Crítica: O BOM GIGANTE AMIGO

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Spielberg realiza um filme para um público que não existe mais

Por Carlos Alberto Bárbaro

maxresdefaultAs crianças de hoje, dizem, se entediam com mais facilidade, têm uma dificuldade “patológica” de concentração, padecem de hiperatividade, são mais informadas e crescem em uma época em que os estímulos à disposição delas, como público, são variadíssimos.

Assim, não espanta que O Bom Gigante Amigo (The BFG, 2016), o mais recente filme de Steven Spielberg, e, a rigor, sua segunda animação, venha naufragando nas bilheterias.

O enredo, baseado no popular romance the-bfg-the-big-friendly-giant-14561135152583homônimo de Roald Dahl, é extremamente simples em sua alegoria. A pequena Sofie (Ruby Barnhill) é uma orfã que surpreende um gigante, a quem irá chamar de Bom Gigante Amigo ou, para encurtar, BGA (Mark Rylance, que trabalhou com Spielberg em Ponte de Espiões), em suas incursões pelas ruas de Londres em certa madrugada. Temeroso de ver sua existência revelada ao mundo, BGA leva Sofie consigo para a Terra dos Gigantes, onde iremos descobrir que há gigantes ainda maiores que ele, que o rejeitam pela sua recusa em se alimentar de humanos.

bfg-1O filme, claro, é mais uma de tantas histórias sobre o nascimento de uma amizade entre os que são diferentes mas nem tanto, e dos riscos que se está disposto a enfrentar para manter essa relação. E tem piada de pum.

A animação, filmada com a técnica de captura de performance, em que se grava a atuação dos atores para depois retrabalhá-las em personagens de animação, tem o charme de uma produção antiga, com um roteiro sem grandes reviravoltas em que nunca tememos pelo destino dos personagens principais. Assim, o filme sofre por vir à luz numa era em que, de um lado temos animações sobre depressão infantil (Divertida Mente, 2015), sobre incapacidades mentais (Procurando Dory, 2016) e sobre velhice e morte (Up: Altas Aventuras, 2009) e, de outro, desenhos que passam BFG-IMdB-pro-still-1100x581exatamente as mesmas mensagens de amizade existentes em O Bom Gigante Amigo, mas de uma forma mais cínica (Meu Malvado Favorito, 2010) ou repleta de nonsense (Madagascar, 2005) e adequada ao suposto perfil das crianças de hoje em dia resumidos acima.

Considerando ainda que os pirralhos são levados ao cinema pelos pais, e que muitos desses pais são jovens ainda “engajados” nas lutas contra o autoritarismo que de certo modo formaram toda uma geração nas duas décadas passadas, não era mesmo muito provável que escolhessem levar seus filhos a uma produção que, a seu modo, e sem sutilezas, de fato, pode ser lida como uma defesa apaixonada da monarquia, do imperialismo britânico, da inferioridade de outras raças e do elogio do traidor.

O Bom Gigante Amigo é apenas isso, um filme anacrônico, cujo público não mais existe.

Cotação:

3_of_5_Stars

BraboCarlos Alberto Bárbaro é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Ele jura que o visual do BGA não foi baseado nele, apesar do que possa parecer

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