Ty Simpkins, de Homem de Ferro 3), um garoto fascinado pelos dinos; e Zach (Nick Robinson), um adolescente fascinado por, bem, garotas. Eles são sobrinhos de Claire Dearing (Bryce Dallas Howard, de Homem-Aranha 3, mais linda que nunca), executiva do parque. Claire, no passado, teve um caso rápido com Owen Grady (Chris Pratt, de Guardiões da Galáxia), um treinador de animais que tenta domar os violentos e sanguinários velociraptores, que tantas mortes causaram nos filme anteriores da série. Quem também está de olho nos velociraptores é Vic Hoskins (Vincent D’Onofrio, do seriado Demolidor, aqui subaproveitado), chefe de segurança da empresa InGen, responsável pela criação dos dinossauros, que quer encontrar uma maneira de vendê-los como armas para o governo norte-americano.

Poderia ser apenas uma feliz reunião de atores que passaram por produções da Marvel, se o tal dinossauro mais inteligente e feroz não desse um jeito de escapar de seu cativeiro e começar um reinado de terror, destruição e morte na ilha. Para tentar deter o bicho, capaz até de se camuflar, os personagens usam os mais variados métodos, inclusive lançar contra ele os velociraptores, o que pode se mostrar uma decisão perigosa…

Quem já viu algum dos filmes anteriores da série, já sabe o que esperar: correrias, dinossauros que tentam devorar os jurassic-world2heróis, crianças em perigo, lutas entre dinos de espécies diferentes, um pouco de sangue e alguns membros decepados ou corpos partidos ao meio. Os roteiristas Rick Jaffa e Amanda Silver, dos excelentes novos Planeta dos Macacos, parecem tão conscientes de que essa é a fórmula de Jurassic Park que mal tentam inovar. Criam uma trama tão previsível que, desde o começo do filme, o espectador já tem uma boa ideia de quem vai ou não sobreviver até o final da projeção.

jurassicbryce-dallas-howard-jurassic-worldNão ajuda muito também que todos os personagens sejam tão rasos. Todos são mais “tipos” (o herói durão e sarcástico; o menino deslumbrado; o adolescente chato que se redime; o vilão inescrupuloso e meio covarde; o programador de computadores pra lá de nerd etc etc etc) que pessoas que pareçam minimamente reais. A personagem mais interessante e bem construída acaba sendo Claire, mesmo se ela parece mostrar lados diferentes de maneira quase esquizofrênica ao longo da trama: ora executiva controladora, ora mocinha indefesa, ora heroína durona, ora poço de lágrimas.

Mas o filme tem vários méritos. O diretor Colin Trevorrow (revelado em Sem Segurança Nenhuma, uma boa comédia Livro-Jurassic-Park3dramática independentes, sobre viagens no tempo) acerta ao evitar o “estilo Michael Bay” e mantém uma narrativa compassada que não tira o fôlego do público com uma edição rápida demais – é sempre bom conseguir entender perfeitamente o que acontece nos momentos de ação. E mesmo se o filme parece demorar a começar, recompensa o espectador com um climax cheio de suspense e ação, embora de resolução (novamente) previsível. Para os fãs de longa data, há muitas referências ao filme de 1993, o que até dá um charme especial à produção.

Jurassic World é um filme competente, mas de poucas surpresas. Se fizer sucesso, com certeza será o início de uma nova série. Se não fizer, cumpriu aqui a função de divertir moderadamente.

(Última dica: depois de assistir ao filme, vale ler o livro original de Crichton, Jurassic Park, que acaba de ser relançado no Brasil pela editora Aleph,)

COTAÇÃO:

3.5+stars

MauMaurício Muniz é jornalista especializado em cultura pop. É coeditor da revista Mundo Nerd, editor das linhas de quadrinhos da Gal Editora e da Peirópolis, além de tradutor e dublê de escritor. Ele finge ser um cara legal, mas não engana ninguém

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