Crítica: ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM

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O mundo de Harry Potter está de volta, mas se mostra um tanto perdido sem seu astro principal

por Maurício Muniz

01

A primeira coisa que o espectador ouve quando começa Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016) é o tema musical da coruja Edwiges, novamente junto ao logotipo da Warner Bros. Todos os filmes da franquia Harry Potter começaram dessa maneira e o estúdio abre este filme assim para mostrar aos fãs que eles estão de volta ao mundo do bruxinho.

Mas não estão. Não de verdade.

04Dirigido pelo mesmo Yates David que cuidou dos quatro últimos filmes da série de Harry Potter, o filme tem como inspiração o livro escrito por J.K. Rowling sobre as raças de animais existentes no universo que criou. O livro, com o mesmo nome do filme, era atribuído a um tal Newt Scamander, espécie do zoológo do mundo bruxo. O livro é apenas um catálogo de bichos malucos e suas descrições, com alguns comentários de Harry Potter e seus amigos espalhados pelas margens.

Porém, esse livro de menos de 100 páginas foi o bastante pra inspirar alguém na Warner a 03tirar dali a ideia para criar uma nova série passada no mundo bruxo. Não é à toa. Com arrecadação de quase 8 bilhões de dólares nas bilheterias, a série de Harry Potter é um sucesso enorme e era uma prioridade para a Warner criar novos produtos de seu universo desde que o último filme estreou em 2011.

A pergunta é: o estúdio conseguiu recapturar a magia?

Bem… mais ou menos.

02O roteiro escrito pela própria Rowland mostra a chegada de Newt Scamander (o oscarizado Eddie Redmaine, um pouco menos afetado que seu natural) a Nova York em 1926. Ele tem uma missão própria ali, nada muito complicado, mas acaba se metendo em uma série de situações perigosas. Se envolve com o simpático padeiro Jacob Kowalski (Dan Fogler, da série The Goldbergs), que é confundido com um ladrão de bancos. Conhece Tina Goldstein (Katherine Waterson, de Vício Inerente), que investiga um grupo que tenta revelar ao mundo a existência de bruxos. Ela é funcionária do Congresso Mágico dos EUA (a versão americana do Ministério da Magia), cuja presidente 09está preocupada com a possibilidade de uma guerra entre os bruxo e os Não-Majs (nome dado aqui aos trouxas), graças às perigosas ações de Gerardo Grindelwald, um bruxo maligno e muito poderoso. Em meio a tudo isso, transita Percival Graves (Colin Farrell), também funcionário do Congresso Mágico, que tem agido às escondidas e parece ter planos misteriosos.

08Scamander passa por diversas confusões, algumas mais divertidas, outras nem tanto. Há duelos entre magos, assassinatos misteriosos, elfos e goblins (um deles intepretado por Ron Perlman, de Hellboy), atos de crueldade entre humanos e, claro, vários animais fantásticos, que fogem da maleta mágica de Scamander e precisam ser recapturados. Há surpresas o bastante na trama, mas poucos momentos realmente memoráveis. Um dos problemas é que o filme sofre com a necessidade de passar informação demais ao espectador e isso atrapalha um tanto o ritmo, em alguns momentos a coisa toda parece um pouco arrastada. Algumas sequências dão a impressão que funcionariam melhor em um livro – mas que deveriam ter sido eliminadas ou encurtadas na versão cinematográfica desse mesmo livro. Outros momentos são exagerados e um tanto sombrios demais, como a batalha final entre bruxos nos túneis do metrô e outra em que dois personagens enfrentam uma execução sentenciada pelo Congresso Mágico.

O melhor do filme são alguns membros do elenco. A atriz e cantora Alison Sudol ilumina a tela como Queenie, a linda e inocentemente sudutora irmã de Tina; e Fogel em certos momentos quase rouba o filme como o padeiro Jacob, que tem as melhores e mais engraçadas reações e funciona como a ligação do espectador com esse universo curioso.

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É de se imaginar como o público em geral e, principalmente, os fãs hardcore de Harry Potter 07vão receber o filme. Claro, há algumas referências diretas aqui – Dumbledore é citado, assim como Hogwarts e a família Lestrange – mas, no final, é um produto bastante diferente das aventuras anteriores criadas por Rowling. Os heróis não são crianças ou adolescentes, a história se passa em uma época que o fã jovem pouco conhece, os personagens não são tão carismáticos ou fáceis de se identificar… A aposta da Warner talvez seja que o público de Harry Potter tenha crescido o bastante para ser atraído por este novo cenário, mas o roteiro e as situações não facilitam muito as coisas, a princípio.

Animais Fantásticos e Onde Habitam é interessante, tem bons efeitos visuais e é um começo válido para essa nova franquia de cinco filmes, mesmo se não é totalmente satisfatório. Agora é torcer pra coisa melhorar, pois infelizmente, apesar de tantas varinhas e truques pra lá e pra cá, o filme está longe de ser tão mágico quanto poderia (ou deveria) ser.

Cotação:

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MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e HQs. Se gostaria de ser bruxo, mas se divertiria muito mais com o caderninho de Death Note…

 

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2 comentários sobre “Crítica: ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM

  1. Nós adoramos o filme, mesmo sendo diferente do Harry Potter a magia parece a mesma! Estamos ansiosas pelo próximo! Confesso que não acreditávamos que iriamos gostar tanto, mas AMAMOS! Então teremos que discordar e dar nossas 5 estrelas! Mas gostamos muito do seu post, mesmo discordando!Da uma olhadinha lá no nosso blog! Esperamos que goste!
    https://historiasnodiva.wordpress.com/blog/

    PS: Somos viciadas em HP, isso pode ter influenciado um pouco nossa opinião! 😉

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