Crítica: RUA CLOVERFIELD, 10

Rua-Cloverfield-10-pôster-nacional

Assustador e inteligente, a continuação que não é continuação é um filme muito melhor que seu antecessor

por Maurício Muniz

Antes de mais nada, vamos deixar uma coisa clara e muito importante sobre Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane, 2016). Lá vai:

PARE DE VER OS TRAILERS DO FILME!

É sério! Por quê? Porque os primeiros trailers americanos apenas mostravam flashes da história, mas os trailers internacionais mais recentes – para tentar atrair mais público – estão revelando muito mais do que deveriam. E, acredite, para você aproveitar devidamente o filme, surpresas são essenciais.

10-cloverfield-lane-second-trailer-0Você provavelmente se lembra de Cloverfield: Monstro, lançado em 2008, sobre uma criatura gigantesca que ataca Nova York e fica a todo tempo esbarrando em um grupo de amigos que tentam fugir da cidade. Não sei a sua opinião, mas acho esse filme ruim. O recurso da câmera em primeira pessoa cansa logo, os personagens são tão chatos que logo você se pega torcendo pra que todos morram e há incríveis falhas de lógica – uma garota é trespassada por um barra de ferro e parece à beira da morte, mal se sustentando em pé, apenas para depois ser vista em seguida aos pulos, correndo em direção a um helicóptero. Pra quem tiver paciência de conhecer a opinião que foi dada em áudio à época, está AQUI. 

Por sorte, o novo filme se redime de todos os defeitos do anterior e, o melhor, não tem nada a ver com ele. Na verdade, o roteiro original não tinha ligação nenhuma com Cloverfield e foi transformado em um filme da franquia durante a pré-produção. Apenas o título liga as duas produções, como se fosse uma antologia de contos estranhos. Ideia ótima que pode nos dar mais filmes bacanas no futuro.cloverfield5-xlarge

A estreia de Dan Trachtenberg na direção de um longa-metragem tem como personagem principal Michelle (Mary Elizabeth Winstead, de Duro de Matar 4.0 e Scott Pilgrim), que sofre um acidente de automóvel enquanto muda de cidade, após deixar o namorado Ben (voz de Bradley Cooper). Quando acorda após o acidente, ela se descobre ferida e presa no porão da fazenda do estranho Howard (o sempre ótimo John Goodman, de Argo), uma ex-fuzileiro naval com jeito de durão. Michelle acredita que foi sequestrada, mas a explicação que logo recebe de Howard é outra: na verdade, houve um ataque de armas químicas ou nucleares lá fora que matou todos da região (e talvez dos Estados Unidos) e  Howard, que presenciou o acidente, apenas teria salvo Michelle, levando-a para o bunker que ele construiu exatamente com medo de uma situação do tipo.

10_cloverfield_lane_paramount.0Michelle, obviamente, não acredita nessa explicação a princípio, mas ela é corroborada pelo boa praça Emmett (John Gallagher Jr., de Tudo Pode dar Certo), um sujeito que morava nas redondezas e que também conseguiu entrar a tempo no bunker de Howard.

De maneira sempre tensa e interessante, o filme segue esses três personagens e seu relacionamento forçado, enquanto Michelle tenta descobrir se Howard é um maluco (algumas ele diz que o ataque pode ter sido obra de russos ou até de extraterrestres) ou um verdadeiro bom samaritano. As duas possibilidades parecem reais: há indícios de que realmente pode ter acontecido uma catástrofe lá fora, mas também é possível notar que Howard pode ser um tanto violento e que é capaz de mentir sobre questões sérias. E são algumas atitudes sutis dos personagens (de todos eles) que vão dando pistas sobre suas reais naturezas.

Ao final, claro, a verdade será revelada. E é exatamente aí, ao ser confrontado com as 10_cloverfield_lane_paramount_winstead.0.0respostas dados pelo roteiro, que o público pode se dividir. Alguns vão adorar (meu caso) e outros podem se frustrar. Mas, o mais importante, é aproveitar a viagem até lá e todo o clima de suspense e tensão que o filme proporciona, além das ótimas interpretações. Rua Cloverfield 10 é um filme simples, mas muito inteligente, que prova que é preciso apenas uma boa história para envolver o público. Efeitos especiais e cenas de ação são bem-vindas, mas apenas quando servem para melhorar uma trama.

E, novamente: a suspresa é essencial para o aproveitamento deste que já se mostra um dos filmes mais originais e interessantes dos últimos tempos. Vamos torcer, aliás, pra que nenhum dos críticos babões que têm por ai aos montes acabe contando mais do que deve.

Vá, divirta-se, assuste-se e depois comente abaixo o que achou.

Cotação:

4-stars

MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e quadrinhos. Adora filmes e livros de terror. Também tem o hábito de nunca dormir com todas as luzes do quarto apagadas. Sabe como é, né? O seguro morreu de velho…

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5 comentários sobre “Crítica: RUA CLOVERFIELD, 10

  1. Esse filme deixa muitas coisas a serem realmente questionadas…
    [SPOILER ALERT]:
    -Pq ele diz que a menina lá da foto era filha dele (Margaret, acho que é isso) sendo que o Emmet disse que não era, e sim uma outra pessoa
    -Pedido de ajuda(HELP) na janela na área do filtro de ar com sangue até…
    -O fato da mulher infectada aparecer na porta nao foi suficiente p/ ela pensar que era realmente verdade?

    Curtir

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