Crítica: QUANDO AS LUZES SE APAGAM

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Novo terror baseado em ótimo curta-metragem traz bons momentos, mas perde na comparação

Por Maurício Muniz

Conhece aquela máxima segundo a qual os melhores perfumes vêm em pequenos frascos? Pois é, aqui ela se mostra verdadeira mais uma vez.

Em 2013, o curta-metragem Lights Out correu a internet e conquistou fãs e prêmios com uma premissa ótima para seus menos de três minutos de duração: uma mulher, sozinha em casa, nota que uma criatura estranha se aproxima dela a cada vez que apaga a luz de sua casa. Era uma ideia interessante, assustadora e conduzida muito bem dentro de seu orçamento mínimo. Nunca viu o curta-metragem? Dê uma olhada abaixo, nós esperamos você voltar.

Legal, né? Tanto que o curta atraiu a atenção de Hollywood, sempre sedenta por novas ideias, e seu criador, David F. Sandberg, foi convidado pela Warner e pelo produtor James Wan (talvez o maior nome do terror na atualidade) a dirigir uma versão em longa-metragem que, contudo, não foi roteirizada por Sandberg, mas por Eric Heisserer, que tem experiência no gênero do terror, já que roteirizou o novo (e ruim) A Hora do Pesadelo e Premonição 5, entre outros. O resultado estreia nesta semana no Brasil, após uma carreira bem sucedida ao redor do mundo.

lights-outQuando as Luzes se Apagam (Lights Out, 2016) expande o conceito e traz uma família que parece assombrada por uma estranha entidade que se move apenas quando não há luzes acesas em volta (mais ou menos, aliás, como os aterrorizantes Weeping Angels do seriado Doctor Who, que só se movem quando ninguém olha pra eles). A sequência inicial, no qual a coisa ataca dentro de uma fábrica de roupas funciona bem e realmente assusta com seu clima tenso. Pena que todo o resto do filme não mantenha esse pique.lo-00185r

Logo fica claro que a entidade assombra uma família específica. O pai dessa família foi vítima do ser e agora sua mulher Sophie (Maria Bello, do último A Múmia) e o pequeno Martin (Gabriel Bateman, do terror Annabelle) precisam seguir suas vidas sem ele. Mas tudo seria mais simples se Martin não notasse que sua mãe parece ter desenvolvido o hábito de conversar com alguém que parece passar um bom tempo no closet escuro do quarto. Sem conseguir dormir por medo, o menino então pede ajuda a sua meia-irmã afastada, Rebecca (Teresa Palmer, de Meu Namorado é um Zumbi e O Grito 2),  pois acha que a mãe anda escondendo alguma coisa. Rebecca, resolve investigar os estranhos acontecimentos e se torna, junto com o namorado, também alvo do ser que parece viver na casa da mãe. Aos poucos, a moça descobre a história que envolve a criatura.

lights-out-1É aí que está um dos problemas do filme. Ele se preocupa demais em explicar a origem do ser sobrenatural, a ponto de que perde-se o mistério que a envolve. E, sem mais mistério no roteiro, a ameaça parece enfraquecer um tanto também. Para piorar, nem é nem mesmo uma explicação muito convincente, lembra mais a origem de um vilão dos quadrinhos dos anos 1950 ou 1960. Aliás, deve ter mesmo alguns fãs de quadrinhos na equipe do filme. Olhares mais atentos poderão achar, perdidos no cenário, algumas referências a personagens da DC (que pertence à Warner): um boneco do Robin, um pôster da Liga da Justiça, um do Sandman e assim por diante.

Outro elemento que convence pouco são as relações familiares entre o garoto, a irmã e a mãe. A trama esbarra no novelão e enche linguiça para tentar disfarçar o fato de que a história era ótima para um curta-metragem, mas nem tanto para algo maior. Mesmo assim, o próprio filme é curto, com apenas 81 minutos.thumbnail_24591

Mas os sustos estão lá e, em sua maioria, funcionam, principalmente os que remetem aos recursos usados no curta-metragem, os de ver uma silhueta escura à sua frente que some quando iluminada e que volta a surgir quando a escuridão retorna. O clímax, passado na casa da família, chega mais rápido do que você esperaria e a resolução é um tanto previsível. Os produtores, inclusive, terão problemas para criar uma continuação – que certamente vão querer, uma vez que a produção custou apenas US$ 5 milhões e rendeu 100 milhões até o momento.

No final, Quando as Luzes se Apagam vale o ingresso, mas não é nada que você já não tenha visto feito de maneira mais competente em outras produções. Inclusive no próprio curta que originou o filme.

Cotação do curta-metragem:

ec4u-rating-stars (1)

Cotação do filme:

3-stars-out-of-5 (1)

 

MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e quadrinhos. Enquanto escrevia esta crítica em casa, à noite, a energia elétrica acabou e ele ficou às escuras. A vida imita a arte?

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