Enquanto isso… a difícil missão de NÃO GOSTAR de SANDMAN

Gaiman

A obra de Neil Gaiman é considerada um marco dos quadrinhos adultos. Mas há motivos para achar Sandman apenas uma obra pretensiosa e chata?

Por Fábio Ochôa

Teve uma época, não muito tempo atrás, que se você dissesse que não gostava de Neil Gaiman, provocava uma reação neil-gaiman-420x0semelhante a se dissesse que era a favor de alimentar filhotes de focas apenas com cacos de vidro. Gaiman era meio que uma mistura de PT e Jesus Cristo dos quadrinhos: falou mal de Sandman, bom sujeito não é. É recalcado, invejoso ou não entendeu (e sim, eu ouvi tudo isso, mesmo que tenha argumentado e explicado porque eu não gostava, tudo era simplificado à mera inveja).

Como disse diversas vezes, isso é uma falácia. Eu invejo, sim, o George Clooney que é milionário, bonitão, carismático, bom diretor, bom produtor e 78,7% das mulheres do mundo querem dormir com ele. Afinal, se é para invejar, vamos fazer direito, não vamos nos contentar com pouco.

Existem alguns dogmatismos difíceis de combater no mundo da arte. Se você gosta de cinema europeu, você ganha 1955ipb68vogmjpgautomaticamente o rótulo de pessoa culta, mesmo que a Europa produza TODO tipo de filme, incluindo as bombas feitas em ritmo industrial por Luc Besson e Uwe Boll. Se gosta de cinema americano, acaba ganhando o rótulo de gostar de um cinema ruim e pobre de conteúdo, mesmo que esse cinema tenha revelado ao mundo artistas (inclusive europeus) como Stanley Kubrick, Alfred Hitchcock, Billy Wilder e Martin Scorsese. Cada obra gruda um rótulo a quem a consume. E, já que este é um mundo cão, muita gente – não a totalidade dos ditos fãs, felizmente – consome certas coisas simplesmente para ter esses rótulos carimbados em seu rosto.

Sandman-comicDesde que me conheço por gente (e sim, isso já faz um bom tempo, mais do que gostaria, aliás) noto que uma boa parcela dos fãs de quadrinhos são sectários e dogmáticos por natureza – ou talvez não só de quadrinhos, o cinema tem suas certezas, a música também e basta ver a recente (e francamente ridícula) polêmica do prêmio Hugo, para constatar que a literatura também.

Assim sendo, você pode ler quadrinhos infantis, mas ler quadrinhos de heróis é melhor e ler certos tipos de quadrinhos de heróis é melhor ainda, e ler Vertigo é melhor ainda, mas ler quadrinhos europeus é melhor ainda e assim por diante… Nem preciso dizer (ou talvez precise) o quanto esse argumento escadinha é imbecil, reducionista e inconsistente, mas, né, quem nunca recebeu uma olhada superior de um leitor de Moebius e Manara enquanto comprava o seu formatinho de Superman nas bancas?

O que nos leva a Sandman.

Se você lê Sandman, automaticamente você pertence a um seleto grupo, é um leitor superior, alguém separado por uma endlesscosplay3fina membrana de bom gosto da massa dos reles leitores que estão por aí a comprar os Batman e Robin da vida.

Mesmo que Sandman seja, em última instância, uma revistinha chata e pretensiosa pra cacete.

Eu cresci com essa aura de “Sandman = máximo de erudição e qualidade em quadrinhos“ ao meu redor. Era o que todos diziam. O problema é que a distribuição de Sandman era uma merda, ainda mais para mim, que morava no interior do interior. As coisas se estabilizaram um pouco quando a Devir começou a cuidar da distribuição direta em livrarias. Peguei uns números avulsos aqui e ali… E, bem, para ser sincero, não tinha achado aquela Coca-Cola toda, mas… Ei! Talvez o problema fosse eu, não? Vai ver, não entendi direito, faltou escola, os números eram avulsos, tinha letrinhas demais, enfim, mil coisas.

Com o tempo, a Brainstore começou a publicar a série desde o começo, ok, partiu ler a revista como tem que ser lida, desde o começo, em ordem, de mãos dadas, um só coração.

E, de novo, não rolou..

The-Sandman-Overture-2013-001-015O começo da série, é bem interessante e acima de tudo, honesto. Parecia uma releitura dos títulos de horror da DC dos anos 1970, era quase possível ver Neil Gaiman tateando no escuro, tentando achar um caminho e um tom próprio para chamar de seu.

O problema começou justamente quando ele encontrou.

Sandman tem contos isolados que são maravilhosos, dignos das melhores coisas de Ray Bradbury, como “Callíope” e “Sonho de Mil Gatos”, por exemplo. Mas o grande problema, bem, é todo o resto, do protagonista tedioso e com tanto carisma quanto uma vassoura, até suas sagas sem ritmo e anticlimáticas, que se arrastam penosamente ao longo de 7, 8, 13 edições (o que me fez mais de uma vez questionar se só porque é uma saga sobre o Mestre dos Sonhos, ela tinha tumblr_mnb6bok0bM1qhfc4po1_500que ser tão sonolenta?), um certo senso de artificialismo, um, digamos, salto alto em enfiar o maior número de referências possíveis por centímetro quadrado em detrimento da emoção da história, no melhor espírito “uiuiui, vejam como eu sou culto” (seguindo esta lógica, provavelmente a Barsa seria o melhor exemplo de literatura já feito). E a impressão que, no fim das contas, Neil Gaiman era uma espécie de pretendente a Alan Moore, mas sem a coragem do mesmo, sempre estacionado na sua zona de conforto e oferecendo o que seu público quer ver: referências ocultistas, citações de autores do século XIX, momentos gótico-fofinhos, tudo para o leitor se sentir parte de uma, digamos, elite intelectual dos quadrinhos.

O que, aliás, me lembra também que, na introdução do volume 4 de Saga do Monstro do Pântano, que li há pouco, Gaiman gasta, sem nenhuma necessidade, um sexto da página para explicar para os leitores a origem histórica do conceito filosófico de maniqueísmo. Ok, Gaiman, já entendemos que você é culto pra caramba. Me dá um abracinho, dá.

Mas tudo bem, eu podia lidar com tudo isso. Afinal, não gosta, não leia. Simples, se não fossem os aldeões a pularem munidos de ancinhos, tochas e sangrenta fúria uterina a cada vez que eu solto uma crítica a ele, o que fez com que um simples desgosto crescesse para se tornar implicância assumida.

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OchôaFábio Ochôa trabalha como redator publicitário. Conquistou prêmios, foi citado na TV, foi diretor de criação, já saiu na Zupi, fez campanhas políticas e, mesmo assim, ainda consegue gostar das pessoas e achar este mundo um lugar legal. É um exemplo, esse rapaz. Trabalha também como ilustrador freelance e roteirista eventual. Para saber mais acesse:  www.behance.net/fabioochoa

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17 comentários sobre “Enquanto isso… a difícil missão de NÃO GOSTAR de SANDMAN

  1. Se você levar em conta que Neil gaiman é um dos POUCOS caras que Alan Moore espeita, e leva em conta a opinião… Bom, acho você desinformado para cacete… Para não dizer REDUCIONISTA (“Eu cresci com essa aura de “Sandman = máximo de erudição e qualidade em quadrinhos“ ao meu redor. Era o que todos diziam.”)…

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    • Milton, vamos lá, cara, dizer que Moore adora Gaiman e os dois andam de bicicleta no parquinho no fim de semana simplesmente não é um argumento, os pontos pelos quais desgosto de Sandman estão elencados no texto, aqui no blog primamos sempre pelas pessoas pensarem por conta própria e, bem, somente o fato de Moore respeitar Gaiman não invalida nenhum deles. Argumentos são o que se usa em discussões, quando alguém afirma algo e você usa argumentos contrários para mostrar que aquele determinado argumento não faz sentido. É a base de qualquer diálogo.

      Dizer que sou desinformado pra cacete também não é argumento e não contradiz nada que foi elencado no texto, é apenas o equivalente de dizer ” você é chato, bobo e feio porque não gosta do que eu gosto”.

      Quanto ao argumento reducionista, na época Sandman era anunciado na Wizard com uma citação de Stephen King, que dizia “Uma egotrip para intelectuais” – Stephen King”. Repare, a revista era VENDIDA assim, a lógica é clara: uma egotrip para intelectuais. Compro Sandman, logo sou intelectual. Era o que tinha em mente quando escrevi “Eu cresci com essa aura de “Sandman = máximo de erudição e qualidade em quadrinhos“ ao meu redor”.

      E… Bem, se você reparar no título do artigo, no primeiro bloco de texto e no último, você vai reparar que ele NÃO É sobre Sandman, mas sim sobre seus fãs que, ao lerem qualquer crítica, sacam suas pedras e saem jogando no autor dizendo que ele é recalcado, invejoso, não entendeu… E agora também, desinformado pra cacete e reducionista.

      Think about it.

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  2. O maior problema de Sandman, acho, não é Sandman. Mas sim de um xiitismo que envolveu a obra por parte de certos fãs. E gosto do Gaiman. Mas boa parte de seus fãs mais radicais me dá medo.

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  3. Excelente texto! Gosto quando as regras e paradigmas são questionados. Certa vez a época do Msn Messenger conversei com um amigo sobre essa aura de intocabilidade que permeia Gaiman, e nos lembramos de que ele começou bem discreto, apoiado por grandes desenhistas, e que ainda muito cedo lançou seu Magnum Opus, que foi Sandman. Considero uma das melhores séries de HQ de todos os tempos, mas depois dela Neil nunca mais repetiu a qualidade. Mesmo tendo lançado excelentes quadrinhos e livros, ficou tudo com cara de Shakespeare, sempre com a mesma ladainha de criaturazinhas de fantasia medieval para agradar menininhas de vestido e coturno e garotos com trevos em suas camisetas.

    Ainda cultuo Sandman e tenho a série completa em pelo menos 4 formatos além de livros que esmiúçam a série. Mas reconheço (e Neil também reconhece abertamente) que o seu sucesso é calcado no sucesso de outras investidas, como a obra de Moore, de Shakespeare, de Poe, de Lou Reed, Michael Moorcock, Tolkien, Bradbury, e de alguns artistas como Mike Dringemberg, que trouxe o público Dark que faltava à série.

    O blog está de parabéns, justamente por fazer os leitores raciocinarem. Assim como na matéria que apontou que nem todo mundo é obrigado a gostar de Watchmen, esta mostra que nem todo mundo que lê Vertigo é um iluminado superior (nos dias de hoje estão mais para Hipsters reclamões, mesmo), e que não há problemas em acompanhar Tio Patinhas, MSP, Rob Liefeld, Liga Extraordinária e Jodorowski nas bancas e livrarias. Viva a diversidade. Abraços e sucesso!

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  4. Sandman é foda, é uma grande orgia de ocultismo e quadrinhos, um deleite para os olhos que enxergam, é o gibi dos escolhidos, dos eleitos, homens que dominam o mundo leêm sandman e tex.
    Obama, Bush, Clinton, todos leêm sandman, um livro que foi inspiração até para Matrix.
    Sandman deveria ter cadeira cativa em Oxford, yale, Harvard, é um achado intelectual em tempos de pouca profundidade, a civilização anda um passo cada vez que alguém lê sandman.

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  5. Li, li e reli sua crítica e não encotrei o que realmente não gostou em Sandman. Dizer que é sonolento pra mim é raso. Esperava encontrar referências bacanas explicitando onde você acha a saga sem graça. Falo isso pq acho q faço parte do grupo do meio. Li Sandman, gostei mas nunca entendi realmente o hype. Queria uma explicação melhor pra que o seu texto não ficasse apenas no gosto pessoal e na antipatia (concordo com vc) dessa de quadrinho europeu, cinema de favela, música erudita etc etc etc. Abs.

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    • Aí que está, Flávio, o texto não é tanto sobre Sandman, mas sim sobre os fãs harcore de Gaiman (o que, como diz o título, torna difícil a missão de não gostar de Sandman), não acho válido publicar algo como “Sandman é uma merda”, porque gosto é gosto. Aquela história: se você gosta, siga lendo, só não se esqueça de respeitar o meu direito de não gostar.
      Anyway, se algo está aí há 28 anos e toca tantas pessoas, alguma coisa há aí, embora realmente, não me ocorra o quê.
      Aprofundando bem resumidamente algumas das coisas que me levam a desgostar da revista:
      a) Falta de empatia – acho boa parte dos personagens tediosos, arrastados e nenhum dos dramas mostrados ali realmente me toca. Gosto muito de algumas ideias isoladas, como o conceito de gatos sonharem e mudarem a realidade, mas a grande estrutura da saga não me chama a atenção em nada.
      b) “Uma egotrip para intelectuais”. Em algum momento Stephen King disse isso e Gaiman acreditou. Frequentemente vejo na saga a carroça na frente dos bois, parece que ele pensa que ia ser muito cult fazer uma história que mostra Otaviano, imperador de Roma e depois dá um jeito de encaixar uma trama para justificar o cenário/citação. Frequentemente me soa forçado e artificial. Alan Moore usa e abusa das referências, mas sempre consegue fazer isso de forma natural, primeiro ele está contando uma história, a qual as referências estão ali para ajudar e não uma história para justificar as referências.
      E, bem, boa parte dos autores que admiro e acho geniais, como Bill Watterson, os irmãos Hernandez, Paul Chadwick, não precisam dessa muleta excessiva.
      E colocar frases de profundidade paulocoelhanas como “dois homens. Em uma rocha.” (em um quadro que mostra, bem, dois homens em uma rocha) e “um lugar que não é um lugar. em um tempo, que não é um tempo” (a arte de parecer profundo sem dizer nada), com certeza não ajuda em nada.
      c) O mundo é fofo. A Morte é uma menina simpática e alegre, com ares de Mary Poppins, serial killers fazem divertidos encontros e convenções. Eu vi de perto um tio morrer gradualmente de câncer, e um casal de amigos dos meus pais perderem uma filha… E, bem, a Morte não é fofinha, não é solução para nada e é um fato duro da vida e você luta contra ela com tudo que der… Esse sentido de gótico-cuti-cuti da revista para meninas que usam saia e coturno e rapazes que escutam Legião Urbana sempre me soa vagamente incômodo e quase irresponsável.
      Bom, tem mais coisas, mas essas são algumas das coisas que me levam a desgostar.

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      • Me parece que o Santo dos Assassinos de Garth Ennis – destruidor, frio, visceral, calado – é uma resposta a essa “Morte” fofinha.

        Acho que a ideia da “Morte fofinha” foi explicada no decorrer da série. Eu adoro essa ideia, principalmente por ser tão inusitada. O clichê é justamente a Morte como uma criatura malvada. Até concordo que um leitor desavisado e adolescente pode ficar impressionado com esses “conceitos”. Mas isso pode acontecer em qualquer história. A gente sempre ouve histórias de um menino que se atirou de algum lugar alto com uma capa enrolada no pescoço. É bom lembrar que Sandman era do selo Vertigo, sugerido para leitores adultos.

        Gaiman “esclarece” esse ponto, de um jeito meio poético, afirmando que os Perpétuos sendo o que são, acabam definindo seus opostos. Então se o Sonho ajuda a definir o que é a realidade, Desejo a entender a indiferença, Destruição ajuda a definir o que é criação, a Morte ajuda a entender o que é a vida. Isso pode soar filosófico ou metafísico. Mas não é.

        Só é difícil de comunicar sem ter sentido a experiência.

        (Não me pergunte como Delírio se encaixa nessa fórmula)

        Mas eu concordo contigo. Superfãs são chatos. Mas – geralmente – não é torcida que ganha o jogo. Até porque não é por gostar de uma obra que eu preciso admirar TUDO que há nela. Sandman teve vários momentos fraquinhos. Também pode soar artificial, pretensiosamente “artístico”. Mas não desmerece – de modo algum – o todo do projeto.

        (Dito isso, preciso dizer que prefiro o Monstro do Pântano de Moore. Apesar de serem monstros, as dúvidas e os anseios são humanos, intensos, emotivos e fazem refletir. De certa forma é uma pirâmide: Monstro no vértice, Sandman no canto da reflexão e Preacher no coração)

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  6. Para falar a verdade, era difícil Sandman ser a melhor coisa que Neil Gaiman já fez, quando Sandman é Gaiman em início de carreira. Dá para ver que ele está a experimentar sobre como apresentar informação aos leitores. Mas ele não quer dar ideia que é culto, acredito que ele está genuinamente excitado por contar coisas que acha interessantes a outras pessoas.

    Mas quase todas as obras de literatura de Gaiman são mais interessantes que Sandman, incluindo Coraline, American Gods e Neverwhere. E uma coisa que ele nunca parece é maçudo ou ocultista ou que tente minimizar a inteligência dos leitores. Sempre achei que ele é até bastante acessível como escritor, direto e honesto.

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  7. Bom, se ele foi “citado na TV”, deve estar certo. Hahahaha.
    Haters gonna hate.
    Desculpe a brincadeira, mas de qualquer forma, acho sempre que os fãs ortodoxos acabam fazendo com que a obra fique chata. Talvez você pensaria ao contrário se não houvesse tantos fãs abobados endeusando o autor.
    Valeu!

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  8. Sou fã do Sandman há um bom tempo, acho uma das coisas mais legais que li nos quadrinhos; ainda que veja algumas falhas aqui e ali, na dificuldade que o Gaiman tem em criar pontas soltas não como mistérios intencionalmente deixados pra fazer a história expandir na sua cabeça, mas como coisas que parecem falhas, apenas ruídos na trama geral.Independente disso, gosto bastante, todo arco tem pelo menos um momento bonito demais, como em “vidas breves”, ou o finalzinho de “um jogo de você”, de fazer engolir em seco.

    Mas uma coisa que me passou pela cabeça lendo o seu texto é se não seria Sandman uma daquelas histórias que precisa ser lida em uma época determinada das nossas vidas. Digo isso por conta do excesso de erudição ser ou não artificial. Acho que as edições nacionais da série tem como mérito terem sido muito bem trabalhadas por aqui, especialmente quanto a tradução e a inclusão de referências tornando-a bem acessível; por isso acabei aprendendo bastante, descobrindo sobre autores, livros, poemas, situações históricas entre outras coisas. O que quero dizer é que no meu caso, que na época não tinha tantas referências assim, Sandman serviu como uma espécie de porta de entrada para algumas das grandes obras já escritas; gostei de algumas, outras nem tanto – nesse aspecto,pra mim a saga está lá, ombro à ombro com a série do Chapolin Colorado!( nossa, talvez os outros fãs do Sandman não gostem dessa comparação, haha…)
    Com certeza não é pouco pra um gibi que aparentava ser apenas mais um terror, mas agora fiquei um pouco na dúvida se hoje em dia, depois de ter recebido outras referências através de outros meios,teria a mesma paciência com alguns momentos da série.

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    • Pois é, Vini, um amigo meu já havia comentado que eu teria lido Sandman com a idade errada (a cabeça já mais formada, menos impressionável) e na época errada (no mínimo uma década depois do lançamento original) o que poderia ajudar nessa impressão. Mas em contrapartida, a minha lembrança da revista também tem sofrido com a comparação (ainda que injusta) com A Saga do Monstro do Pântano que ando lendo agora em ordem pela Panini. Mesmo tendo alguns aspectos bastante datados, o vigor daquelas histórias ainda é impressionante, tanto em termos narrativos (a história do Bicho-Papão por exemplo), como a escala dramática (o confronto com Arcane, Lição de Anatomia), a poesia (o fato dele descer até o inferno em busca de quem ama platonicamente, a transformação de Gotham em um gigantesco buquê), a ousadia temática, os temas em pauta (liberação feminina, preconceito, ecologia). Tudo é numa escala tão ampla, que como disse, ainda que em uma comparação injusta – porém inevitável, por Sandman ser filho direto e assumido desse título – acaba empobrecendo ainda mais minha lembrança do trabalho de Gaiman.

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