Enquanto isso… Jim Shooter, o editor que recriou a Marvel

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De personalidade difícil e grande talento, Jim Shooter foi responsável pela melhor fase da Marvel, criou a editora Valiant e depois caiu no esquecimento

Por Fábio Ochôa

Jim Shooter se ajeita na cadeira. Em uma posição ao mesmo tempo confortável e rígida, é um homem direto e incisivo. Seu rosto marcado é granítico, sua simpatia parece forçada. É um homem feito apenas de vigor e resolução, um homem que passa a impressão de ser capaz de fazer o que quer que se propõe a fazer, seja levantar uma igreja, seja redigir uma história, seja construir um império.

E você vai segui-lo. E você vai se entusiasmar. E ao longo do processo vocês irão discordar.1983-jim-shooter-entry-in-the-marvel-handbook E você vai odiá-lo. Mas no fim do processo, a igreja estará feita. A história estará redigida. O império estará erguido.

Enquanto você o ouve falar, na sua voz grave e pausada, cada sílaba bem pronunciada, é difícil discordar.

Foi com Jim Shooter, com seu rosto de pedra, sua voz professoral, sua determinação férrea e seu nome direto como o de um personagem pulp dos anos 30, que a Marvel Comics deixou de ser uma editora desgovernada que caminhava lentamente para a extinção e se tornou uma empresa que abocanhou dois terços do mercado, durante sua gestão.

Durante seus anos à frente da editora, ele tinha o “Guia Shooter”, uma espécie de manual para roteiristas (ou aspirantes a) ao qual ele creditava boa parte do seu sucesso. Trabalhar com ele significava seguir o guia. Por bem ou por mal.

Ele se debruça na cadeira e com a voz sem hesitações, começa a numerar os tópicos do guia.

“Primeiro, os personagens devem ser apresentados. A qualquer leitor, seja novo ou velho.”

Shooter003Como muitas crianças dos anos 1960, Shooter foi um leitor de quadrinhos na infância, hábito que ele abandonou à medida que outros interesses surgiam em sua vida. Planejava cursar física ou algo tão respeitável quanto mas, aos 12 anos, teve que ser hospitalizado para passar por uma pequena cirurgia. Durante a recuperação, começou a ler quadrinhos para passar o tempo, coisas da DC e da recém-surgida Marvel.

O que chamou sua atenção de imediato foi que as histórias DC eram ainda muito semelhantes às que ele lia na infância, enquanto a Marvel parecia ser o que havia de mais moderno e ousado no mercado. Shooter achava que podia escrever à maneira Marvel, mas que a DC, em suas palavras, “precisava de uma ajuda”. A família não se encontrava em boa situação financeira e alguém precisava gerar recursos para casa. E o menino viu aí uma oportunidade.

adventure-comics-346-coverApós passar quase um ano estudando o estilo das duas editoras, mandou (com algo que só 98_4_0353pode ser definido como petulância ou muita cara-de-pau) uma carta para o editor Mort Weisinger, listando os “erros” que a editora estava cometendo e o que deveriam fazer para resolvê-los.

Weisinger respondeu. E se seguiu uma troca de correspondências entre o menino e o editor, até que em 1963 veio a mensagem definitiva “venha para Nova Iorque, queremos trabalhar com você”.

Shooter assim o fez. E foi nesse momento que o staff da DC descobriu que a pessoa com quem eles estavam trocando correspondência era apenas um menino de 13 anos. Weisinger, momentaneamente surpreso, não teve dúvidas. Contratou o garoto. Aos 14 anos de idade ele se mudou com a mãe para Nova Iorque e estreou como roteirista das histórias da Legião dos Super-Heróis (a qual ele insistiu em assumir porque considerava “o pior título da DC” e, portanto, “aquele no qual ele era mais necessário”. Em pouco tempo, ele revolucionou o grupo e suas histórias modernas, emocionantes e divertidas conquistaram legiões de fãs. A revista Adventure Comics, que trazia as aventuras da Legião se tornou um sucesso que é reverenciado pelos fãs até os dias de hoje.

“Segundo, a situação deve ser estabelecida.

Shooter assumiu o cargo de editor na Marvel nos anos 1970, a convite de Roy Thomas. queJimShooter queria abandonar o cargo e voltar a escrever. Se tornou editor-chefe em 1978, o mais jovem editor-chefe da história da empresa.

Não era um período bom, a editora andava a pleno desgoverno, com diversos feudos internos e roteiristas que faziam o que bem entendiam, conforme descreve Sean Howe em seu livro, Marvel: A História Secreta. Shooter assumiu um estilo centralizador que entrou em conflito direto com os artistas da editora. A partir daquele momento tudo deveria passar por ele, assim como por dois editores auxiliares. E cada título teria também alguns editores que eram argumentistas.

daredevil__1964_____182Mas tudo deveria antes passar pelos olhos do editor-chefe, ao contrário do sistema antigo no qual o roteirista mandava o texto direto para o desenhista e frequentemente o editor via o que aconteceu somente quando as revistas já estavam indo para a gráfica. Evidentemente, a mudança trazida por Shooter não foi visto com bons olhos pela maioria dos autores. Foi aí que ele implantou também o famoso e não-oficial Guia Shooter, o que na prática, soou como uma provocação, quase que o equivalente a chamar de incompetentes os argumentistas da casa.

Não dá para dizer que foi um começo lá muito político, mas issoFF232 era puro Shooter. A medida era antipática, mas não podemos dizer que não foi eficiente. Embora suas intenções fossem boas (e sua ambição frequentemente desmedida), os fatos não mentiam: Shooter era filho do modo de gerenciar nada polido e brutal de Mort Weisinger.

Não é exagero dizer que os melhores trabalhos da casa saíram durante a sua gestão ou, ao menos, as fases mais definitivas de cada personagem como resultado deste conflito constante entre editor e artistas. Durante esse período, foi publicado o já clássico Demolidor de um jovem Frank Miller; o Homem de Ferro de David Michelinie; Homem-Aranha de Roger Stern; Thor de Walt Simonson; a fase de Chris Claremont e John Byrne em X-Men. Byrne, o desafeto mais feroz de Shooter, lançou também a fase mais consagrada do Quarteto Fantástico e sua Tropa Alfa.

iron-man-128-demon-in-a-bottleA mão de Shooter podia ser onipresente, e pesada, mas frequentemente acertava. A sofrida luta de Tony Stark contra o alcoolismo em O Demônio da Garrafa teve diversas sugestões suas, como a de não darem um final tão rápido e “limpo” para a história mas, sim, acentuar a dor de se livrar gradualmente do vício. Foi decisão sua também a morte de Jean Grey, em vez de ela apenas perder a memória e esquecer os crimes que cometeu, como havia planejado Claremont originalmente.

Suas regras eram simples: uma vez que um personagem estava morto, ele devia permanecer morto. E caracterização era tudo, o momento que a personalidade de um personagem se consagrava, suas ações deveriam sempre ser uma consequência lógica daquele caminho escolhido.

Com a qualidade crescente, a Marvel abocanhou uma boa parte do mercado, chegando a stern_4conquistar dois terços das vendas totais de quadrinhos em seu auge. Um sucesso tão grande e incontestável que a própria DC chegou a especular a possibilidade de licenciar seus personagens para a Marvel, para pegar carona nessas vendagens. Shooter no auge da sua gestão, foi eleito um dos seis nova-iorquinos do ano de 1981.

Nesta mesma época, elaborou um acordo único com a indústria de brinquedos, que deu origem à minissérie Secret Wars, para divulgar a linha de brinquedos da Marvel com o mesmo nome. A despeito da parca qualidade da série como um todo, para o bem ou para o mal ela foi a matriz de todas as megassagas e megacrossovers que vieram depois. E as vendas foram altíssimas, o que fez a DC correr atrás com sua Crise nas Infinitas Terras.

thor-353Shooter estabeleceu também o selo Epic, visando – mas sem nunca conseguir atingir plenamente – um público mais maduro e instituiu a política dos royalties, onde artistas tinham participação direta no lucro da venda dos títulos, além de benefícios variados, como seguro de vida para freelancers, coisas que eram raridade na indústria da época.

Na prática, ele foi um dos principais apoiadores do marcado direto, onde as revistas em vez de serem devolvidas, eram compradas pelos lojistas em troca de exclusividade no ponto de venda, o que se tornou uma prática comum de mercado nos anos que se seguiram.

Em 1987, o grupo New Line comprou a Marvel, fez pressão para enxugar custos e decidiu abolir retroativamente a política dos royalties aos artistas. Shooter se opôs, mas a New Line manteve a decisão. Shooter pediu demissão. A empresa voltou atrás.

“Terceiro, o conflito deve então ser introduzido.”

Embora seus resultados fossem evidentes, o clima criado por Shooter era quase infernal. Oil_570xN.790144361_k2ts editor teve uma autêntica coleção de desafetos dentro na empresa, sendo apontado como um dos principais motivos para que John Byrne, então o grande astro da casa, abandonasse a Marvel para cuidar da reformulação de Superman na DC.

Shooter cometeu alguns erros estratégicos básicos também, como não aproveitar a invasão inglesa que ocorria na editora rival, que revelou nomes como Alan Moore, Grant Morrison e Neil Gaiman. O sucesso constante o deixava confortável e ele constantemente subestimava a DC. Afinal, segundo a visão de Shooter, “eles é que tinham que correr atrás” para se igualar à Marvel. Para Shooter, não havia a necessidade de consertar o que não estava quebrado.

Ele também se manteve firme e forte nas regras da Comics Code Authority, o que fez com que perdesse terreno gradualmente para editoras menores como a First e para determinados títulos da DC.

Mesmo quando a indústria sofreu abalos sísmicos com os lançamentos de Watchmen e Cavaleiro das Trevas, na DC, Shooter se manteve fiel ao estilo da Marvel. E sua editora, que havia liderado as inovações no mercado ao longo de quase 20 anos, começava a ser vista gradualmente como uma força estagnada.

“Quarto, o suspense deve ser construído.”

Em 1986, com a carga de realismo de Watchmen e Cavaleiro das Trevas, a ascensão dos títulos da First e todo o mercado se voltando para outra direção, Shooter foi obrigado a uma reação, ainda que equivocada.

Earth-148611No mesmo ano, o universo Marvel completaria 25 anos e Shooter tinha a sua grande cartada para recuperar o terreno gradualmente perdido: um novo universo Marvel, mais realista e pé no chão, onde os poderes seriam menores, as histórias teriam um tom mais cotidiano, mais fácil de identificar com o mundo real.

Na verdade a proposta inicial era bastante semelhante ao que seria a linha Ultimate: resetar a Marvel original e começar tudo do zero. Contudo, a DC saiu na frente e logo a ideia caiu por terra. Assim, a Marvel optou por focar em um universo novo. Shooter estabeleceu oito títulos, mapeou o novo universo (que era chamado internamente de “Shooterverso”), mas, em algum ponto no meio do caminho, o orçamento que ele tinha para o projeto, destinado a contratar os grandes artistas da casa, simplesmente foi reduzido a um valor quase inviável para um projeto de tal porte. Shooter, como era próprio da sua natureza, seguiu adiante assim mesmo.

Com um orçamento menor, ele teve que se virar com o que tinha à mão ou seja, usar 2998965-tnroteiristas e artistas de pouco destaque ou iniciantes, como um jovem Peter David. John Romita Jr., o único astro que ficou a bordo para desenhar o título Estigma, também escrito por Shooter, permaneceu apenas por solidariedade ao ver a situação que o editor estava enfrentando. Assim nasceu o Novo Universo Marvel, já fadado para o fracasso.

O sinal era bem claro: Shooter havia feito inimigos demais, tanto no lado criativo, quanto no lado financeiro da empresa. O que não deixa de ser curioso. Apesar de sua personalidade, em seu coração ele sempre esteve do lado de ambos, batalhou duro pela política de devolução de originais e pelo recebimento de royalties, simpatizava com a causa de Jack Kirby, que queria seus originais de volta – e a defendia internamente, mesmo se externamente validasse a empresa em sua decisão em não devolvê-las. Foi também um fiel defensor da qualidade acima de tudo e um visionário em muitos aspectos, em termos de mercado.

nightmask4_02Mas também era uma pessoa difícil, que minou seu poder pouco a pouco, ao perder aliados sucessivamente, em ambos os lados da trincheira, mesmo que sempre buscando o melhor para as duas facções. Seu tempo estava passando e, quando Shooter tentou se modernizar, fez da maneira errada. O grande atrativo dos quadrinhos modernos estava em sua construção psicológica instigante e ousada, em seu subtexto político envolvente que espelhava o mundo à sua volta, não na ausência de efeitos e poderes. Como descreveram seus desafetos anos depois, “o problema do Novo Universo é que ele parecia a versão TV da Marvel tradicional, e quem quer ver TV quando pode ir ao cinema?”

Com a intenção de ser a cartada definitiva contra uma DC que gradualmente recuperava o mercado (em 1982 a Marvel detinha 69% do mercado, contra 18% da DC), o Novo Universo Marvel estreou com toda pompa em 1986. Foi um fracasso retumbante de vendas, em todos os sentidos, sendo um dos maiores fiascos já protagonizados pela editora. Nenhum dos oito títulos sobreviveu mais que três anos, sendo que quatro foram cancelados logo no primeiro ano. A reputação de Shooter foi gravemente arranhada. E todos os lobos, tanto na parte criativa como na executiva, sentiram o cheiro de sangue.

Enquanto isso, em um jantar na casa de John Byrne, membros do staff da Marvel queimavam um boneco vestindo terno e gravata, recheado de encalhes das revistas do Novo Universo.

Esse era o clima na empresa. O fim, evidentemente, estava perto.

 “Quinto, deve se estabelecer um clímax”.

A demissão não tardou a seguir.

“Sexto”- diz ele pausadamente – “deve-se atingir alguma resolução”.

Sem muito tempo para lamentar – e provavelmente querendo provar algo para o mercado e Solar-Man-of-the-Atom-1-Sept-1991para si mesmo, Shooter fundou a editora Valiant, em meados dos anos 90, após uma tentativa frustrada de comprar a Marvel junto com alguns investidores.

A editora se mostrou uma força de mercado ao resgatar do limbo antigas marcas dos anos 1960 como Solar: o Homem-Átomo, Turok: o Caçador de Dinossauros; Magnus, Destruidor de Robôs e criar novas, como X-O Manowar. Em 5 anos, a editora vendeu mais de 80 milhões de exemplares, chegando a atingir um relativo sucesso em outras mídias, como os videogames. Com o bom desempenho, houve muita pressão dos outros sócios para aumentar o leque de títulos. Shooter resistiu: ele afirmava que não era possível manter a qualidade com mais de 10 títulos e fazia questão de editorar um por um.

863659O grupo empresarial Acclaim se interessou pelas altas vendagens atingidas por aquela pequena editora e viu ali um bom leque de personagens para utilizar em sua linha de jogos (e talvez até uma potencial nova Marvel ou DC) e se propôs a comprá-la. Shooter  também resistiu a isso e se manteve irredutível. No fim das contas, a Valiant não suportou todas as pressões internas. Shooter perdeu novamente a queda de braço e foi afastado. Ou pediu demissão. As versões são contraditórias. De qualquer maneria, a Valliant foi vendida para a Acclaim. E, um pouco depois, a empresa simplesmente se desfez.

Ele para. Pensa, antes de continuar.

“É claro que isso é apenas a estrutura.”

“Em segundo lugar, eu olho para o quão bem-contada é a história. O conflito vale a pena? O clímax é excitante? A trama é boa? Há reviravoltas interessantes? O personagem evolui? Isso é dramático? Isso entretém? Isso é o que realmente importa. Isso é o que deve acontecer, esses são os requerimentos básicos para contar uma história. Esse é o poder, a paixão, o drama e as caracterizações que eu realmente procurei”.

“Esse foi o meu trabalho”.

Ele fica em silêncio novamente, com seu rosto de pedra.

Olha para o telefone.

“Faz tempo que ele não toca, sabe?”

“Às vezes eu me pergunto se fui uma pessoa tão ruim assim. O que que eu fiz de tão errado afinal?”

“Foi apenas o meu trabalho.”

Ele não diz mais nada. Fica silencioso como o telefone. Um homem que levantou um maxresdefaultimpério. Dois. Um deles, uma das maiores marcas do mundo do entretenimento. O outro, efêmero, mas que prontamente ruiu longe de suas mãos. E as questões morrem no ar.

 O conflito valeu a pena? O personagem evoluiu?

Não temos como saber. Para esse tipo de pergunta, a resposta é guardada apenas dentro de cada um. Ele era alguém que tinha uma missão. Conseguiu cumpri-la na maior parte do tempo e, certo ou errado, uma coisa era inequívoca: ele acreditava no que estava fazendo. Era um homem que tentou atender a duas demandas bem diferentes, a pressão dos detentores do dinheiro e as reivindicações dos que criavam. Acabando, no fim, por dinamitar os laços que tinha com ambos.

Certo ou errado, eu não sei quem ele foi. O que sei é que ele era um homem que nunca duvidou de si mesmo e nunca pediu desculpas para ninguém.

OchôaFábio Ochôa trabalha como redator publicitário. Conquistou prêmios, foi citado na TV, foi diretor de criação, já saiu na Zupi, fez campanhas políticas e, mesmo assim, ainda consegue gostar das pessoas e achar este mundo um lugar legal. É um exemplo, esse rapaz. Trabalha também como ilustrador freelance e roteirista eventual. Para saber mais acesse:  www.behance.net/fabioochoa

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3 comentários sobre “Enquanto isso… Jim Shooter, o editor que recriou a Marvel

  1. Muito boa a matéria. Admiro muito a fase do Jim Shooter na Marvel, mas realmente me entristece ver profissionais intransigentes afundar na egolatria. De editores a desenhistas, de roteiristas a músicos, todo mundo que vive cheio de razão se ferra em algum momento da vida, e as amizades desfeitas não vão oferecer uma mão amiga. “Ah, mas ele tem uma personalidade forte” não é desculpa pra grosseria, tanto que Stan Lee, Neil Gaiman, Walt Simonson e os músicos do Rush estão aí para provar que é possível produzir com qualidade e ceder às pressões externas em função de um bem maior sem precisar ofender, falar grosso e desfazer amizades.

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