Crítica: O EXTERMINADOR DO FUTURO – GÊNESIS

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Bem-vindo ao filme que fará você ter saudade de O Exterminador do Futuro 3…

Por Maurício Muniz

Nunca é agradável falar mal de alguém que você gostou muito no passado. Mas, por outro lado, não dá pra falar bem do novo filme da 43262_01_terminator-genisys-superbowl-spot-goes-skynetfranquia O Exterminador do Futuro.

Gênesis, que chega aos cinemas esta semana, tem uma premissa interessante: criar uma linha temporal paralela para a série sobre robôs em forma humana que vem do futuro para matar Sarah Connor, mãe do líder da resistência que impede as máquinas de dominarem a Terra. No filme original, escrito e dirigido por James Cameron em 1984, o soldado Kyle Reese era enviado ao passado para impedir que um exterminador matasse a moça antes do nascimento de seu filho, John. No processo, a indefesa Sarah se apaixonava por Reese e este acabava por se tornar o próprio pai do heroico e quase messiânico John.

new-terminator-genisys-photos-with-yelling-and-shooting2Agora, o rumo da trama é outro. Quando chega a 1984, Reese começa a ser caçado por exterminadores modelo T-1000 (surgidos no segundo filme da série, de 1991), feitos de metal líquido, que já sabiam de antemão sobre sua chegada. Mais: agora, Sarah não é uma mocinha indefesa, mas uma hábil lutadora que acaba por salvar Reese. Isso porque, em 1973, aos 9 anos de idade, ela teve a vida salva por um exterminador, que a treinou e a vem protegendo desde então. Sarah, Reese e esse exterminador, apelidado de Papi, se unem para tentar impedir que a Skynet controle todas as máquinas, inicie uma guerra nuclear e domine o mundo com seus robôs assassinos.

A história pode parecer um pouco confusa, mas até não é. Os problemas do filme são outros. E são muitos.

A começar pelo elenco. O líder da resistência, John Connor, é interpretado pelo terminator-genysis-skipaustraliano Jason Clarke (que você já viu em Planeta dos Macacos: O Conflito), que tem cara de qualquer coisa, menos de herói, e é um canastrão de marca maior. Só talvez não seja um canastrão maior que Jai Courtney (de Duro de Matar 5), que faz Kyle Reese. Porém, o páreo é duro entre os dois para saber quem tem menos carisma. Ao menos Emilia Clarke (de Games of Thrones), a nova Sarah Connor, se esforça no papel, mesmo se às vezes parece um tanto baixinha demais para ser uma heroína de ação. Assim, quem rouba os poucos momentos bons do filme é mesmo nosso bom Arnold Schwarzenegger como Papi, um exterminador modelo T-800. O ex-governador da Califórnia está à vontade na franquia que o deixou famoso e são dele as poucas piadas boas do roteiro. Como o roteiro repete à exaustão, ele está “velho, mas não obsoleto”.

emilia-clarkeAliás, o roteiro de Laeta Kalogridis e Patrick Lussier (ela, de alguns filmes bacanas; ele, de nenhum) é um apanhado de diálogos ruins e melodramáticos, entremeados com cenas de ação e situações que tentam homenagear os filmes anteriores da série. A estrutura do filme é: um monte de correria, uma parada longa para blá blá blá chato, mais pancadaria, um pouco mais de diálogos constrangedores (que evidenciam a total falta de empatia entre o casal principal), mais cenas de ação… e assim vamos, até a conclusão que consegue ser imprevisível, admito, de tão sem graça. Você lembra do tempo em que ao menos um dos mocinhos ou seus aliados pareciam mesmo correr o risco de morrer nos filmes de aventura, o que deixava os filmes mais tensos e interessantes? Pois essa é uma arte perdida em Hollywood hoje.

O diretor Alan Taylor, que fez o pior filme da Marvel, Thor: O Mundo Sombrio (se não acredita, consulte as notas dos terminator-genisys-picture-arnoldfilmes do estúdio no site Rotten Tomatoes), novamente não diz a que veio. Ele troca suspense e tensão por cenas de ação que tentam ser grandiosas, mas são pra lá de preguiçosas e sem empolgação e nas quais tudo parece meio fácil demais. Até um acidente no qual um ônibus gira no ar e é quase destruído ao bater contra o solo não tem o menor peso, já que todos saem do veículo andando, sem o mínimo ferimento.

Não ajuda, também, que os trailers tenham contado, logo de cara, algumas das maiores surpresas do filme. Se a ideia era empolgar o público com as explosões e tiroteios apresentados aqui, porque a trama seria secundária à pirotecnia, os produtores e o diretor erraram feio.

O Exterminador do Futuro: Gênese é um filme de boas ideias, porém mal-executadas. Não é bom sinal que o filme nos faça começar a achar até que o fraco terceiro filme da série não é tão ruim assim. Em vez de uma gênese, tudo indica que podemos estar frente ao último exemplar da franquia. O fôlego acabou e o exterminador vai terminar sua carreira nas telas velho… e, infelizmente, obsoleto.

COTAÇÃO:

2.5+Stars

MauMaurício Muniz é jornalista especializado em cultura pop. É coeditor da revista Mundo Nerd, editor das linhas de quadrinhos da Gal Editora e da Peirópolis, além de tradutor e dublê de escritor. Ele não sabe se também está velho e obsoleto ou se apenas não tem mais paciência para filmes preguiçosos

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2 comentários sobre “Crítica: O EXTERMINADOR DO FUTURO – GÊNESIS

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