Crítica: SETE HOMENS E UM DESTINO

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Os faroestes retornam à boa forma com uma visão moderna para um clássico

Por Carlos Alberto Bárbaro

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A história é por demais conhecida. Akira Kurosawa, o mais ocidental dos cineastas orientais, fez Os Sete Samurais (1954) para homenagear os faroestes americanos que tanto amava. Anos depois, como não podia deixar de ser, os americanos prestaram homenagem a Os Sete Samurais transformando-o em um bangue-bangue de verdade.the-magnificent-seven-2016

Sete Homens e Um Destino (1960), o primeiro, não entra em qualquer lista dos dez maiores faroestes da história do cinema. Afinal, com nomes como John Ford, Sergio Leone, Howard Hawks e até, quem diria, Marlon Brando se ocupando com a direção de filmes do gênero, não sobraria mesmo espaço no topo da lista para uma refilmagem correta de um filme de samurais.

E, no entanto, o filme de John Sturges, além de não envelhecer, é assim meio que a receita perfeita de um faroeste.

1_denzelshootingUm povoado de trabalhadores humildes ameaçados por um malfeitor poderoso, incapazes de lhe opor resistência, contratam um grupo de cavaleiros solitários para defendê-los do marginal. Inicialmente interessados apenas no dinheiro que ganhariam com a missão, aqueles homens marginalizados pela sociedade encontrarão no processo uma razão para suas vidas.

Um argumento tão perfeito que surpreende ter demorado tanto tempo para ser refilmado por Hollywood. A decadência do gênero talvez seja a resposta.magnificent-seven-2016-washington-pratt

Felizmente para o gênero, Antoine Fuqua (Dia de Treinamento, O Protetor) resolveu que já era hora de termos um novo Sete Homens e Um Destino (2016), quase sessenta anos após o primeiro (ou seria o segundo?).

Para isto, e afinado não somente com os novos tempos, mas com estudos históricos que apontam ter sido o velho oeste um caldeirão de raças muito mais variado do que davam a crer os exemplares clássicos do gênero, convocou um grupo de sete (anti) heróis bem mais variado que os do filme original.

maxresdefaultA trama, porém, com mínimas, mas pontuais, variações, permanece a mesma. O vilão, agora, é um barão do gado. O povoado ameaçado são colonos da mesma nacionalidade do explorador. A mulher que convoca os heróis para defender suas terras é bem mais que um acessório narrativo. O pistoleiro que reúne os outros seis, Chisolm (Denzel Washington), tem agora uma motivação adicional e, claro, gasta-se mais tempo com a construção de todos os personagens. Mas as balas… Essas continuam a voar dos canos das armas, e em quantidade e letalidade muito maiores que no filme anterior.

O fato é que este novo Sete homens é um faroeste dos bons, no sentido clássico da palavra, em que o revisionismo é discretíssimo e o que continua a importar é a velha e boa ação. O único senão, que não chega a prejudicar o filme, é a interpretação pra lá de caricata que Peter Sarsgaard imprimiu ao seu vilão.

Se fizer o sucesso que merece, com sorte inspirará a volta de outros exemplares do gênero.

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Cotação:

4-stars

BraboCarlos Alberto Bárbaro é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Na versão de 1960 de Sete Homens, ele se identificava mais com o personagem de Yul Brinner, mas por motivos meramente capilares…

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