Crítica: 007 CONTRA SPECTRE

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A última aventura de James Bodn não é a melhor estrelada por Daniel Craig, mas faz algo que nenhum outro filme de 007 já fez

Por Maurício Muniz

Ah, spoilers. Nada pior que ler a crítica de um filme que conta mais sobre a trama do que deveria e, por isso, estraga surpresas importantes. Por outro lado, às vezes, para que o crítico possa deixar claro por que um filme é interessante, é preciso contar alguns detalhes que podem tirar o prazer do leitor enquanto assiste a ele – embora, sejamos sinceros, o problema real são aqueles críticos pouco profissionais que parecem fazer questão de contar mais do que é saudável.

daniel-craig-in-spectre-1940x1293Tudo isso para dizer que esta crítica de 007 contra Spectre (Spectre, 2015), a nova aventura de James Bond, vai chegar a um limite perigoso que tentará não ultrapassar, mas vai contar um pouco do que faz esse filme especial na série de James Bond.

Se você assistiu aos outros filmes de Bond estrelados por Daniel Craig, sabe que a série passou por um reboot com 007: Cassino Royale, de 2006, e estabeleceu uma nova história para o espião. Ele ganhou sua licença para matar, se envolveu em confusões, se apaixonou pela mulher errada e se meteu em mais confusões para vingá-la. Cassino Royale foi um filme competente, já 007: Quantum of Solace (de 2008) nem tanto. Mas 007: Operação Skyfall, dirigido por Sam Mendes em 2012, se mostrou um dos melhores filmes da história da franquia: resgatou um tanto da mitologia do personagem e ainda se embrenhou em seu passado de maneira certeira, intrigante e emocionante.

Mendes volta à franquia agora com Spectre para continuar essa exploração do passado de Bond. E o faz de maneira _84415117_84415069surpreendente.

A história inicia com Bond em uma missão no México, que não foi autorizada por seus superiores – mas por um bom motivo, como será revelado. De qualquer maneira, como punição, o agente secreto é suspenso de suas atividades, o ue não o impede de seguir uma pista ligada a essa missão pessoal e se envolver em complicações. Complicações, aliás, que só aumentam quando ele descobre que uma outra parte de seu passado pode estar ligada diretamente a uma organização criminosa chamada Spectre, com ramificações no mundo todo, liderada pelo misterioso Franz Oberhauser (Christoph Waltz, de Django Livre, um 007contraspectre_9pouquinho afetado no papel). As investigações de Bond o levam a ter contato com Lucia Sciarra (Monica Bellucci), mulher de um mafioso; e principalmente com Madeleine Swann (Léa Seydoux, de Azul é a Cor Mais Quente), filha do Sr. White (Jasper Christensen), vilão também presente em Cassino e Quantum.

E é aí que Spectre começa a se tornar um filme realmente interessante, ao unir essas missões do passado de Bond à trama atual. Antes do reboot de 2006, os filmes de 007 quase sempre foram aventuras independentes, nas quais haviam parcas referências a acontecimentos anteriores. Mas Spectre muda isso, cria uma tapeçaria que une toda a história dessa nova versão de James Bond de maneira coesa. Quase que pela primeira vez, a Grabs-from-the-new-trailer-for-latest-James-Bond-film-called-Spectresérie se torna mesmo uma série, sobre um personagem complexo que tem um arco de história definido. Bond se torna uma figura que evolui e que tem bagagem. Se esse recurso já tinha sido usado como elemento narrativo de pouca expressão nos três filmes anteriores, aqui adota posição de destaque na trama, com resultados impressionantes.

Outra boa novidade é dar participações importantes a outros personagens do universo bondiano. A secretária Moneypenny (Naomie Harris), o jovem Q (Ben Winshaw), o burocrata Bill Tanner (Rory Kinnear) e, principalmente, o novo M (Ralph Fiennes) têm papel ativo na trama e vão à guerra para auxiliar Bond. Junte a isso uma trama paralela sobre um funcionário do governo britânico apelidado de C (interpretado por Andrew Scott, o Moriarty spectre___poster_by_majkdark-d8m6u3pda série Sherlock) que deseja dar fim à seção 00 e temos aqui uma trama de espionagem mais séria e sombria que a maioria dos filmes de Bond até hoje.

O que falta a Spectre, incrivelmente, são sequências de ação impressionantes. Sim, as perseguições de carros, tiroteiros na neve e lutas num trem em movimento são competentes e bem feitas, mas não são nada que já não tenhamos visto antes. Em alguns momentos, a sorte de Bond também parece um tanto exagerada, como na sequência em que o herói escapa de uma sessão de tortura ou quando consegue perseguir um helicóptero e acertar seu motor com um tiro mesmo a uma distância 2015-New-font-b-James-b-font-font-b-Bond-b-font-font-b-007-brazoável. Nada chega a incomodar, mas realmente não são o ponto forte do filme. Quase parece que as cenas de ação estão ali apenas porque é isso que se espera de um filme de Bond.

Mas isso praticamente não importa. Os meandros da trama são tão impactantes que seguram o interesse no filme o tempo todo. E até o final atípico cria possibilidades interessantes para o futuro da franquia – ou ao menos para o próximo filme –, tanto se Craig voltar ao papel quanto se não voltar.

007 contra Spectre não é tão bom quanto Skyfall e talvez não supere nem Cassino Royale. Mas tem o grande mérito de elevar a qualidade de Quantum of Solace, graças às ligações que cria entre todos os filmes deste novo Bond. Isso não é pouco.

E se acha que demos spoilers significativos sobre a trama… vá por mim: ela tem muitas outras surpresas para deixar o espectador com os olhos grudados na tela durante toda a projeção. E ao final você já estará ansioso pelo próximo filme.

Cotação:

4,5

MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, quadrinhos e da revista Mundo Nerd. Assistiu a todos os filmes de James Bond e leu vários livros do personagem. Se ele ganhasse uma licença para matar, faria do mundo um lugar melhor… e muito menos povoado

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