Crítica: CEGONHAS

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Uma ótima animação que resgata as tramas tradicionais do gênero

Por Carlos Alberto Bárbaro

Cegonhas (Storks, 2016), comparada ao resto do rebanho, isto é, das animações que vêm sendo feitas de uns vinte anos pra cá, é um estranho no ninho, uma animação para crianças mesmo, sem aquelas piscadelas comuns para os adultos que têm que levar os filhos ao cinema e, segundo a lógica dos estúdios, também precisam ser seduzidos pela trama.

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Trama que aqui é extremamente simples, mas não, que fique bem claro, simplória. O roteiro é de Nicholas Stoller (que também codirige, com Doug Sweetland), no passada responsável por filmes tão díspares quanto Os Muppets, Sex Tape: Perdido na Nuvem Zoolander 2).thumbnail_24123

Após entregarem bebês por séculos, com a chegada da modernidade, e do aumento
exponencial da taxa de nascimentos, o trabalho das cegonhas ficou, além de difícil, desnecessário. Assim, um dos administradores da empresa cegonhística, aproveitando-se de um pequeno problema com uma das “entregas”, moderniza as coisas, transformando a antiga entregadora de bebês em uma simples, mas potente, entregadora de simples encomendas, deixando de responder a todas as cartas enviadas à empresa solicitando a entrega de novos bebês.

storks-movieUm acidente, no entanto, acaba produzindo um novo bebê em atendimento à carta de um garotinho que, inconformado com a sua situação de filho único de pais que trabalham demais, vê como solução para o seu problema pedir um irmãozinho para aquela antiga fábrica.

thumbnail_24741Os encarregados dessa entrega serão um par improvável: uma cegonha que quer fazer a entrega às escondidas para não perder sua promoção à chefia, já que foi ela que, involuntariamente, gerou a nova encomenda, e uma garota que foi criada na fábrica porque o localizador da casa dos seus pais originais se quebrou e eles nunca puderam ser encontrados.

A partir desse fio de narrativa, Cegonhas entrega uma animação cada vez mais rara, que, ao invés de se preocupar com as complexidades da vida moderna (depressões, alegrias, raivas, tristezas, nojinhos etc.) é desbragadamente tradicionalista. O seu tema é um só: a família. Os seus personagens são simples: pais, mães e bebês. E o resultado é impressionante: uma animação conservadora, que fala de valores antigos e eternos e que consegue ser extremamente atual e divertida.storks

Não há espaço nela para o cinismo, a ironia ou a dúvida. A jornada dos heróis, aqui, é simples: eles têm que entregar um bebê para uma família. O bebê é cativante. A família aguarda ansiosamente o bebê. Obstáculos, entre os quais uma alcateia divertídissima, surgirão no meio do caminho. No processo de vencer esses percalços, os entregadores, eles próprios, também começam a se tornar uma família. E tudo isto é bom, tudo isto é legal.

Em tempos de animações cada vez mais complexas, é muito bom surgir uma que percebe que a inteligência, por vezes, consiste em limitar-se ao básico.

Cotação:

4-stars

BraboCarlos Alberto Bárbaro é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Um, dia uma cegonha trouxe um pacote pra ele e isso ajudou a melhorar o mundo: afinal, quando o Bárbaro está com o Teodoro, não tem tempo de arrumar confusões e tretas por aí…

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Um comentário sobre “Crítica: CEGONHAS

  1. Assisti ontem com minha filha e minha sobrinha e gostei bastante. Apesar de simples e tradicional, como o texto diz, Senti algumas agulhadas nos adultos, como o fato do sonho do protagonista em ser chefe sem nem saber o motivo desse desejo, os pais do garotinho que fazem home office e só trabalham (muita gente diz que trabalha em casa “pra ficar mais tempo com a família”, mas será que isso acontece mesmo?) e a competitividade entre classes. Mesmo assim, a diversão foi garantida! A cegonha dublada pelo Dani Trejo (!?!) me fez lembrar o pinguim maluco desaparecido de “Tá Dando Onda”!

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