Crítica: PERDIDO EM MARTE

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A nova aventura espacial de Ridley Scott é um filme que nos faz melhores

Por Carlos Alberto Bárbaro

Uma das saídas mais preguiçosas para se dizer que não gostou de um filme é afirmar, de forma definitiva: “Tem muito clichê!” Bem, o cinema, assim como feijoada, é arte que não muda. Você pode até colocar a feijoada numa cuia melhor, caprichar na mesa, na toalha e nos talheres, mas não tem jeito. Se os ingredientes não forem de qualidade e o cozinheiro for “mais ou menos”, a mágica não acontece.

41A8vaGe5XLPerdido em Marte (The Martian, 2015), o mais recente filme de Ridley Scott, traz no elenco nomes conhecidos como Matt Damon, Jessica Chastain, Michael Pena, Jeff Daniels e Chiwetel Ejfor, além de um batalhão multirracial de coadjuvantes. Baseado no livro de mesmo nome de Andy Weir, publicado no Brasil pela Arqueiro, conta a história de Mark Watney (Damon), astronauta dado como morto quando a tripulação de uma missão a Marte vê-se forçada a abandonar o planeta devido a uma tempestade imprevista que coloca todos em perigo.

Mark, porém, sobrevive. E, contra todas as possibilidades de sucesso, já que a próxima missão tripulada a Marte só vai chegar daí a quatro ou cinco anos, ele decide que vai continuar a sobreviver. Sozinho em Marte, um lugar onde “plantando nada dá”, com fontes perecíveis de oxigênio, sem companhia, sem o som de outra voz humana?

Claro que uma história dessas vai precisar de todos os clichês possíveis e imagináveis para funcionar.

E eles vão dando o ar de sua graça, um após o outro, sem descanso, a partir dessa introdução eletrizante, depois do que 885x591-download-20150608103708o filme se torna quase que um documentário espacial da BBC, com seu protagonista gravando videorrelatos para a posteridade no computador da espaçonave, inicialmente com a intenção de deixar um testamento de sua jornada solitária no planeta até a sua morte. Clichê número um: um narrador absoluto, que é uma saída esperta e necessária para explicar a ciência da sobrevivência em Marte ao espectador. E até real! Afinal, o que faria um cientista com quatro anos disponíveis para explorar as possibilidades de sobrevivência em um planeta distante? A vantagem desse recurso é que produz alguns dos momentos mais emocionantes do filme.

20150608-hamyirw-615x308A NASA descobre que Mark está vivo. E daí por diante tem início o que dá pra chamar de uma “corrente pra frente”. Será difícil mesmo ao mais empedernido frequentador de cinemas não torcer pelo astronauta perdido. É como se o que vemos na tela fosse a mais perfeita tradução da realidade, uma cobertura jornalística ao vivo sobre algo que está acontecendo de fato.

O filme, a rigor, é uma longa aula de ciências de mais de duas horas de duração. Muitos adolescentes começarão a pensar sobre suas futuras profissões após assistir a este filme. Seja sobre a possibilidade de tornar-se botânico, matemático, relações públicas ou até astronauta. Provavelmente, o filme é a maior homenagem à ciência desde Jornada nas Estrelas.

E tudo isto sem a sombra de um vilão sequer, o que não deixa de ser paradoxal. Afinal, para que todos os clichês do filme perdido-em-marte-fotos-20-08funcionem e quase que não sejam percebidos como clichês, foi preciso abdicar aqui do maior deles. Não há conflitos no filme, não há disputas, não há nada senão união em torno de um objetivo comum. É dá pra perceber, em cada minuto de projeção, que isto foi pensado e executado com prazer por toda a equipe.

E é curioso notar que um dos melhores filmes da história do cinema, A Montanha dos Sete Abutres, tem um enredo com vários pontos em comum com Perdido em Marte. Mas onde o primeiro nadava em cinismo do princípio ao fim, Perdido surfa nas ondas do otimismo e do congraçamento. É um filme que parece querer provar que não somos a pior doença do universo, mas sim a sua mais perfeita tradução. E que expandimos cada vez mais nosso território e nossas possibilidades, inclusive a de nos condoermos com o destino de estranhos.

Estávamos precisando de um filme assim há tempos. Que bom que ele tenha chegado.

Cotação:

5-star-

BraboCarlos Alberto Bárbaro, o Chique Norris, é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Acredita que todos têm direito a opinar sobre tudo, mas que devem estar preparados para quando o sangue começar a jorrar

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