Crítica: INVOCAÇÃO DO MAL 2

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A continuação do sucesso de 2013 se mostra um terror bastante eficiente e com heróis pelos quais vale a pena torcer

Por Maurício Muniz

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Em 2013, o filme Invocação do Mal surgiu com a proposta de retratar um caso investigado pelo casal Ed e Lorraine Warren, especialistas em ocultismo que existiram de verdade e foram bastante ativos na década de 1970 e 1980. Na trama, uma família era atormentada de maneira assustadora pelo espírito de uma bruxa morta há muito tempo e só consegue se livrar do problema com a ajuda dos Warrens. Ao custo de US$ 20 milhões, o filme se mostrou um sucesso surpreendente para a New Line. Animado, o estúdio colocou logo em produção Annabelle, um derivado sobre uma boneca possuída que aparecia no filme, que estreou em 2014 e, apesar das críticas ruins, também rendeu muito. Frente a tanto retorno financeiro, uma continuação de Invocação parecia inevitável. A preocupação, porém, era que uma nova aventura dos Warrens se mostrasse um produto muito inferior.

Para nossa sorte, não é.

the-conjuring-trailer-000Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2, 2016) reune os principais nomes do primeiro filme: os competentes Patrick Wilson e Vera Farmiga – como o casal que enfrenta fantasmas e demônios – e o diretor James Wan, que tem se mostrado um dos mais competentes diretores da nova leva hollywoodiana, principalmente nos gêneros do suspense e do terror. Desta vez, a trama relata um caso investigado pelos Warren em Londres, em 1977, no qual uma residência simples, da classe trabalhadora, é assombrada pelo espírito de um ex-morador. O fantasma aterroriza a mãe e seus quatro filhos que moram lá, com especial atenção à pequena Janet (a talentosa Madison Wolfe), por meio de quem o espírito se comunica. Porém, as coisas não serão fáceis de resolver, ainda mais porque Lorraine Warren vem sendo, ela própria, atormentada por um demônio que se apresenta vestido como uma freira – e, involuntariamente, lembra um tanto o cantor Marilyn Manson.MK1_4255.dng

Não é um filme para a geração que quer um susto a cada cinco minutos. Alguns poderão reclamar que há cenas demais com os personagens conversando, mas tudo tem a intenção de preparar o espectador para os momentos tensos que virão. Não faltam sobressaltos e arrepios bem conduzidos em cenas que, na sua maioria, privilegiam artifícios simples e consagrados em vez de efeitos especiais. Talvez por ser (supostamente) baseado em fatos reais, a intenção não seja a de MK1_0740.dngforçar demais a credibilidade do espectador e isso eleva o filme sobre boa parte da produção de terror atual. Há até uma certa pirotecnia ao final, mas nada que incomode demais. Também se destaca (como já acontecera no primeiro filme) o elenco de coadjuvantes, que traz Frances O’Connor (de Inteligência Artificial e Endiabrado) como a mãe da família assombrada; Franka Potente (de Corra, Lola, Corra) no papel de uma psicóloga bastante cética; e Simon McBurney (de A Teoria de Tudo e Missão Impossível: Nação Secreta) como um conciencioso investigador paranormal inglês.maxresdefault

Mas o que há de melhor no filme é mesmo a caracterização do casal principal. Ed e Lorraine são mostrados simplesmente como boas pessoas que querem usar seus dons para ajudar a quem precisar. São o contraponto perfeito aos demônios e espíritos malignos que vivem (vivem?) apenas para incomodar e trazer o caos e a morte a inocentes, ainda mais pelo grande amor quea dupla demonstra um pelo outro. Embora possa se argumentar que essa caraterização sem defeitos tem apenas a função de não ofender a imagem das pessoas reais nas quais se inspiram, ela funciona bem e nos dá heróis pelos quais podemos torcer com facilidade. Às vezes isso faz falta no cinema atual, principalmente no gênero terror.

Se o sucesso deste filme trouxer outra aventura dos Warren nas telas daqui a alguns anos, podem contar conosco na plateia.

Cotação:

4-stars

MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e quadrinhos. Adora filmes e livros de terror. Também tem o hábito de nunca dormir com todas as luzes do quarto apagadas, porque o seguro morreu de velho.

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