Crítica: JASON BOURNE

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O ex-espião desmemoriado está de volta com muito mais a destruir e muito menos a dizer

Por Maurício Muniz

“Não ter mais o que dizer sobre um assunto nunca impediu que Hollywood fizesse um filme se achasse que pudesse lucrar alto com ele.”

jason-bourne-2016-matt-damon-trainingVocê pode dizer essa frase em qualquer conversa de bar e, se alguém pedir por um exemplo, você pode dar este aqui na mesma hora: Jason Bourne (idem, 2016) dirigido pelo mesmo Paul Greengrass que esteve à frente dos dois filmes anteriores da franquia.bournegrab-xlarge

Entenda: isso não quer dizer que o filme é ruim. Mas é verdade também que não há muito mais a dizer sobre o personagem e agora resolveram inventar com alguns retcons nem tão críveis assim e um tanto mal explorados. Depois de sua última aventura nas telas há nove anos (o tempo passa rápido, não?), o ex-espião da CIA, Jason Bourne (Matt Damon) está vivendo longe de tudo e de todos, ganhando a vida ao lutar em lutas clandestinas contra sujeitos mal-encarados. Isso, até que é contatado por Nicky Parsons (Julia Stiles, vinda dos filmes anteriores), que antes trabalhava para o governo americano, mas agora adquiriu “consciência social” e trabalha para um clone de Julian Assange (ou de Edward Snowden, tanto faz).

20160421-bourne5-6Enquanto investigava informações sigilosas que pudesse revelar ao mundo, Nicky descobriu que o pai de Bourne, que o espião achava ter sido apenas um analista da CIA, esteve envolvido no processo que transformou o filho em uma máquina de matar. Sem ter outros compromissos imediatos (ainda demora a próxima temporada de Game of Thrones, você sabe), ele resolve investigar essa história.

Mas, talvez porque ter duas horas de Matt Damon fazendo pesquisas no Google não 1333-firstlook-tommy-lee-jonesrendesse um grande filme de ação, seus movimentos e os de Nicky são descobertos por um grupo de pessoas que querem detê-los. Um é o atual diretor da CIA, Robert Dewey (Tommy Lee Jones, de Homens de Preto); um agente altamente letal chamado apenas de Contato (Vincent Cassel, de Doze Homens e Outro Segredo); e Heather Lee (Alicia Vikander que, pelo visto, anda competindo com Samuel L. Jackson pra ver quem consegue fazer mais filmes por ano), uma analista da CIA que quer usar a busca por Bourne para subir na carreira.

Jason-Bourne-trailer-07Não demora a se notar que o filme não tem muita história, que rasparam o fundo da panela para conseguir essa premissa fraca de envolver o pai de Bourne em sua gênese como espião. Pra não ficar muito evidente como a coisa toda é rasa, enfiam ainda na trama o diretor de uma rede social que foi financiada pela CIA em troca de manter vigilãncia sobre todos os seus usuários – uma trama que poderia ser interessante para discutir as liberdades individuais na atualidade, mas que não se sustenta direito e é mal-resolvida. Talvez pudessem ter buscado alguns elementos narrativos nos ótimos livros de Robert Ludlum, o criador de Jason Bourne.jasonbourne0005

Não faltam também uns bons furos no roteiro. A personagem de Vikander é inconsistente: ora quer prender Bourne, ora quer ajudá-lo, ora o salva de um apuro, ora diz que mandaria matá-lo se preciso. O diretor da CIA se cerca de seguranças todo o tempo, mas quando descobre que Bourne está vindo matá-lo, manda todos seus seguranças irem atrás do espião enquanto ele fica sozinho e sem proteção num quarto de hotel. Bourne volta aos EUA e se surpreende quando não reconhecem seu passaporte falso no aeroporto (qual era o plano se o reconhecessem? Se entregar? Explodir o aeroporto? Nunca saberemos.)

Isso quer dizer que não vale a pena ver o filme? Longe disso. As sequências de ação coreografadas por Greegrass e sua equipe são pra lá de competentes. A destruição de veículos aqui é a maior da série até agora, as perseguições em carros, motos e até carros fortes são de tirar o fôlego e os confrontos físicos são ótimos e violentos. Nada novo ou inédito (até mesmo dentro da série Bourne), mas com certeza são momentos divertidos e muitas vezes impressionantes. Toda a sequência final em Las Vegas é tensa e, mesmo se um pouco longa demais, nunca perde o fôlego. E Matt Damon, aos 45 anos, nunca pareceu tão confortável e confiante como herói de ação, até porque não tem mais aquela carinha de garoto que tinha até outro dia. Mas que, no final das contas, tudo parece apenas um episódio de série de TV, parece. Um episódio caro e espetacular, mas ainda assim mais do mesmo.

O maior elogio que se pode fazer a Jason Bourne talvez seja que, se houver um quinto filme da série, tanto eu quanto você ainda vamos querer ver assisti-lo. James Bon… digo, Jason Bourne voltará. Mesmo se ainda não tiver nada a dizer.

Cotação:

3_of_5_Stars

MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e quadrinhos. Às vezes acha que é um espião desmemoriado, disfarçado de jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e quadrinhos

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