Crítica: WARCRAFT, o Primeiro Encontro de Dois Mundos

Warcraft_Teaser_Poster

O primeiro blockbuster dirigido por Duncan Jones parece mais um jogo que um filme, com a desvantagem de que não estamos no controle

Por Carlos Alberto Bárbaro

Warcraft, o Primeiro Encontro de Dois Mundos (Warcraft, 2016) tinha tudo para ser um grande filme. Um excelente diretor, Duncan Jones, especializado na caracterização de personagens, que além de ter comandado dois dos filmes mais instigantes dos últimos anos (Lunar [2009] e Contra o tempo [2011]) é declaradamente um fã do jogo; um elenco jovem – embora não necessariamente talentoso –; e uma trama simples, sem muitos dos hermetismos comuns nas obras do gênero de fantasia.

maxresdefaultNa história, o mundo dos Orcs está morrendo. Para salvar sua civilização, Gul’dan (Daniel Wu) abre um portal provisório entre seu mundo e o dos humanos, mandando para lá uma primeira leva de Orcs que serão responsáveis pela conquista e escravização dos humanos, necessários como energia para abrir o portal definitivo que permitirá a entrada de todos os orcs nesse até então pacífico mundo da Aliança.

Combates se seguirão, sacrifícios ocorrerão, traições terão seu lugar.warcraft-movie-dwarf

O problema é que esses combates, sacrifícios e traições parecem acontecer como uma simples mudança de fase em um jogo de verdade, em que o jogador passa para um nível superior ou conquista prendas específicas, sem que para isso tenha sido necessário conhecer a fundo o personagem do qual é avatar, bastando apenas conhecer seus poderes.

Nada no filme ocorre organicamente, em decorrência da trama.

As três “traições” que acontecem no filme – uma delas, a de um humano,  pivotal para a trama –, se dão sem que nada as explique, senão o vago discurso de um desses traidores sobre o incômodo que sente por seu líder fazer uso da “vileza” para conquistar seus objetivos.

385942Um desses traidores chega inclusive a ascender na hierarquia dos oponentes, sendo aceito no círculo interno dos generais dessa guerra sem que tenha apresentado credenciais mínimas para tal.

Há alguns problemas de edição simplórios. Em um deles, dois personagens passam a discutir uma batalha importantíssima sem que essa batalha tenha sido mostrada (e, vejam bem, ela deveria ter sido mostrada). Problemas de orçamento, talvez?garona-PP-header-3

Mas o que talvez mais incomode seja a caracterização física de Garona (Paula Patton), uma orc que, por necessidade do roteiro, irá se apaixonar por Anduin Lothar (Travis Fimmel), um dos humanos. Todos os orcs e orquisas, são enormes, com traços rudes, robustos. Garona, não. A única característica física similar à dos orcs que ela apresenta são dois dentes salientes que parecem essas dentaduras de vampiro distribuídas em festas infantis, num trabalho lamentável de maquiagem para um filme com orçamento milionário. Presas à parte, ela tem a altura e as formas de uma humana qualquer. Uma decisão pudica dos produtores, que parecem acreditar que a mera insinuação de sexo entre raças tão distintas fosse talvez chocar os espectadores.

warcraft-movie-teaser-aerial-combat-headerMas é no que deveria encantar que o filme fracassa absurdamente. As sequências de combate entre os exércitos são quase todas, sem exceção, interrompidas e resolvidas por força da magia, tanto de parte dos orcs como dos humanos, o que faz pensar: se os magos das duas partes em conflito são assim tão poderosos, porque guerrear pelos meios comuns? Em outra sequência, o confronto entre o melhor guerreiro dos humanos e o melhor guerreiro dos orcs acaba em cinco segundos (o que poderia até ser interessante se feito com inteligência).

Warcraft termina por ser um filme sem personalidade, carente de personagens por quem possamos nos interessar minimamente, oscilando o tempo todo entre ser um pastiche de O Senhor dos Anéis ou de Avatar, mas sem conseguir aquela faísca de originalidade que seria necessária para distingui-lo dos demais filmes do gênero.

Cotação:

2-stars (1)

BraboCarlos Alberto Bárbaro, o Chique Norris, é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Seu poder mutante é irritar amigos, inimigos e até desconhecidos – não particularmente nessa ordem

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7 comentários sobre “Crítica: WARCRAFT, o Primeiro Encontro de Dois Mundos

  1. Não assisti ao filme ainda, parece divertido.
    Não vou sair defendendo algo que não vi mas é meio incomodo ler criticas onde tudo que num filme parece ser exagerado ser comparado com video-game. Pode ser o caso de Warcraft, mas não é de hoje que leio ” Parece luta de video-Game” como isso fosse alguma forma de crítica. Isso ignora toda a gama de jogos interessantes e com histórias cativantes. É claro que há os jogos absurdos mas isso seria o mesmo que ver um filme do Michael Bay e dizer que “Está tudo muito Quadrinho” só porque tem monstros coloridos e uma trama simples. Talvez poderia ser um gibi da Image, mas não se pode colocar no mesmo balaio de Will Einer, Art Spiegelman e Crumb onde nenhum dos elementos citados são importantes.
    Então seria adequado dizer “Isso parece um jogo RUIM” o que faz mais sentido levando em conta que há jogos como “Braid”, “Portal” e “The Walking Dead” para citar alguns onde, além de serem aclamados pela critica, o relacionamento humano e narrativa são mais relevantes que o combate.

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    • Murdock, quando eu mencionei que o problema do filme está em que ele parece um jogo, não foi no sentido de atribuir os “exageros” da narrativa à sua origem “videogamística”, mas sim no sentido de enfatizar que a edição do filme é truncada e que as passagens de uma sequência a outra não são fluidas, dando a impressão que a escolha do diretor e do editor foi unir um punhado de cenas da trama, mas esquecendo de estabelecer uma ligação mais suave entre elas.
      O filme não é ruim porque a história que conta seja ruim ou porque tenha exageros (não conseguiria definir o que seria um exagero em um filme que tem orcs e portais entre mundos, afinal, se comprei essas ideias, tudo o mais é válido), mas pela forma como a organizou.

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  2. De todas as críticas que li essa foi a pior da piores pioradas! Além de vários erros sobre o que é o filme durante a crítica vem dizer que a Garona é uma orquisa! Santo deus! Por favor, aprenda sobre o filme antes de falar dele!

    “…por necessidade do roteiro, irá se apaixonar por Anduin Lothar…” !!!!

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    • João Victor, eu realmente não conhecia o jogo antes de ir assistir o filme, então agradeço os esclarecimentos.
      Dito isto, três pontos:
      1) A Garona é referida como orquisa no filme no mínimo duas vezes. Esta foi uma informação que recebi lá, na sala de projeção.
      2) Antes de redigir a crítica fui pesquisar mais sobre a personagem, justamente para tentar não cometer nenhum absurdo, e descobri que ela é uma fusão de ORC e uma outra raça de nome DRAENEI. Do meu ponto de vista, e baseado nas imagens que vi dela no jogo, continuo achando que uma meia orc continua sendo uma orc.
      3) No filme, a relação entre ela e o Anduin Lothar é estabelecida apenas por necessidade do roteiro criar um conflito. Eles não partilham sequências ou cenas em números suficientes para que a relação entre eles seja convincente.

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      • Só que no caso do filme modificaram a origem da Garona, para um hibridismo entre humana e orc. Algo realmente inexplicavel pro roteiro, o que corrobora sua visão de que foi para apaziguar a imagética do romance, que só seria verossímil (para os leigos) se ela fosse mais humana que orc.

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