Crítica: AMIZADE DESFEITA

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Um novo tipo de filme de terror…! Mas isso é bom ou ruim?

Por Maurício Muniz

maxresdefault (1)Ah, os filmes de terror. Um dos gêneros mais amados por Hollywood e por um bom motivo: seus orçamentos geralmente são baixos e, com uma divulgação eficiente, podem alcançar ótimas bilheterias.

É o caso de Amizade Desfeita (Unfriended, 2015), que chega agora aos cinemas. O filme custou um milhão de dólares (baratíssimo pelos padrões gringos) e rendeu quase US$ 63 milhões até o momento. Não é à toa que a distribuidora tente ligar o filme, na campanha publicitária, a outros que tiveram trajetórias semelhantes, como A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal. Mas as semelhanças não vão muito além da relação “baixo custo e alto lucro”.unfriended-2 (1)

A história é simples. Laura Barns (Heather Sossaman), uma aluna popular do colegial, embebeda-se em uma festa e, mais tarde, é encontrada inconsciente e em situação humilhante. Ela é filmada assim e o vídeo vai parar no YouTube. Envergonhada, pouco depois Laura se suicida com um tiro – em uma ação que também é filmada e vai parar na internet. A partir daí é fácil notar que o filme é direcionado, mais que tudo, à nova geração, que filma, fotografa e publica tudo online. A geração que vive na internet.

unfriended-2Os heróis do filme são cinco exemplares dessa molecada que vive conectada, Um ano após a morte de Laura, seis de seus ex-colegas se reunem para uma animada conversa via Skype, entre eles sua melhor amiga Blaire (Shelley Hennig, do seriado Teen Wolf) e o namorado desta, Mitch (Moses Storm).  Tudo vai bem, até que entra na conversa – sem ser convidado –, um outro participante misterioso que passa a ameaçar todos e a ordena que contem quem divulgou o vídeo que levou à morte de Laura. Mas quem será esse estranho? Uma pessoa em busca de vingança? O fantasma de Laura? A busca por respostas e os assassinatos brutais que se seguem é o que dão o tom do filme.

A grande sacada do roteirista Nelson Greaves, saído da TV, e do desconhecido diretor russo, Levan Gabriadze, é maxresdefaulttransformar o écran do cinema em uma tela de computador, na qual vemos a interação entre os amigos, os vídeos do YouTube, perfis de Facebook e mensagens privadas. Esse exercício voyeurístico, porém, logo cansa o expectador e perde um tanto da graça e do impacto. Nesse formato, algumas das cenas de suspense funcionam, outras nem tanto. Também não ajuda muito algumas incongruências da trama – tanto se o assassino for um ente sobrenatural ou um psicopata. Por exemplo, ninguém pensou em sair de perto do computador e correr até um lugar cheio de gente?hqdefault

Outro problema, que já se tornou praxe em muitos filmes de terror atuais, é que nenhum dos personagens ameaçados é muito simpático. Todos se mostram egoístas, poucos confiáveis e mentirosos, portanto, quando começam a morrer, o público não tem grandes motivos para se comover. Ou mesmo para torcer para que algum deles sobreviva.

Claro, o culpado pelas mortes é revelado, mas de maneira pouco satisfatória e quase anticlimática. O resultado é um terror não muito convincente ou envolvente, que você vai esquecer cinco minutos após o 17UNFRIENDED-facebookJumbo-v3fim dos créditos. Ou, pelo menos, até a inevitável continuação estrear em um ou dois anos (lembre-se da bilheteria!). O mais impressionante da versão nacional é o bom trabalho da equipe de tradução, que faz as mensagens e textos “internéticos” parecerem mesmo saídos dos dedos da garotada.

No final das contas, o maior mistério do filme é tentar descobrir onde foi que gastaram todo o milhão de dólares do orçamento.

Cotação:

2-stars (1)

MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e quadrinhos. Adora filmes e livros de terror. Também tem o hábito de nunca dormir com todas as luzes do quarto apagadas. Sabe como é, né? Vai que…

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