Crítica: DEADPOOL

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O filme do personagem mais doido da Marvel chega para mostrar que pode haver um novo caminho para os filmes de super-heróis fantasiados

Por Carlos Alberto Bárbaro

deadpool-header-2No momento em que você estiver lendo esta resenha, o mundo já terá inapelavelmente, sem oferecer a mínima resistência, deixado o Deadpool entrar em seus corações e arrasar na bilheteria.

E quem haveria de dizer que seria assim? Criado por Rob Liefeld em 1991, Deadpool estava destinado a ser não mais que um vilão coadjuvante entre tantos outros, mas, como ocorre com frequência nos quadrinhos, a criatura conseguiu escapar à mediocridade do seu criador, mesmo não tendo pés e, depois de amealhar tanto fãs quanto detratores, sem fazer concessões ao bom-mocismo de suas contrapartes mutantes, o herói desbocado estreou em seu próprio filme no último fim de semana, conseguindo a façanha notável de arrecadar globalmente a estupenda quantia de 260 milhões de dólares, ou seja, metade da quantia arrecadada pelo sétimo episódio de Star Wars em sua estreia natalina.

Estrelado e produzido por Ryan Reynolds, que lutou como um leão para que o filme fosse deadpool-gallery-05feito da forma que foi feito e dirigido pelo novato Tim Miller (que foi técnico em efeitos especiais em Scott Pilgrim contra o Mundo), a produção tem roteiro afiadíssimo de Rhett Reese e Paul Wernick, que conseguiram transcrever a verborragia desbocada de seu protagonista. No elenco ainda temos a presença da brasileira Morena Baccarin, como a contraparte amorosa do Mercenário Tagarela, e com a estreia do mutante Colossus, em uma versão cinematográfica criada por computador que é a um só tempo fidelíssima e jocosa ao talvez mais querido aluno da escola do professor Xavier.

CYiNR50WAAEhf3gA trama chega a ser simplória, nada diferente de centenas de outras: desenganado pelos médicos, e desejando ardentemente viver mais para desfrutar da companhia de sua amada, o veterano de guerra, Wade Wilson, aceita ser cobaia de um programa de criação de super-heróis, sem suspeitar, ou fechando os olhos convenientemente para isso, do aspecto um tanto quanto sinistro dos seus patrocinadores. Claro que, embora acabe ganhando poderes, a experiência não é completamente bem-sucedida, o que faz o herói, que adota o nome Deadpool, sair em busca de certo inimigo que insinuou que saberia solucionar a parte que não deu certo do experimento.

Não é pela trama, porém, que o filme se destaca, pois as qualidades que o tornam merecedor de um lugar de honra entre os bons exemplares do gênero são sobretudo formais.

Nos últimos anos, quase que sem variações, temos visto duas abordagens nas adaptações de filmes de super-heróis: de um lado, seriedade absoluta, na tentativa de tentar fazer crível um mundo habitado por essas criaturas poderosas; de outro, o esforço em conseguir o melhor de dois mundos, abraçando o realismo, mas sem descuidar de oferecer o idealismo que a maioria dos espectadores busca em filmes heróicos.

Deadpool é talvez a primeira adaptação de quadrinhos de super-heróis que consegue a Deadpool3proeza de ser de fato um gibi live action, sem buscar em momento algum tentar convencer o espectador de que o que ele está assistindo tem alguma pretensão artística maior, sem querer ser um estudo de como seria o mundo se existissem de fato super-heróis por aí. O curioso é que, no momento mesmo em que abdica dessa pretensão, acabe talvez sendo até aqui o mais artístico exemplar do gênero. A começar pelo recurso, de forma alguma inédito, mas utilizado aqui com gusto e bravado, de quebrar a quarta parede e permitir que o protagonista converse conosco, diretamente, sem intermediários. É o velho off, mas um off descarado, funcional e, o mais importante, conduzido de modo extremamente divertido.

São abundantes as referências a outros filmes, a outras franquias de quadrinhos, a heróis da cultura pop e à própria Fox, que produziu o filme, e são tantas, mas tantas as piadas marotas, que é de surpreender que todas, absolutamente todas, sejam engraçadas e não tornem o filme carregado, já que perfeitamente encaixadas à trama. (Ao rever os trailers depois do filme, pude perceber que algumas delas foram alteradas para a versão final, o que revela o cuidado dos envolvidos em oferecer o melhor para o espectador.)

maxresdefaultÉ um filme violento, sim, mas que, no momento mesmo em que a violência ocorre, nos faz rir dela ao nos lembrar (coisa que todo garotinho de quatro anos sabe) que é tudo de mentirinha. E é um filme sensual, com uma das histórias de amor mais críveis dos últimos anos, que chega a nos fazer corar em certos momentos, pois sabemos que, mesmo sendo tudo “de mentirinha”, uma encenação entre os atores, sabemos que, ao contrário da violência, podemos fazer “aquilo” em casa numa boa (ou passarmos vontade por não o fazer).

Deadpool é um filme livre, despretensioso, vibrante, assemelhando-se a um passeio na montanha-russa, a uma tarde com a namorada, a uma festa dos sentidos, com um caráter lúdico similar ao dos clássicos dos anos 1980 (um dos quais é homenageado na cena pós-crédito), mas com esteroides e proibido para menores.

Que venham mais filmes iluminados como este! Abaixo o mundo sombrio!

Cotação:

5-star-

BraboCarlos Alberto Bárbaro, o Chique Norris, é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Acredita que todos têm direito a opinar sobre tudo, mas que devem estar preparados para quando o sangue começar a jorrar

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5 comentários sobre “Crítica: DEADPOOL

  1. Caro Bárbaro, antes de ler sua crítica, ou melhor antes dela ser publicada no Pastel Nerd, eu li a crítica do Rubens Edwald Filho de quem gosto muito como crítico, claro que ele não acerta todas, mas é um profissional que admiro e acompanho há muito tempo. E ele diz entre outras coisas que, nas palavras dele: Na verdade eu lamentei não ser tão aficionado assim de quadrinhos, o que me impediu de entender várias citações (só para fãs). E é verdade, o filme vai conseguir ( assim espero) ter mais gente se interessando por quadrinhos, do Deadpool ou de outros. Sua abordagem , Bárbaro, foi perfeita. É isso mesmo. Assisti duas vezes, uma vez dublado e outra vez legendado. Dublado porque meus filhos tem preguiça de ler ( infelizmente) e legendado porque é o que vale. E olha, não é que ficou bom dublado. Parabéns pela crítica. Um abraço!! E como Rubens fala no final de sua crítica: Deadpool passa rápido e dá vontade de ter mais. Que maior elogio se podia dar?

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  2. Concordo plenamente com esta crítica.
    A Fox acertou na megasena, deveria fazer um filme desses por ano para encher seu cofrinho.
    Não vejo a hora de ver a segunda parte.
    Nas salas de cinema (nos corredores) se escuta a platéia toda rindo litros com cada tirada.
    Tirando os vilões genéricos, esse filme é nota 10.
    Não aproveitaram todos os “amigos” do Wade, mas foi legal ver alguns deles lá (oi Bob !).

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