Crítica: STAR TREK: SEM FRONTEIRAS

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A tripulação da Enterprise está de volta de uma maneira que você não vê há muito tempo… se é que já viu

Por Carlos Alberto Bárbaro

pine-stb-headerO capitão James T. Kirk (Chris Pike) está cansado de viajar pelo espaço. O senhor Spock (Zachary Quinto) não sabe como encarar logicamente o fato de que não tem mais um planeta, um lar, portanto, para onde voltar. O doutor McCoy (Karl Urban), não: como único pilar de maturidade rabugenta na tripulação da USS Enterprise, o doutor McCoy continua encarando a vida como ela é, e a vida como ela é é simplesmente atormentar o seu vulcano favorito e apoiar, parecendo que faz o contrário, seu capitão.

O resto da tripulação, Uhura (Zöe Saldaña), Scotty (Simon Pegg), Sulu (John Cho) e Chekov (Anton Yelchin), cada um a seu modo, reproduz os sentimentos do trio central da franquia alternativa do universo Trek neste que é não apenas o terceiro filme da nova série cinematográfica mas, não casualmente, o terceiro ano da missão de cinco desta tripulação.

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Star Trek: Sem fronteiras (2016), dirigido por Justin Lin, enfrenta audaciosamente a encruzilhada que o mais ilustre de seus predecessores, a “Série Original”, enfrentou uma vez, e não conseguiu superar: ir até onde a tripulação original não conseguiu chegar, ou seja, ao quarto, e depois ao quinto e final, anos de sua missão pelo espaço.

Star-Trek-Beyond-Karl-Urban-Bones-Zachary-Quinto-SpockPara isto, o que devia ser a preocupação fundamental de qualquer roteiro da franquia, a ameaça estelar da vez, torna-se apenas pano de fundo para os conflitos internos de sua tripulação. Toda a crise de identidade que assola a tripulação por pelo menos metade do tempo de projeção gira em torno da audácia suprema de não apenas continuar, mas de terminar uma missão que Shatner, Nimoy e Kelley nunca terminaram de fato.

Convenhamos, não é missão para qualquer tripulação, principalmente para uma que nunca foi aceita pelos sacerdotes do templo, os puristas de todos os quadrantes da galáxia que nunca consideraram esse Star Trek alternativo do produtor e diretor J. J. Abrams pelo seu valor de face, ou seja, pela amorosa e empolgante homenagem ao clássico imortal que de fato é.NE5uQyy9frmk88_2_b

Em meio a uma trama (escrita por Pegg e Don Jung) que mostra a Enterprise vítima de uma cilada que lança seus tripulantes em um planeta selvagem e repleto de inimigos, é justamente no ano em que Star Trek comemora cinquenta anos de existência que a nova tripulação deste universo alternativo consegue encontrar a química necessária e tradicional entre seus protagonistas, o que se atinge, paradoxalmente, separando o capitão de sua tripulação pela maior parte do tempo de projeção. O Kirk de Chris Pine consegue afinal ser um Kirk shattneriano no mesmo movimento em que apresenta dúvidas que jamais passariam pela cabeça do Kirk original.

636045314687273389-STB-02240RSpock e McCoy saem em uma missão conjunta, na qual têm a chance de passar quase todo o tempo se estranhando e colaborando amorosamente como sempre fizeram na série original. Scotty ganha uma parceira inesperada (e possível futuro interesse amoroso). E Uhura, Sulu e Chekov, os eternos coadjuvantes, ganham algo de importante a fazer para a solução da trama, e talvez pela primeira vez, apresentem-se como mais que um elenco de apoio ou alívio cômico da produção.

Não se deixe enganar, o vilão aqui é um daqueles vilões genéricos (com um motivo, mas genérico) que já nos cansamos de ver por todas as florações da franquia. Krall (Idris Elba), chega mesmo a parecer uma cópia espelhada do primeiro vilão enfrentado por essa equipe em seu filme inaugural de 2009, Nero, que também queria se vingar da federação por ter destruído sua vida.star-trek-beyond-idris-elba-as-krall

E é um vilão genérico porque o que interessa a este filme é proceder a uma análise profunda das motivações e personalidade dos personagens imortais que habitam a Enterprise, o que consegue com louvor. Nunca antes eles foram tão fiéis, e ao mesmo tempo tão providos de uma personalidade própria, adequada aos novos tempos, quanto neste terceiro filme.

E a Enterprise? A Enterprise fica onde deveria ficar, presa para sempre, tanto nesta como na série original, ao terceiro ano de sua missão. Daqui para a frente, se a tripulação chegar mesmo a concluir sua jornada de cinco anos (um quarto filme já foi confirmado) teria mesmo que fazê-lo em um novo abrigo. E, convenhamos, não poderia ser diferente.

COTAÇÃO:

4,5

BraboCarlos Alberto Bárbaro é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Está revendo toda a série original de Star Trek, pois perdeu muitos episódios quando as aventuras originais de Kirk e Spock eram exibidas em Vulcano, seu planeta de origem. Vida longa e bárbara.

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