Enquanto isso… as 5 Teorias MAIS ESTRANHAS (e Surpreendentes) DO CINEMA

 Schwazzenegger

Os grandes segredos por trás de Blade Runner, O Vingador do Futuro, O Labirinto do Fauno e outros

Por Fábio Ochôa

Não é de hoje que o  público de cinema apresenta teorias estranhas sobre certos filmes. Algumas são tão aguerridas e persistentes que se tornam quase verdades absolutas – infelizmente a minha teoria que, em O Sexto Sentido, Bruce Willis está vivinho da silva e todos os seus conhecidos estão fazendo uma “Pegadinha do Mallandro” com ele, nunca vingou. Este é um mundo frio e ingrato, galera.

Mas, neste artigo, vamos debater algumas das mais curiosas dessas teorias.

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1. O Max de A Estrada da Fúria é, na verdade, o Menino-Fera do segundo filme

Que o retorno de Max Rockatansky ao cinema é um dos grandes filmes da década, você já sabe. O que talvez não saiba é a teoria cada vez mais forte que na verdade o protagonista pode não ser quem nós pensamos, mas sim o Menino-Fera apresentado em Mad Max 2: A Caçada Continua, agora adulto

Os Prós

Bem, temos que admitir que são vários.

Primeiro, apesar do filme se passar supostamente no futuro da série, o protagonista, vivido por Tom Hardy, parece Beast Boyconsideravelmente mais novo que Mel Gibson nos dois últimos filmes da trilogia. Na cena inicial, na qual ele é tatuado, o número de dias escrito em suas costas mostra que sua idade é algo em torno de 33 anos.

Outro fator interessante é a mudança de sexo do filho de Max, um menino no original, uma menina no novo filme. E entre os “fantasmas” que o assombram, não estão presentes a sua mulher (o que não deixa de ser curioso, uma vez que esse é um dos fatores que faz o personagem explodir em violência retaliadora no primeiro filme) e também nenhum personagem dos três filmes anteriores.

Aspecto curioso também são as mudanças sutis do personagem, que de cabelos pretos passa para um loiro acastanhado – como o Menino-Fera –; não é manco, coisa que Gibson estabeleceu como caracterização do personagem (em virtude de ferimentos sofridos no primeiro filme); passa de um personagem comunicativo e articulado a alguém que raramente fala, grunhe bastante e, em apenas uma cena, quase no fim do filme e de maneira muito reticente, diz seu nome a uma das personagens, sem firmeza, como que em dúvida.

Mas o fato mais determinante a favor da teoria é a caixinha de música que Max dá para o Menino-Fera em A Caçada Continua, que está dentro do seu carro no novo filme.

Tendo em vista que o segundo filme era todo contado pelo Menino-Fera já em idade avançada, é fácil pressupor que Max foi sua maior figura de referência, a ponto de ele assumir a identidade dele no futuro.

Os Contras

Pois bem, o quarto filme assume uma postura bem vaga quanto ao momento da série no qual se situa. O diretor George Miller comentou, em entrevistas, que se tivesse que chutar, diria que se passa de 45 a 50 anos depois do apocalipse – que sequer havia ocorrido no primeiro filme. Se por um lado isso invalidaria o personagem ser o mesmo vivido por Mel Gibson, também invalida pela idade a teoria do Menino-Fera. Por outro lado, esquecendo esse detalhe, é fácil também imaginar que ele simplesmente se passe antes do segundo filme. Simples assim. O que justificaria tanto a idade aparente de Max, quanto a caixa de música em seu carro.

O Veredito

O próprio George Miller sugeriu que não liguem para isso e que não faz muito sentido procurar um encaixe entre os quatro filmes da série.  Para ele, Max é um arquétipo, como os cowboys do velho oeste, não um personagem, cujos detalhes podem variar de acordo com a conveniência e a necessidade de cada história. Ou seja, nada de Menino-Fera, mas acho a teoria tão legal que, para mim, essa é a verdade do filme. E se George Miller não concorda, que vá dirigir Happy Feet 3 e não me apoquente.

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2. A aventura que vemos em O Vingador do Futuro se passa na cabeça do personagem de Schwarzenegger

Como vocês bem sabem (ou não, sei lá), O Vingador do Futuro – títulozinho nacional safado para capitalizar em cima do Exterminador do Futuro – é uma adaptação de um conto de Phillip K. Dick, no qual um operário da construção civil, Quaid, resolve comprar um implante de memória sobre férias falsas em Marte. Ao utilizar o serviço, se detecta um bug e descobre que já tem implantes de memória anteriores. Na verdade, ele é um agente secreto com memórias falsas, sem nenhuma recordação de sua vida pregressa.

Pois bem, uma das teorias que circulam sobre o filme, fiel aos delírios de realidade de K. Dick, é a de que toda a história que assistimos é fruto do bug do implante de Quaid, ou seja, tudo que estamos vendo se passa apenas dentro da cabeça dele.

Os Prós

No começo do filme, Quaid define o perfil da aventura que vai ter. Se prestar atenção, você pode notar que toda aventura paul-verhoeven-04subsequente corresponde com exatidão à escolha dele.

Além disso, embora isso pouco diga sobre o filme em si, o questionamento da realidade é praticamente um dos alicerces da literatura de K. Dick (que aliás, teve uma vida mais bizarra e interessante que sua própria obra).

Os Contras

É um filme dos anos 1980, época de cinema mais comportado e com grande interferência dos produtores. Dificilmente o
estúdio toparia uma produção com uma premissa tão anticlimática para o grande público (basta ver a reação negativa de uma parte considerável da audiência quanto ao final de A Origem). Independentemente disso, nada no filme corrobora de maneira definitiva a tese, nem positivamente, nem negativamente. Ou seja, nada indica categoricamente que o que estamos vendo não seja real.

O Veredito

Por mais incrível que pareça, sim, a teoria é verdadeira. E quem afirma é o próprio diretor Paul Verhoeven, que comprou uma tremenda briga de bastidores em prol do “seu” final irreal. No fim, ele perdeu a queda de braço com o estúdio, deixando apenas o ruído de estática, como uma TV fora do ar nas cenas finais, onde há um grande plano de Schwazzenegger olhando Marte, como se a indicar um defeito na realidade, uma mente fora de sintonia. Sutil e subliminar, mas foi o que deu para ficar.

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3. Tudo que se passa em O Labirinto do Fauno é parte da imaginação da menina

O Labirinto do Fauno é um dos melhores filmes que vi na vida. Passado durante a Guerra Civil espanhola, é uma fábula dura e sombria sobre uma menina que encontra um fauno nas ruínas próximas da casa onde ela e a mãe estão abrigadas. Como imaginação é o forte da garotinha, existe a teoria de que, novamente, todas as partes fantásticas que o filme mostra se passam apenas em sua cabeça.

Os Prós

Olhando com atenção, o filme não oferece nenhuma evidência física e palpável do sobrenatural para qualquer outro personagem que não seja a menina (ainda que mostre coincidências que possam ser gritantes), ficando tudo a cargo do que você opta por acreditar.

Os Contras

Há uma cena onde a menina está presa em um quarto. Ela consegue escapar de uma maneira que simplesmente não é explicada: a câmera mostra apenas o quarto vazio e o desenho feito com seu giz mágico na parede, um giz que teoricamente cria portas. Se você já está propenso a acreditar na magia (como no meu caso)… bem, isso já vale como prova que tudo é verdadeiro.

O Veredito

Novamente é o diretor quem dá a palavra final. Segundo Guillermo Del Toro, tudo se passa na imaginação da menina. Porra, não, cara, não! Obrigado, Del Toro, por deixar meu dia mais deprimente com toda aquela crueldade acontecida a troco de nada e por fazer com que eu me sinta um completo imbecil por acreditar em um desenho de giz numa parede.

O-bri-ga-do. Você é demais!

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4. Rick Deckard é um replicante em Blade Runner

E eis Phillip K. Dick dando as caras na nossa lista aqui de novo.

Blade Runner é um grande clássico da ficção, adaptado de outro livro dele. O filme narra a história de Rick Deckard, um Blade Runner, ou “caçador de andróides”(outro titulozinho sem-vergonha colocado para aproveitar para ligar a presença do astro Harrison Ford a seu sucesso do ano anterior, Caçadores da Arca Perdida), que caça replicantes, andróides similares aos humanos que têm um tempo de vida de apenas quatro anos e buscam seu criador para tentar ampliar seu tempo de existência.

Após passarmos por 997 versões do filme e um dos monólogos finais mais lindos do cinema, a teoria vigente sugere que o próprio caçador, Deckard também seria um replicante.

Os Prós

Juro que não sei quais são. Conheço essa teoria desde que vi o filme pela primeira vez e nunca achei nada que a corroborasse.

Ok, após extensa pesquisa com as minhas fontes (o Google), finalmente descobri de onde vem a tal teoria. Na versão do origami-figures-2ldiretor (versão 598 do filme), que não vi sei lá por que, um colega de polícia, Gaff, tem sempre o hábito de deixar um unicórnio feito de origami nos quartos dos replicantes. Pouco antes de sua fuga com Rachel, Deckard vê um unicórnio de origami deixado em seu apartamento. É a pista: a polícia sabe que ele é um replicante, e sua hora está chegando.

Hmmmmm… Tá, certo, fique sabendo, se você vê um unicórnio de papel na sua frente, cuidado. Você pode não ser quem pensa.

Os Contras

Ahn, o filme inteiro?

Às vezes um unicórnio é só um unicórnio, já diria Freud.

O Veredito

Tudo bem que o livro flerta com esse conceito algumas vezes, mas porra, gente, não tem nenhuma referência a isso no filme. Não viajem na maionese.

Esqueçam tudo o que eu disse. O próprio Ridley Scott disse que Deckard É um replicante. Quem mandou eu não assistir a versão do diretor.

Maldito estúdio.

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5. Os insetos não fizeram nada contra a Terra em Tropas Estelares

Tropas Estelares é um filme muito bacana de Paul Verhoeven que naufragou feio nas bilheterias em 1997. E, assim como Mad Max: A Estrada da Fúria, é um filme aparentemente simples, mas com muitos significados por baixo de sua simplicidade. Nele, após um ataque alienígena que destruiu por completo Buenos Aires, acompanhamos o dia-a-dia de uma tropa de fuzileiros que ataca o planeta dos insectóides responsáveis pelo ataque à Terra.

Uma das teorias mais interessantes sobre o filme é a que os insetos não fizeram nada contra a Terra e que a destruição de Buenos Aires apenas uma desculpa conveniente para fazermos em outro mundo o que cansamos de fazer no nosso: invadir, matar e saquear, em uma curiosa e subversiva inversão dos valores entre herói e vilão.

Os Prós

O filme inteiro é mostrado do ponto de vista dos fuzileitos em treinamento, você vê as notícias sobre a destruição de Buenos Aires mas não vê a destruição em si. Vê os insetos atacando, mas, ei, você está invadindo o mundo deles, eles podem estar apenas se defendendo. Em nenhum momento se vê o outro lado da história.

Os Contras

Bem, temos apenas um lado da história, o que não quer dizer necessariamente que o outro lado seja o dos mocinhos ou das vítimas indefesas.

O Veredito

Verhoeven foi bem claro em sua declaração: os fuzileiros foram escancaradamente manipulados para servir de carne para abatedouro em uma guerra que não tem nada a ver com eles. Nada muito diferente do que estamos acostumados a ver à nossa volta.

E um filme aparentemente simples acaba ganhando muitos pontos por esse detalhe.

OchôaFábio Ochôa trabalha como redator publicitário. Conquistou prêmios, foi citado na TV, foi diretor de criação, já saiu na Zupi, fez campanhas políticas e, mesmo assim, ainda consegue gostar das pessoas e achar este mundo um lugar legal. É um exemplo, esse rapaz. Trabalha também como ilustrador freelance e roteirista eventual. Para saber mais acesse:  www.behance.net/fabioochoa

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18 comentários sobre “Enquanto isso… as 5 Teorias MAIS ESTRANHAS (e Surpreendentes) DO CINEMA

    • Putz, Luis, cara, eu adoro O Nevoeiro, mas espero que não seja isso!
      Uma vez comentaram comigo que o filme foi feito logo após o Katrina e que muitas pessoas haviam se suicidado achando que a ajuda nunca iria chegar, o final seria uma referência a isso.
      Não sei se procede ou não, eu nunca li o conto original do King, até para saber se o final é o mesmo. Mas só espero que a teoria da lunática não seja verdade.

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  1. Ola Fábio! muito bom o texto!
    quero acrescentar que em relaçao ao filme blade runner, os replicantes todos brilham os olhos, quando na sombra (ou algo assim). No versao do diretor, Deckard, na cena final tambem apresenta a mesma caracteristica. Se nao me engano o filme termina bem nesse momento.

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  2. Putz eu sempre achei que era óbvio que tudo estava na mente da guria de o Labirinto do Fauno. Tanto que ela MORREU no final , igual o guri do Radio Flyer e o Rorschach em Watchmen.

    Mas concordo que a teoria do guri do Mad Max é bem batuta e tô pensando em colocá-la na minha “historiografia pessoal” dos filmes… ahahahha

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  3. Olá!!

    Deixei um tempo para ler esse post e até que valeu. Sobre a teoria de Mad Max, eu já tinha ouvido falar dela no NerdCast dos vilões (um depois que eles comentam sobre o filme, na leitura de comentários), e até que tem sentido. Aliás, todas as teorias tem um pouco de sentido. E sério, minha noite ficou mais deprimente ao saber que tudo aquilo em O Labirinto do Fauno aconteceu na cabeça da menina. Acho que os diretores deveriam pensar no que certas revelações vão causar em seus telespectadores.
    Sobre Blade Runner, confesso nunca ter assistido ao filme inteiro, só partes. Eu até tenho em DVD (em algum lugar debaixo de alguma coisa), mas não sei qual das trocentas versões ele é. =|
    Ótimo texto. Não lembro de Tropas Estrelares, mas sempre achei o filme bacana (espero que ele não entre na regra dos 15 anos). xD

    Até mais

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    • Que bom que gostou, Natalia!
      Antes de escrever o post, acabei reassistindo alguns pedaços do filme, tanto para refrescar a memória, como também para ver “com uma nova ótima” se as afirmações dos diretores batiam etc, e o Tropas Estelares ainda diverte que é uma beleza.
      Ele só ficou cafona – e muito – no visual, mas reassista sem medo que é diversão garantida.

      Até mais.

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  4. Fábio, mas uma vez, parabéns pelo seu texto. Gostei muito de sua irreverência com Miller e Del Toro. Ele merecem. Confesso que passei até a gostar um pouquinho deste novo Mad Max ao saber mais detalhes desta teoria do Menino-Fera.
    Quanto ao Blader Runner, existe umas coisa a pensar. O personagem de Deckard no livro, como você disse, não é androide, embora em vários momentos da trama ele chegue a pensar que é. Quando Scott resolveu fazer o filme, ele realmente quis fazê-lo androide (replicante), mas todos foram contra, até mesmo o Harrisson Ford, que tinha cacife para se impor, afinal já era astro em Star Wars e Caçadores. Em uma entrevista a Paul Sammon, na revista Empire Magazine,em ocasião do 25 anos de Blade Runner, Ford nos conta sobre um de seus inúmeros “debates amigáveis” que teve com diretor durante a produção:

    “Pensei que tínhamos resolvido esse problema de replicante no início, antes de começarmos a filmar. Mas no final da produção, quando filmamos a cena que Deckard encontra o animal [unicórnio] em origami fora de seu apartamento, eu disse a Ridley, “Que porra é essa que você está fazendo, cara? Quer dizer que Deckard é um replicante, não é? Vem cá, você não disse que a gente não ia fazer desse jeito! Achei que isso já estivesse resolvido.” Sim! De novo, achei que tinha um acordo com Ridley, antes de começarmos [as filmagens], sobre Deckard não ser um replicante. Mas ele devia ter ainda tinha algumas reservas quanto a isso. Ou talvez Ridley desejasse as duas visões. (SAMMON, 2007, p.126, tradução nossa).”

    Ou seja, ia ser e não foi (versão de cinema), e depois acabou sendo (versão do diretor e final cut).

    Nos extras do filme, eu fiz questão de congelar a cena do unicórnio correndo na floresta na hora que aparece uma claquete para saber se tinha sido feito à época da produção de Blade Runner ou depois, isto é, se Deckard ser replicante era uma ideia original, ou era coisa de Scott querendo intelectualizar o filme dele uma década depois. E a data na claquete era realmente da época que o filme foi feito e não posterior, quando lançaram a versão do diretor. (Não coloco a data aqui porque não estou com DVD de extras no momento, mas acho que 1981). Ainda em relação a isto, Scott informa, em entrevista à Folha de São Paulo em 25 de janeiro de 2008:

    …aquele é um filme muito importante para mim, provavelmente o que mais me marcou, por tudo que deu certo e por tudo que deu errado, então quis refazer, desta vez com tempo e dedicação. […] Esse é o filme que eu queria ter lançado em 1982. (SCOTT, 2008 apud RIBEIRO, 2008).

    Não gosto de Deckard sendo replicante. Mata para mim o grande lance do filme, que era os replicantes sendo mais humanos que os humanos (no caso, Deckard). Mas este vira bonzinho no final dando no pé com Rachel. Então há esperança para humanidade, afinal existe gente boa ainda. Mas quando este vira replicante, temos que forçar, forçar, forçar a barra para imaginarmos que Deckard, quando salva Rachel apenas estava tirando do armário o replicante enrustido que havia dentro si (sem que o saiba). Ou seja, a humanidade tá danada. Ninguém é bom! Vai tudo à m… juntamente com o planeta f… que ficou a Terra. Esta é a grande questão do filme.

    Mas considero que a grande polêmica de Blade Runner seja outra que ninguém fala nada, nadica de nada: afinal aquele pombo que Batty segura e solta ao final, é de verdade ou artificial?
    Eu sei a resposta de Scott, mas não sei se vale alguma coisa, hehehe.

    Curtido por 1 pessoa

    • Emerson, cara, tu pegou um ponto agora que sempre me incomodou sem eu saber porque, de maneira certeira.
      Eu sempre tive antipatia pelo conceito de Deckard ser replicante, mas nunca tinha conseguido colocar em palavras o porquê. Tudo bem, ela é “explode cabeça” e tal, mas sempre me pareceu uma coisa meio intelectualoide, algo que não acrescenta nada de fato à história em si – e que nem faz lá muito sentido com ela, se a gente pensar bem.
      Mas é isso que tu comentou: eu gostava do toque de Deckard, o caçador frio, estender sua empatia à Rachel e se tornar “mais humano” no processo. Pra mim era o grande lance do filme, fora o monólogo final de Batty.
      Realmente, ele sendo replicante, isso torna o filme mais frio e duro, e acho que está aí o lance que sempre me incomodou no conceito. Muito legal a análise.

      P.S. – Se fosse no livro, o pombo seria artificial… E caro pra caralho.

      Curtido por 1 pessoa

      • Fábio, você deve andar vendo muita corrida de Fórmula 1 em documentários antigos, pois meu nome não é Emerson. Mas como gosto do Fittipaldi, sem problemas, hehe.
        Realmente, Scott ao mudar este “mero detalhe” no filme (Deckard ser replicante), joga na latrina imunda da Los Angeles de novembro de 2019 toda a esperança de salvação para a humanidade. Tudo está ferrado mesmo. Talvez os replicantes venham a herdar a Terra e quem sabe, consertá-la.
        Já o pombo, só podia mesmo ser artificial, como o próprio Scott disse em uma entrevista a um repórter meio sacaninha. Mas aí caímos em uma contradição advinda do próprio romance original de Dick. Se ao eliminarmos quase toda a vida animal da Terra, eliminaríamos também as pragas urbanas. Dessa forma, a distopia de BR não seria assim tão ruim, pois não teríamos baratas, ratos e os pombos, grandes vetores de transmissão de doença. Outra questão seria de onde teriam vindo os pombos do Edifício Bradbury? Reproduzidos à revelia é que não. Fugitivos de casas de famílias que os compraram para aparentar status? Talvez, forçando muito a barra. Assim, termino com mais uma perguntinha philipkdickiana: sonham os pombos com pombas elétricas?

        Curtido por 1 pessoa

  5. Ahahahahahaha mal aí, Edilson, esse é um dos problemas de escrever direto do trabalho. Cara, pois então, eu realmente não me lembro se o filme faz menção à praga e aos animais elétricos (acredito que sim, mas lá se vão anos que vi o filme), o Scotty já foi acusado de dar mais atenção ao visual do que à história de suas produções (vendo Prometheus, é difícil discordar), SE as pombas de fato são mecânicas, ou reais, assim como Deckard sendo replicante, isso abre uma série de contradições internas dentro do universo estabelecido por ele.
    Pombas, Ridley…

    Curtido por 1 pessoa

    • Antonio, ele não é androide no romance de PDK. Ele suspeita que é o tempo todo, daí pede para o seu colega de trabalho, também caçador de androides, para lhe aplicar o teste (não me lembro se o VK ou o da máquina russa). Este aparelho não o detecta como androide.

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