Crítica: A BRUXA

BRUXA

Lento, com ótimas interpretações e um clima incômodo e angustiante, este é um dos filmes mais aterrorizantes dos últimos anos

Por Maurício Muniz

O medo, muitas vezes, é algum muito particular. Um filme ou história de terror que deixa uma pessoa de cabelo em pé, pode fazer outra apenas bocejar e olhar pro relógio a toda hora. Por isso, apesar de ter recebidos muitos elogios da crítica especializada, A Bruxa (The Witch, 2015) pode não ser para qualquer um.

Com jeitão de filme de arte, a obra do diretor e roteirista Robert Eggers (mais conhecido nothe-witch_trailer_2015 meio cinematográfico como desenhista de produçao e figurinista) conta a história de uma família de puritanos que, por volta de 1630, é expulsa da localidade onde moram na região da Nova Inglaterra por divergências religiosas. O pai, William (Ralph Ineson, de pequenos papéis em Game of Thrones e Harry Potter) e a mãe Katherine (Kate Dickie, de Prometheus) pegam os quatro filhos e todos os seus pertences e afastam-se para morar em meio à floresta cerrada, há quilômetros de qualquer outra pessoa – com uma única exceção, na verdade.

the-witch-image-6Meses depois, quando estão estabelecidos em uma casa simples, coisas estranhas começam a acontecer em torno da família. Suas plantações não vingam, não conseguem achar animais para caçar e a fome começa a ser tornar uma ameaça muito presente. Mas o que é ruim se transforma em desesperardor quando o sétimo membro da família, um bebê recém-nascido, desaparece enquanto estava sob os cuidados da filha mais velha, Thomasin (a excelente e quase novata Anya Taylor-Joy). Se a vida dos puritanos já não era fácil antes, o sumiço do bebê e a dor que étw1 causada por ele é o catalisador de uma série de horrores. Alguns criados pelos próprios sentimentos de desespero, outros por causas sobrenaturais que a cada momento parecem cercar mais e mais a família.

Não há grandes acontecimentos em A Bruxa. O ritmo é lento e não existem grandes sustos e muito menos humor. Nenhuma piada surge de maneira a aliviar o clima angustiante, pesado e sombrio que permeia todo o filme. Há, em seu lugar, o interesse quase incestuoso do filho mais velho, Caleb (Harvey Scrimshaw) por Thomasin; há um bode preto e de aspecto assustador com o qual as crianças mais jovens the-witch-image-3brincam; há o ódio pouco velado da mãe pela filha que culpa pelo desaparecimento pelo bebê; e, mais que tudo, há a suspeita que começa a se imbuir aos poucos, dentro da família, de que a própria Thomasin seria uma bruxa, mesmo se não existem motivos sólidos para essa conclusão.

É uma história contada por personagens, mais que por acontecimentos. O ótimo elenco de atores britânicos é que deixa interessante e real o drama. O aspecto sobrenatural e a presença de algo em torno da casa são quase detalhes – o que faz com que tenham muito mais peso e sejam muitos mais assustadores quando se fazem presentes. O espectador se arrepia com situações e aparições que são, muitas vezes, quase sutis. Tudo isso envolto nas belas imagens criadas pelo diretor, que em alguns momentos parecem que seriam mais apropriadas a um conto de fadas do que a um filme tão tétrico.

A Bruxa é um dos melhores filmes de terror da memória recente, mas também um dos mais sutis e singulares. É, em boa parte, uma história triste sobre a falta de pespectivas e de condições de vida dignas em uma época de obscutantismo. E, mesmo sem elementos sobrenaturais, isso já seria aterrorizante o bastante.

Cotação:5-star-

MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e quadrinhos. Adora filmes e livros de terror. Também tem o hábito de nunca dormir com todas as luzes do quarto apagadas. Sabe como é, né? O seguro morreu de velho…

Clique abaixo e curta O PASTEL NERD no FACEBOOK e no TWITTER
para não perder nossas atualizações:

FacebookTwitter-Logo

12715901_540950546087405_5612413617762600568_o

Leia também:

Crítica: DEADPOOL

Crítica: GOOSEBUMPS: MONSTROS E ARREPIOS

Crítica: A COLINA ESCARLATE

 

Anúncios

2 comentários sobre “Crítica: A BRUXA

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s