Crítica: BEN-HUR

ben_hur_poster

Um épico repaginado e competente

Por Carlos Alberto Bárbaro

Não é de hoje que volta e meia Hollywood tenta ressuscitar dois dos gêneros que, sozinhos, foram responsáveis pela parte do leão das bilheterias cinematográficas da cidade dos sonhos por cerca de cinquenta anos: o Western e o Épico Religioso.

556137A última tentativa é a refilmagem de um clássico do segundo gênero, Ben-Hur (1959), simplesmente o filme que deteve o maior número de Oscars recebidos por uma única produção,  onze estatuetas, por quase 40 anos. Só Titanic, de 1997, e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, de 2003, igualaram esse feito. O filme de 1959, estrelado por Charlton Heston, é a versão mais bem-sucedida dessa história, que também já teve adaptações para o cinema em 1907 e 1925, uma animação para o mercado de vídeo em 2003 e uma minissérie para a televisão em 2010.

Dirigido por Timur Bekmambetov, de O Procurado (2008) e Abraham Lincoln, Caçador de Vampiros (2012), e estrelado por Jack Huston como o herói do título; Toby Kebbell (de O Quarteto Fantástico) como o vilanesco Messala; e nosso Rodrigo Santoro como Jesus Cristo, o novo Ben-Hur, adaptação do romance centenário de mesmo nome escrito pelo general americano Lewis Wallace, aparentemente não será o responsável pela retomada do gênero.Snap57-1

E não porque o filme seja ruim, mas porque as produções desse tipo soam sempre cada vez mais anacrônicas e não conseguem estabelecer uma empatia de fato entre nosso mundo e nossos costumes e aqueles da Antiguidade.

Bekmambetov, justiça lhe seja feita, tenta com vigor “atualizar” o romance para conversar com a nossa época. Mas seus esforços não vão muito além de estabelecer um paralelo óbvio com os conflitos contemporâneos no Oriente Médio.

entretenimento-filme-ben-hur-rodrigo-santoro-20160802-016A história é conhecida: Ben-Hur, princípe de uma das inúmeras casas superiores da Judeia, foi criado junto a um irmão adotivo, o romano Messala. Apesar de os irmãos adorarem um ao outro, o romano sofre com o visível desprezo da mãe adotiva, resolvendo por isso juntar-se ao exército romano, onde ascende rapidamente ao posto de tribuno. Enquanto isso, a cidade em torno ao castelo de Ben-Hur vai pouco a pouco se radicalizando contra a ocupação romana, e justamente quando Messala volta para casa, escoltando o novo governador Pôncio Pilatos num cortejo pelas ruas, um revolucionário a quem Ben-Hur dava abrigo aproveita a ocasião para tentar matar o dirigente romano. Não obtém êxito, mas a família de Ben-Hur, e o próprio, cai em desgraça e os irmãos passam a se odiar.maxresdefault

Passados cinco anos, Ben-Hur, que fora condenado às galés como escravo, escapa de um ataque pirata por um golpe do destino e acaba por tornar-se um corredor de bigas patrocinado pelo taciturno Ilderim (Morgan Freeman). Antes, porém, ele cruzará com Jesus Cristo, outro personagem com o qual o romance original estabelece aproximações com nosso protagonista. E será assim, como um corredor de bigas, que Ben-Hur terá a oportunidade de enfrentar Messala, o melhor corredor de bigas do momento.

ben-hur-jack-huston-morgan-freemanE que corrida! Tão ou mais empolgante que a da adaptação de 1959, e surpreendentemente menos violenta, a sequência, num movimento que lhe confere mais realismo, foi filmada ao modo tradicional, apelando para o CGI apenas em poucos e raros momentos. E embora seu resultado seja o mesmo do passado, as consequências que trará para os irmãos agora são ousadamente otimistas, embora com um tom sacarino um pouco acima do que o filme vinha mantendo até então.

Ben-Hur é um filme que se vê com prazer do início ao fim, com um roteiro enxuto, interpretações corretas, boa caracterização dos personagens e direção segura, pecando apenas justamente onde deveria buscar a perfeição, nos figurinos de época, um tanto despersonalizados e modernos demais. Mas não atrapalham de maneira nenhuma o resultado final.

Cotação:

3-5-stars

BraboCarlos Alberto Bárbaro é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Assistiu à versão original de Ben-Hur no cinema. Sim, a de 1907. E já pagava entrada inteira naquela época.

Clique abaixo e curta O PASTEL NERD no FACEBOOK e no TWITTER
para não perder nossas atualizações:

FacebookTwitter-Logo

Leia também:

Chique Norris: ESQUADRÃO SUICIDA, som e fúria sem o mínimo significado

TERRORVISION: 5 dicas de filmes de terror na Netflix

Enquanto isso… Uma História Pessoal do Cinema em 24 Quadros por Segundo

Anúncios

Um comentário sobre “Crítica: BEN-HUR

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s