Crítica: X-MEN: APOCALIPSE

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Com um supervilão chato e repetições de sequências que deram certo nos filmes anteriores, o novo filme dos mutantes nunca chega a entusiasmar

Por Carlos Alberto Bárbaro

No início de X-Men: Apocalipse (X-Men: Apocalypse, 2016), o terceiro filme da nova trilogia dos mutantes da Marvel, dirigido mais uma vez por Bryan Singer, já somos apresentados de cara ao possível primeiro mutante a surgir no mundo, En Sabah Nur, o Apocalipse (Oscar Isaac), e testemunhamos a primeira derrota de seus planos de dominação global por soldados egípcios que conseguem soterrá-lo em sua pirâmide.

Em seguida, de volta ao presente (no caso, os anos 1980, dez anos depois dos eventos jennifer-lawrence-image-x-men-apocalypsemostrados em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido), vemos que a Escola para Jovens Superdotados do professor Xavier é uma instituição de sucesso: há um movimento tímido de aceitação dos mutantes, embora o temor a eles, em geral, ainda permaneça entre os humanos sem poderes. Mas também há mutantes sendo explorados em shows de aberrações e novos jovens, confrontados com o desabrochar de seus poderes, enfrentam as mesmas inseguranças e dúvidas que os fundadores da escola enfrentaram em X-Men: Primeira Classe.

Mas, como este não é um filme reflexivo, logo a imprudência de Moira McTaggert (Rose Byrne),  uma velha conhecida nossa, traz de volta à vida o supervilão Apocalipse para novamente atormentar o mundo e arrumar problemas para o Professor Xavier (James McAvoy), Magneto (Michael Fassbender), Mística (Jennifer Lawrence) e companhia.

dJKSgW0Se os filmes anteriores foram bem-sucedidos justamente por se concentrarem na exploração dos temas caros à mitologia dos mutantes da Marvel, estabelecendo os paralelos clássicos entre a condição dos mutantes e as lutas por direitos civis ou o temor da ameaça de uma guerra nuclear nos anos da Guerra Fria, X-Men: Apocalipse falha miseravelmente por abandonar essa abordagem política do advento dos mutantes no seio de um mundo em evolução, trocando-a pelo velho recurso do Deus Ex-Machina, a ameaça de um supervilão megapoderoso que, apesar de sua inteligência e poderes privilegiados, quer porque quer apenas destruir todos os seres humanos que não sejam mutantes.

x-men-apocalypse-psylocke-olivia-munn-imageE que vilão patético é esse Apocalipse (Oscar Isaac). O primeiro mutante passa quase todo o tempo de projeção como uma fusão de recrutador de talentos e personal trainer do mal, ensinando jovens mutantes inseguros a ampliar e controlar seus poderes para ajudá-lo em sua empreitada maléfica.

Mas como jovens inseguros não são suficientes para promover a destruição necessária, o roteiro, convenientemente, providencia um novo trauma para que um personagem poderosíssimo (que já se havia integrado em paz à sociedade) volte a ser uma ameaça mortal a esse mundo que insiste em tratá-lo com preconceito.

Não há sequer uma ideia nova, um avanço relevante na construção de uma mitologia nessa ciclopeterceira década em que mutantes e humanos aparentemente estariam começando a conviver de fato. Há apenas a repetição de velhas cenas, de velhos temores e de velhos diálogos. E uma total ausência de ousadia. A sequência de Mercúrio (Evan Peters) em Dias de um Futuro Esquecido foi uma das melhores daquele filme? Oras! Por que não repeti-la aqui de forma mais grandiosa? Magneto levitou um estádio inteiro no filme anterior? Oras! Que demonstração mais amadora dos seus poderes! Que tal tirar a Terra do próprio eixo? E assim segue o filme, de reciclagem em reciclagem do que deu certo no passado.

X-Men: Apocalipse é aquele antiquado filme de super-heróis em que o que importa é mais deter um vilão superpoderoso desprovido de personalidade do que contar uma boa história. Um imenso fan-service, da primeira à ultima imagem. Pode agradar os mais jovens, mas, em tempos em que os filmes de super-heróis são cada vez mais ousados, é um imenso retrocesso.

Cotação:

2-5-stars

BraboCarlos Alberto Bárbaro, o Chique Norris, é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Seu poder mutante é irritar amigos, inimigos e até desconhecidos – não particularmente nessa ordem

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3 comentários sobre “Crítica: X-MEN: APOCALIPSE

  1. Vou assistir, embora esteja bem pouco empolgado. Pelos trailers, dá pra ver que tem aquilo que mais me enche o saco em filme de herói em doses cavalares: destruição, destruição e mais destruição.

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