ENTRE BALÕES: Um Fantasma na DC Comics

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Uma das melhores fases modernas do clássico herói das selvas foi apresentada pela DC Comics. E marcou época

Por Ben Santana

A Origem do Espírito que Anda

O Fantasma é considerado por muitos o primeiro super-herói mascarado, tendo feito a sua estreia nas tiras de jornal em 17 de fevereiro de 1936. Criado por Lee Falk, que já tinha tido um êxito dois anos antes com Mandrake, o Fantasma originalmente era para ser a identidade secreta do rico playboy Jimmy Wells, que combatia o crime. Mas, durante sua primeira história, “The Singh Brotherhood”, Falk mudou de ideia e transformou o seu herói em uma figura quase mítica com fortes ligações com a selva e a – então – misteriosa Ásia. (Originalmente a terra do Fantasma era em Luntok, uma ilha asiática. Mais tarde, Falk a transformou em Bangalla e a jogou no continente africano.)

02O Fantasma foi um sucesso quase imediato e até hoje tem seus fãs, principalmente na Escandinávia (onde histórias originais são produzidas ) e na Austrália. E é uma das instituições no mundo dos quadrinhos.

Nos Estados Unidos, além de sua tira de jornal, ele ganhou versões em revistas em quadrinhos. A David Mckay Productions, nos anos 1940, e a Harvey nos 1950 republicaram suas tiras. A partir de 1962, a Gold Key lançou um título do Fantasma (que durou 17 números), com histórias originais. A King Features, que havia entrado no ramo das revistas em quadrinhos, começou a publicar o Fantasma em 1966, continuando a numeração da Gold Key.  Em  1967, a Charlton assumiu (e também continuou com a mesma numeração) indo até o número 74 (de 1977). Artistas como Bill Lignante, Don Newton e até mesmo Jim Aparo passaram por esses títulos.

Um Fantasma na DC Comics

O Fantasma não era nenhum novato no formato das revistas em quadrinhos, quando a DC03 começou a publicá-lo  em 1988. A King Features queria manter os seus personagens vivos e o mercado das tiras de jornal (principalmente as de aventura) estavam em declínio. A DC se interessou e licenciou dois dos principais personagens do syndicate, Flash Gordon e o Fantasma. Enquanto Flash Gordon ganhou uma série em nove números escrita e desenhada por Dan Jurgens, um reboot que ganhou (injustamente) muitos narizes torcidos por parte dos fãs, a ideia com o Fantasma era apresentá-lo primeiramente em uma minissérie e depois em uma série contínua e manter sua mitologia.

04O editor Mike Gold, que era relativamente novo na DC (vindo da First Comics) ficou responsável pelo projeto.  O escritor escolhido foi Peter David (em seu primeiro trabalho para a editora) e a arte ficou a cargo do veterano – e lendário – Joe Orlando.  A minissérie traz dois Fantasmas, o 13º (do final do século XVIII) e o 21º (dos tempos atuais) enfrentando a família de piratas Chessmen, em uma aventura que atravessa o tempo. David escolheu colocar o Fantasma moderno em um período anterior ao seu casamento com Diana Palmer e introduzir o herói para uma nova geração.05

A King, extremamente protetora de seus personagens, impôs algumas limitações. Já Falk teve alguns problemas com o uso excessivo, segundo ele, de armas. Afinal, a ideia do autor é que o Fantasma realmente não mata – pelo menos o último, já que o 13º acaba com seus inimigos em explosões, enforcamentos e duelos com espadas.  Mas, de uma forma geral, a minissérie é sólida e extremamente bem conduzida.

Aventuras Regulares

Depois da minissérie, um título regular começou a ser publicado em 1989. Dessa vez, os textos eram de Mark Verheiden, que havia escrito vários quadrinhos com as franquias Aliens e Predador para a Dark Horse. Se as histórias de David eram baseadas na selva e no legado, Verheiden resolveu aplicar um enfoque diferente. Ele quis mostrar histórias 06socialmente relevantes envolvendo o Fantasma. Então, em suas histórias vemos coisas que vão desde lixo tóxico e racismo até o “esporte” de surfar em trens.  A maior preocupação do escritor era não usar o Fantasma como “o grande caçador branco que resolve tudo enquanto os nativos apenas olham com admiração”. Verheiden mostrou os nativos de forma positiva e os homens da lei como profissionais competentes, existindo um respeito mútuo entre eles e o Fantasma.  As suas histórias tinham tanto a mitologia (para agradar aos fãs mais antigos) quanto um toque mais contemporâneo. As histórias eram quase todas fechadas (ou no máximo contadas em dois números) e até hoje tem seus fãs. Verheinden soube atualizar o personagem (na época com 50 anos), colocando-o em situações presentes nas manchetes de jornal.

Joe Orlando, devido a suas funções na DC, não 07conseguiria produzir uma série regular. O título então foi dado a Luke McDowell, que vinha desenhando o Esquadrão Suicida, que ele abandonou para produzir o Fantasma (quando o título foi cancelado, ele voltou para Suicide Squad).

08O título regular do Fantasma na DC durou 13 números. As vendas eram razoáveis, mas nada excepcionais. Quando a King Features, para renovar a licença, pediu o dobro do que outras franquias (como Star Trek) pediam na época, a DC optou pelo cancelamento. Mas a versão do Fantasma pela editora foi uma das melhores adaptações do personagem no formato comic book.

É claro, adaptar um personagem tão querido e longevo nunca é fácil. Mas a editora conseguiu. E muito bem.  Mesmo que muitos puristas tenham reclamado na época (como sempre acontece), a versão da DC é extremamente digna e merece fazer parte da riquíssima história do Espírito que Anda.

Serviço:

Tanto a minissérie quanto a série regular foram publicadas no Brasil pela Editora Globo em 1989. A primeira em formatinho, em quatro números, e a segunda no formato americano.

BenBen Santana nasceu no final da Era de Prata, mas cresceu na Era de Bronze. Professor, tradutor e desocupado (quando sobra tempo), vem lendo e pesquisando quadrinhos desde sempre. Para outros textos sobre quadrinhos, visite seu blog: http://prataebronzecomics.blogspot.com.br

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2 comentários sobre “ENTRE BALÕES: Um Fantasma na DC Comics

  1. Foram esses gibis da DC que me mostraram o potencial de um personagem que parecia antiquado e ultrapassado, e que volta e meia é plagiado pelo Batman, com essa questão de legado e linha sucessória. Mas o original foi o Fantasma. Pena que até hoje não percebem o potencial do personagem e não conseguem atualizá-lo direito.

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