ENQUANTO ISSO… 5 Documentários Melhores que a Ficção

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O Superman que não existiu, o Duna que nunca foi feito, Heróis Mascarados da vida real, os maiores picaretas da história do Cinema e um escritor que ajudou a mudar o mercado de quadrinhos em cinco documentários pra lá de divertidos

Por Fábio Ochôa

Os bastidores de filmes que nunca existiram, super-heróis da vida real e os mistérios dentro da mente de um dos escritores que redefiniram os quadrinhos para o novo milênio. Indiamos alguns documentários que são mais divertidos que muitos blockbusters.

tdoslwh-poster-pointofgeeksThe Death of “Superman Lives”: What Happened? (2015),  de Jon Schnepp

Esse foi um filme nunca feito, que atingiu proporções quase míticas: Nicolas Cage como Superman! Tim Burton na direção! Roupa com os órgãos internos à mostra! Brainicac-Christopher-Walken-com-corpo-de-aranha vs ursos polares! E você aí todo empolgado com Batman v Superman enquanto uma pérola dessas quase esteve em nossas locadoras! O filme não chegou a acontecer, mas deu origem a um dos vídeos mais engraçados da Internet, no qual Kevin Smith explica como Hollywood realmente funciona. Para assistir, clique aqu.

Pois bem, quase 20 anos depois do filme que nunca aconteceu, o cineasta e fã de carteirinha Jon Schnepp montou um crowdfunding bem-sucedido para ir atrás dos responsáveis pelo filme e finamente saber o que o impediu de alçar voo.

O documentário é divertidíssimo, além de mostrar concept arts de cair o queixo. Contudo, ao fim dele fica a grande verdade: a de que o filme é fascinante justamente por nunca ter existido. Isso foi o que garantiu sua perenidade na mente de todos. O filme que cada um de nós imagina com certeza é muito mais fascinante que o filme que ele seria se tivesse existido. Caso fosse feito, seria apenas um filme ruim, como zilhões de abacaxis que pipocam por aí.

No fim das contas, a grande sorte do projeto (abortado apenas duas semanas antes de começar as filmagens) jamais ter acontecido foi de Tim Burton, que vinha de dois fracassos consecutivos e um terceiro do porte desse, poderia ter sepultado de vez sua carreira. E sorte do cinema de super-heróis como um todo, afinal,  dois fracassos consecutivos como Batman & Robin e Superman Lives, provavelmente teriam enterrado de vez o gênero no cinema, obliterando a explosão de filmes de quadrinhos que ocorreria na década seguinte.

Agora, Schnepp, por que parar por aí?

Por que não uma trilogia com um doc sobre o Superman 3 de Christopher Reeve, no qual ele enfrentaria Mxzyptlk e Bizarro e outro sobre o Superman de J.J. Abrams e McG, com um Lex Luthor agente do FBI e uma Krypton que nunca explodiu?

Dá tempo ainda, homem. Corre pro Catarse.

Confira o trailer:

Screen-Shot-2014-09-08-at-5.58.25-PMElectric Boogaloo: The Wild Untold Story of Cannon Films (2014), de Mark Hartley, 2014

A Cannon Filmes, com os filmes que “vão estourar a boca do balão” (Gíria Velha S.A.) fez parte da minha infância. E, se você está lendo isso, provavelmente da sua também.

A Cannon era uma produtora insana, pequena e picareta como ninguém, mas gigantesca na ambição, gerida pelos primos israelenses Menahen Golan e Yorum Globus. Ela fez a alegria dos anos 80 com seus filmes repletos de explosões, ação, nudez gratuita e roteiros que não faziam nenhum sentido, repletos de estrelas B (ou C) como Chuck Norris, Charles Bronson, Michael Dudikoff e Dolph Lundgren.

O documentário Electric Boogaloo é um divertido passeio pela história da produtora mais cara-dura dos anos 80 e seus filmes. Há os que foram feitos, como Braddock, O Super-Comando; o impagável e absurdo Desejo de Matar 3 (cara, esse filme não faz NENHUM sentido); Falcão, o Campeão dos Campeões (o Rocky Balboa da queda de braço); Ninja 3: A Dominação (um bizarro cruzamente de filme de Ninjas com O Exorcista); o malfadado Mestres do Universo com Frank Langella pagando um micão (literalmente) cósmico com uma fantasia de Hallowen; Superman 4 que Golan-Globus-Loaded-For-Actionfaz O Homem de Aço parecer Cidadão Kane. E há os que não foram realizados, como Homem-Aranha, Superman V e O Golem estrelado por Charles Bronson, o qual eu daria algum órgão pouco usado do meu corpo para poder assistir.

Em seu auge, a produtora lançava até 43 filmes por ano, isso em uma época que os estúdios lançavam uma média de 6 a 8 filmes no mesmo período. O curioso é que, no meio desse mar de produções, existiam até mesmo filmes com qualidade excepcional, como Expresso Para o Inferno, sucesso de público e critica de 1985, com o então decadente Jon Voight.

O documentário traz 1h45m repletos de descaramento e histórias engraçadíssimas com a ascensão e queda da produtora que primeiro bolava um título e um cartaz, vendia o filme para os distribuidores e só então pensava, afinal de contas, no que iam filmar. São, aliás, os mesmos produtores responsáveis por pérolas da cinematografia mundial como Lambada: o Filme e A Dança Proibida, filmados em 4 dias e com estréia simultânea, para um sabotar o outro (como se fosse necessário algum trabalho de sabotagem além dos filmes em si).

Detalhe: Golan e Globus não participaram do documentário, mas optaram por gravar um documentário rival,  The Go-Go Boys: the Inside Story of Cannon Films, no qual cont eles mesmos a história do estúdio, com lançamento marcado para o mesmo dia da estreia de Electric Boogaloo. Nada mais digno do histórico da Cannon.

Ambos documentários são altamente recomendáveis e tão divertidos quanto parece.

P.S. Electric Boogaloo, além do título de uma produção do estúdio, lançada em 1984 e considerado um dos piores filmes do ano, se tornou também, com o tempo, sinônimo de continuações de baixa qualidade.

Veja o trailer:

Duna-de-JodorowskyDuna de Jodorowsky (2013), de Frank Pavich

Alejandro Jodorowsky é um artista único em todos os sentidos da palavra e autor de experimentos audiovisuais fabulosos como El Topo, A Montanha Mágica, Santa Sangre e A Dança da Realidade. Em 1974, com as credenciais dada pelo inesperado sucesso de A Montanha Mágica, o artista chileno resolveu adaptar Duna, de Frank Herbert.

O documentário narra justamente os meandros desse filme que nunca existiu, mas influenciou tudo que veio depois, e juntava Jodorowsky, trilha sonora do Pink Floyd, design de Moebius e H.R. Giger, efeitos especiais de Dan O’Bannon (que anos depois escreveria Alien), além de um elenco que trazia Mick Jagger, David Carradine, Orson Welles e até o pintor Salvador Dali.

O que esse Duna poderia ter sido, é inconcebível, mas gerou diversas histórias impagáveis de bastidores e vários filhotes, como o encontro entre Dan O’Bannon e H.R. Giger que levaria a Alien; o de Jodorowsky e Moebius, que levaria a O Incal e A Casta dos Metabarões (inclusive reaproveitando trechos inteiros do filme nunca feito) e influenciou diversos cineastas que tiveram acesso ao amplo material desenvolvido para o filme, entre eles George Lucas e seu Star Wars.

Divertido, surpreendente e quase comovente, Duna de Jodorowsky é um testemunho sobre as transformações que o cinema como arte pode gerar e a luta titânica  de um cineasta comprometido com sua visão e disposto a enfrentar todo o sistema por ela.

Confira o trailer:

2full500Warren Ellis: Captured Ghosts (2011), de Patrick Meaney

Warren Ellis é um dos autores que mudaram a face dos quadrinhos dos anos 90 para cá. Esse documentário é um mergulho aprofundado em sua carreira, suas obsessões, seu passado, sua passagem pela crônica policial e sua visão de futuro.

No filme, Ellis é mostrado como um homem de humor ácido e aparência beligerante, sempre com uma frase cínica na boca e autor de algumas das histórias mais desoladoras dos últimos tempos. Ele se revela, para olhares mais atentos à medida que o filme avança, um homem que por mais que tenha uma visão crua de mundo, é também o esperançoso pai de uma filha e, segundo vários dos entrevistados (e por baixo de tudo isso), uma das pessoas mais gentis e afetuosas com as quais já lidaram, um homem que sempre fez questão de auxiliar e promover novos talentos.

E, além do mais, não é todo autor que consegue juntar, em um documentário sobre sua carreira, personalidades tão díspares quanto o editor Joe Quesada; a atriz Helen Mirren; o diretor do blockbuster Vingadores, Joss Whedon; a atriz pornô Stoya e o autor de ficção científica, Bruce Sterling.

Assista o filme completo:

Superheroes-posterSuperheroes (2011), de Mark Barnett

Documentário da HBO que retrata o fenômeno dos super-heróis da vida real: pessoas que se fantasiam para combater o crime à noite (ou de dia, vá lá) no melhor espírito Kick Ass.

Alternando continuamente o foco, mostra o – evidente – lado cômico dessas iniciativas, um rápido vislumbre (até mesmo para não expor demais os entrevistados) das histórias trágicas e solitárias, os traumas que levam uma pessoa a tomar uma iniciativa tão extrema e o perigo que essas pessoas podem representar, tanto para a sociedade como para elas mesmas.

Oferece também um interessante contraste entre os adeptos da cultura cosplayer nas ComicCons e estes “heróis”, que se fantasiam para distribuir comida para desabrigados em um acampamento próximo à convenção.

E é nesse momento que notamos que, no fim das contas, estamos vendo um documentário sobre pessoas que usaram a própria dor como combustível para tentar trazer algum bem ao mundo, ainda que de maneira um tanto discutível e equivocada. Nada muito diferente, dadas as proporções, do que cansamos de ver mensalmente em revistas da Marvel e da DC.

Assista e tire suas próprias conclusões: quem está certo ou errado?

Veja o documentário completo:

OchôaFábio Ochôa trabalha como redator publicitário. Conquistou prêmios, foi citado na TV, foi diretor de criação, já saiu na Zupi, fez campanhas políticas e, mesmo assim, ainda consegue gostar das pessoas e achar este mundo um lugar legal. É um exemplo, esse rapaz. Trabalha também como ilustrador freelance e roteirista eventual. Para saber mais acesse:  www.behance.net/fabioochoa

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