Crítica: A COLINA ESCARLATE

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O novo filme de Guillermo del Toro é um dos terrores mais impressionantes dos últimos tempos, mesmo se não é exatamente uma história sobre fantasmas

Por Maurício Muniz

Vamos ser sinceros: é uma sorte que um diretor tão talentoso quanto Guillermo del Toro se interesse por temas fantásticos. Robôs gigantes, baratas mutantes, reinos mágicos, vampiros, demônios super-heróis… Claro, temos outros “cineastas nerds”, mas poucos apresentam constantemente tal qualidade de roteiros, personagens bem desenvolvidos e um amor tão óbvio pelos temas tratados.

Screen-Shot-2015-05-13-at-10.24.32-AM-620x400 2O último filme dirigido e coescrito por del Toro é A Colina Escarlate (Crimson Peak, 2015), um conto de terror gótico que, em certos momentos, lembra as produções do gênero produzidas nos anos 1960 e 1970 pela produtor inglesa Hammer – se você é fã de terror, sabe do que estou falando. Se não sabe… nem, não sabe mesmo o que está perdendo.

Aqui, nos Estados Unidos do final do século 19, a jovem aspirante a escritora Edith Cushing (Mia Wasikowska, de Alice no País das Maravilhas) conhece Thomas Sharpe (Tom Hiddleston, o Loki dos filmes da Marvel), um nobre inglês que precisa de financiamento para uma escavadeira que poderá extrair argila de uma mina de sua família. Sharpe viaja com sua irmã, Lucille (Jessica Chastain, de Interestelar), uma mulher de modos sérios e sombrios. Sharpe não consegue o financiamento, mas consegue a mão de Edith, e a leva para morar em sua mansão em Cumbria, no norte da Inglaterra. A mansão, que o casal passa a dividir com Lucille, é enorme e assustadora, então não é surpresa quando Edith começa a ver terríveis e macabros fantasmas por todos os lados.

Há muito mais na história, mas não vale contar para não estragar as reviravoltas do roteiros. Ok, algumas revelações nãoScreen-Shot-2015-05-13-at-10.24.32-AM-620x400 trarão grandes surpresas ao público contumaz do gênero do terror. Mas não faz mal. del Toro conta sua história de maneira hábil, a fotografia é ótima, os cenários e figurinos são belos e tudo se une para montar um filme impressionante. No final das contas, não é tanto uma história sobre fantasmas quanto é uma história com fantasmas – assim como o livro que Edith escreveu e que se mostra tão importante para o início de seu romance com Sharpe.

A dedicação dos atores ao papel é visível e todos estão bem. O diretor transfere para cá seu hábito de carregar atores com os quais já trabalhou antes. Aqui estão Charlie Hunnan (de Círculo de Fogo), como um médico e amigo de Edith; Burn Gorman (também de Círculo), como um detetive; Leslie Hope (do seriado The Strain, produzido por del Toro); como uma dama da alta sociedade; e Doug Jones, presença constante em todos os filmes do diretor, como um ou dois fantasmas. É a companhia teatral de Guillermo del Toro, a cada ano com uma peça diferente, mas sempre impressionante. O único possível “senão” do elenco, quem diria, é a geralmente ótima Chastain, que parece exagerada em alguns momentos em que sua personagem se deixa dominar pela emoção. Mesmo assim, ela não compromete o conjunto.

A Colina Escarlate é um filme de terror em estilo antiquado, mas que traz alguns elementos modernos para assustar. É violento, incômodo em alguns momentos e arrepiante em outros. E é, provavelmente, o filme de terror mais plasticamente bonito que você verá em muito tempo.

Cotação:

4

MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e quadrinhos. Adora filmes e livros de terror. Também tem o hábito de nunca dormir com todas as luzes do quarto apagadas. Sabe como é, né? Vai que…

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