Crítica: LEGO BATMAN – O FILME

legobatmanonesheet

Ou Como uma animação infantil conseguiu se tornar o melhor filme do Batman em anos

Por Maurício Muniz

A princípio, ele não parece ser um personagem lá muito complicado de entender.

Após perder seus pais na infância em um crime brutal, o milionário Bruce Wayne se esmera para se tornar o ser humano com as melhores capacidades físicas e mentais possíveis, veste uma roupa de morcego (para assustar os criminosos supersticiosos) e protege a cidade de Gotham de todo tipo de vilão, em uma tentativa de redenção e afirmação pessoal e para, talvez, pôr em cheque sua tristeza e angústia. E, mais que tudo, para ajudar aqueles que precisam.

Pois é. Parece simples, mas tem gente que não entende. Um desses é o “cineasta visionário que só adapta obras alheias”, Zack Snyder, que transformou o herói em um cara chato, enfadonho, violento e burro em Batman v Superman: A Origem da Vergonha (cada um chama o filme como achar melhor, ok?). E quando parecia que tão cedo não teríamos chance de ver nas telas uma boa representação do maior herói dos quadrinhos (Homem-Aranha? Pfft, faça-me o favor…), eis que ela surge da fonte mais inusitada possível: uma animação no estilo Lego.

01-lego-batman

Claro que LEGO Batman: O Filme (The LEGO Batman Movie, 2017) não foi feito com a intenção de ser um filme sério e fiel ao Batman. É apenas uma aventura infantil sobre uma versão bastante egocêntrica e eficiente do Homem-Morcego, que salva constantemente a cidade de Gotham dos perigos e não apenas se diverte ao fazê-lo, como se vangloria muito de seus feitos. O filme se inicia com um plano do Coringa para destruir a cidade de uma vez por todas, que é impedido com graça, leveza e um monte de piadas divertidíssimas por Batman. Seria apenas mais um dia comum na cidade se, durante o confronto, o Coringa não viesse a descobrir que Batman não considera o palhaço do crime como seu arqui-inimigo. Desprezado e magoado, o Coringa dá início a um esquema para mostrar ao Batman o quão perigoso é, usando o projetor da Zona Fantasma do Superman (aquele mesmo que vimos nos quadrinhos por anos) para libertar da prisão kryptoniana os piores vilões do universo.

Bem, ou ao menos os piores vilões sobre os quais a Warner tem os direitos de uso. Portanto, se você sempre quis ver Batman enfrentando Lorde Voldemort (de Harry Potter), Sauron (de O Senhor dos Anéis), os Daleks (aqueles “robôs ingleses pra agradar aos nerds”, saídos de Doctor Who), os Gremlins e outros baluartes da vilania, esta é a sua chance. Até o velho King Kong está lá, mesmo se nunca foi mesmo um vilão. E até vilões cinematográficos que a Warner não controla, mas são meio que genéricos, estão lá também, como um enorme tubarão branco e uns velociraptores – sim, Spielberg rola em seu túmulo ainda vazio.

LEGO BATMAN MOVIE

E esse é um exemplo do estilo maluco de humor em LEGO Batman. Centenas de piadas, tantas que algumas até se atropelam umas sobre as outras. Chris McCay, o diretor, foi responsável por diversos episódios da série animada Frango Robô, e o estilo anárquico se repete aqui.

Como é praxe em animações atuais, muitas das piadas não são apenas pras crianças. Em LEGO Batman, muito do humor é direcionado a fãs mais velhos de quadrinhos, principalmente os da DC Comics. Há referências à trajetória do Batman nos gibis, no cinema e na TV; há aparições de vários outros super-heróis; a Fortaleza da Solidão do Superman tem o mesmo design do filme de Richard Donner e assim por diante. Aliás, vale reassistir o filme pra se deleitar mais ainda com as referências e não deixar passar nenhuma. Este jornalista, por exemplo, quase não notou que o Duas-Caras do filme é interpretado (voz e aparência) por Billy Dee Williams, que fez o personagem Harvey Dent no Batman de Tim Burton, de 1989.

02-lego-batman

Mas, o que mais fica do filme é uma óbvia compreensão do roteiro escrito a dez mãos (se destaca na equipe Seth Grahame Smith, criador de Orgulho e Preconceito e Zumbis, que bolou a trama original) sobre quem o que é o Batman. Entre as piadas, o roteiro deixa vislumbrar como pensa Bruce Wayne, porque ele age como age e porque, no fundo, não confia em ninguém. É tudo feito em tom de brincadeira, é verdade, mas que consegue expor de maneira leve o verdadeiro cerne de um personagem tão sombrio em suas origens e desenvolvimento. O Batman que vemos aqui é a melhor representação do Homem-Morcego em anos. Não é uma visão realista do herói, como vimos nos filmes de Christopher Nolan, mas uma paródia que homenageia os quase 80 anos do personagem. E homenageia da melhor maneira: com piadas que mostram que Batman pode ser ridículo e sublime ao mesmo tempo, dependendo de como é visto.

Para uma animação descompromissada, está bom demais. Quem sabe a Warner-DC nota o sucesso que esta visão do Batman fará nas telas (e fará, pode escrever o que estou dizendo) e dá uma guinada de 180 graus nesse universo sem graça e de pouca emoção que está construindo nos cinemas. Rir de si mesmo é um ótimo remédio. Pena que Zack Snyder, o cara que gerencia os filmes da DC hoje, se leve tão a sério.

Cotação:

4-pasteis

MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e HQs. Na infância, queria ser o Batman. Hoje em dia, ficaria mais feliz em ser só o Bruce Wayne

Clique abaixo e curta O PASTEL NERD no FACEBOOK e no TWITTER
para não perder nossas atualizações:

FacebookTwitter-Logo

Leia também:

Entre Balões: Quando os HERÓIS eram BRAVOS E DESTEMIDOS

Enquanto isso… O Homem que Salvou os Super-Heróis?

Enquanto Isso… Batman: Ano Um – 30 Anos Depois

Anúncios

Um comentário sobre “Crítica: LEGO BATMAN – O FILME

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s