Entrevista exclusiva: FELIPE FOLGOSI, das telas para os quadrinhos

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Uma conversa franca com o ator e roteirista que se prepara para lançar Aurora, uma das HQs mais aguardadas do ano no Brasil

Por Wilson Simonetto

5dez2014---o-ator-felipe-fez-o-roteiro-da-hq-aurora-bancada-atraves-de-financiamento-coletivo-de-fas-na-internet-o-ator-descreveu-o-quadrinho-como-um-sonho-realizado-de-quem-sempre-foi-1417823Felipe Folgosi é ator,  com mais de 25 anos de carreira, além de diversos trabalhos no cinema, teatro e televisão. É formado em cinema com especialização na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Colaborou com o Jornal da Tarde escrevendo sobre cinema e, em 2001, ganhou o Concurso Nacional de Dramaturgia promovido pelo Ministério da Cultura com a peça Um Outro Dia. Irá lançar em 2015 sua primeira graphic novel, uma HQ de sua autoria chamada Aurora.

Aurora era originalmente um roteiro de cinema, uma história de ficção científica sobre Rafa, um pescador comum  que, ao presenciar um fenômeno natural nunca visto antes, é transformado em algo mais que um simples humano. Felipe falou com exclusividade para O Pastel Nerd sobre sua entrada no mundo dos quadrinhos, as dificuldades que encontrou e as expectativas para Aurora.

De onde surgiu sua paixao pelos quadrinhos? E quais são seus favoritos?

Da infância. Meu pai sempre me levava em bancas e comprava quadrinhos. Na época era [material] como Recruta Zero, AuroraDisney, Marvel (RGE), Maurício de Souza. Um pouco depois, comecei a ler Asterix, Garfield, Calvin, até descobri alguns Manaras que meu pai tinha escondido. Eu cresci lendo a fase de ouro dos X-Men com o John Byrne, Frank Miller com Cavaleiro das Trevas, Ronin… Dos americanos, esses dois, mas gosto muito do Moebius também. Ah, sem esquecer do Romita Sr. também.

Aurora surgiu como roteiro original para um filme. Como veio a ideia de transpor para os quadrinhos?

[Criei] o Aurora em inglês, pensando no mercado americano, por não termos tradição nem grana pra produzir ficção científica no Brasil. Mas não queria deixar a história guardada na gaveta por anos. Então pensei em adaptar para uma mídia que gosto muito e seria uma forma de materializar a história e fazer com que as pessoas tivessem acesso.

E para viabilizar o projeto, como foi? Como surgiu a parceira com o Instituto HQ?

Eu comentei com alguns amigos nerds sobre a ideia e o Roberto Sadovski me indicou o Instituto. Apresentei o projeto para o Klebs Junior, que leu e gostou. Ele que me sugeriu usar o Catarse como forma de financiamento.

HQ 3Como foi a campanha de arrecadação?

Uma aventura! Foi mais puxado do que eu imaginava, três meses intensos de divulgação “corpo a corpo” na internet, falando sobre o projeto, buscando apoiadores. Mas também foi muito bacana porque muita gente já comprou a ideia nessa fase, pessoas me ajudaram de forma espontânea, gente grande do quadrinho nacional como o Flávio Luiz, o Will, o Laudo e o Massafera fizeram pin-ups. Já tive um feedback inicial que deu gás no projeto.

Falando nisso, sendo conhecido como ator, você sentiu algum tipo de preconceito do meio dos quadrinhos?

Não. Claro que imagino que tem gente que deve torcer o nariz, até gente que acha que, por ser “conhecido”, alguém não pode gostar de quadrinhos, como me disseram em algumas convenções, mas entendo a surpresa. Quadrinhos sempre foi uma coisa meio underground e quem lia também gostava disso, meio que era uma coisa só da “turma”. Mas sempre gostei, nas minhas primeiras entrevistas, mais de vinte e cinco anos atrás, eu já falava que era fã de quadrinhos antes de isso ser “cool”, então não tenho nenhuma preocupação em ser “validado” nesse sentido. O que eu quero é as pessoas gostem da história que criei. Isso, sim, conta para mim.

Voltando a Aurora: depois do processo de arrecadação, veio a fase da publicação. Voce tem enfrentado várias HQ PBdificuldades nesse processo, não é? Pode falar um pouco a respeito?

Sim. O problema é que imaginamos que o padrão europeu de sessenta e quatro páginas seria suficiente para contar a história, então a verba arrecadada no Catarse foi equivalente a esse valor, mas, depois que a loucura da campanha terminou, quando sentamos para fazer os layouts, vimos que sessenta e quatro não seriam suficiente para contar a história, que acabou ficando com cento e oito, quase o dobro! Com isso, tanto o orçamento quanto o prazo de produção dobraram. Em todo processo criativo existem limitações, mas, apesar de tudo, vamos lançar do jeito que eu tinha imaginado.

E como foi a escolha do desenhista?

Como o Klebs agencia vários artistas, vi os portfólios de muitos desenhistas e coloristas excelentes, mas minha prioridade era achar o estilo que se encaixasse mais com o tipo de história que eu queria contar. Como o Aurora é uma ficção científica, eu queria um estilo realista, que passasse o máximo de verossimilhança, e acabei decidindo pelo Leno Carvalho.

E agora está na reta final, certo? Para quando está previsto o lançamento?

O lançamento será em oito de outubro, às 18:30h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

CamisetaSobre o envio para os apoiadores, qual a expectativa de envio?

Assim que o álbum sair da gráfica, eles serão os primeiros a receber. Claro que existe a questão do prazo dos Correios, mas imagino que eles devem receber na semana do lançamento ou até antes.

Além de Aurora, você já tem algum novo projeto engatilhado?

Por enquanto, não. Tenho outros roteiros prontos que já podem ser adaptados e algumas ideias engatilhadas, mas todo o processo do Aurora tem sido tão alucinante que não tenho tido tempo. E, pra falar a verdade, nem quero começar a pensar em outro projeto por enquanto. Estou tão feliz com o resultado, quero aproveitar o lançamento e a vida que o Aurora vai ter.

Algum recado final?

Quero agradecer aos apoiadores do Catarse e também aos que não apoiaram lá, mas gostaram da ideia e estão curiosos para comprar. À toda a equipe que participou, me ajudando a trazer para o mundo o que estava na minha cabeça e, finalmente, a duas empresas, a LG e a Subaru, que acreditaram no projeto e me deram uma força quando a a grana ficou curta. Espero que as pessoas gostem, é um projeto feito com o coração.

Muito obrigado. E esperamos que Aurora seja um sucesso.

WilsonWilson Simonetto é colaborador do site Chamando Superamigos e da revista Mundo dos Super Heróis. É colecionador de quadrinhos e prestigia todos os eventos nerds que pode, o que já rendeu a ele o apelido de “Homem-Evento”

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