Crítica: KONG: A ILHA DA CAVEIRA

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Com luta entre monstros e alguns momentos empolgantes, o novo filme do macaco gigante tenta ser apenas um aventurão divertido. E se sai bem

Por Maurício Muniz

0001O King Kong original, lançado em 1933 e dirigido por Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, deve ter sido um sonho realizado para leitores de revistas pulp e livros de histórias fantásticas à época. Ali estava uma aventura sobre um grupo de exploradores que desembarcam numa misteriosa extensão de terra, a Ilha da Caveira, habitada por dinossauros, aranhas gigantes e, principamente, um gorila gigantesco que fica fascinado pela heroína loira do filme, o que acaba levando à sua ruína. A história foi criada, a pedido de Cooper, pelo escritor inglês Edgar Wallace, especializado em literatura de ação e mistério, e o filme – também graças aos efeitos especiais inovadores de Willis O’Brien e à trilha sonora de Max Steiner – se tornou um sucesso de público que rendeu quatro vezes seu alto investimento (à época) de 700 mil dólares e viria a ser considerado um clássico do cinema.browse-over-50-new-screenshots-from-kong-skull-island-75

O macaco gigante daria origens a continuações de baixo orçamento, imitações, uma produção japonesa na qual encontrava Godzilla, uma refilmagem em 1976 (à época divertida, mas hoje datada) e uma outra refilmagem em 2005, dirigida e escrita por Peter Jackson, que conseguiu a proeza de transformar uma aventura enxuta de 100 minutos em um filme arrastado de mais de três horas de duração.

kong-skull-island-castO que nos traz à nova produção da Warner, Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island, 2017), dirigido por Jordan Vogt-Roberts, que nunca tinha realizado nenhum filme de ação antes, mas se sai bem aqui. A história, escrita por Dan Gilroy (de Gigantes de Aço) e Max Borenstein (da versão de 2014 de Godzilla) é uma baba sem muita profundidade: Em 1973, durante o final da Guerra do Vietnã, os exploradores Bill Randa (John Goodman) e Houston Brooks (Corey Hawkins), funcionários da misteriosa empresa Monarch, conseguem apoio do governo dos EUA para uma expedição à misteriosa Ilha da Caveira, no Oceano Pacífico, onde acreditam haver algumas coisas bem estranhas. É designada uma equipe do exército liderada pelo Coronel Preston Packard (Samuel L. Jackson) pra acompanhá-los, mas Randa ainda faz questão de carregar consigo um ex-militar inglês, James Conrad (Tom Hiddleston), especialista em resgates. Vão junto a tiracolo ainda a fotógrafa Mason Weaver (Brie Larson, porque em filme do Kong é preciso ter ao menos uma loira) e uma pesquisadora chinesa, San (Tian Jing).thumbnail_25723

Mal chegam na ilha, os soldados descarregam algumas cargas explosivas que logo chamam a atenção de Kong, que ataca seus helicópteros e mata vários deles. Os personagens principais, por graça divina e coincidência, sobrevivem todos, mas o macacão furioso e pra lá de gigantesco ganha o ódio de Packard, que decide matá-lo a qualquer custo para vingar seus comandados. Mas o que os heróis descobrirão logo depois é que Kong os atacou pra que parassem de soltas suas bombas, que poderiam atrair uma raça de monstruosos lagartos que habitam o subsolo da ilha e são predadores quase invencíveis, tanto que dizimaram o resto da família de Kong. A partir daí, os heróis se dividem entre os que querem proteger o macacão e os que querem dar fim a ele.

screen-shot-2017-03-04-at-8-59-55-amNo fundo, é um gibizão – tanto que em vários momentos até lembra o antigo título da DC Comics, The War That Time Forgot (ou “A Guerra que o tempo esqueceu”), que mostrava soldados perdidos numa ilha repleta de dinossauros. E ser um gibizão é um elogio: há muita ação, feitos heroicos, golpes de espada samurai contra monstros terríveis, carnificina e bastante tensão. A luta de Kong contra os helicópteros que invadem sua ilha é violenta, empolgante e assustadora; o ataque de uma aranha gigante aos soldados é aterrorizante; as aparições dos terríveis lagartos subterrâneos, enervantes. Tudo na ilha é potencialmente perigoso e há uma surpresa quase a cada esquina (tem esquinas na selva? Bem, vocês entenderam). Kong também traz outro achado na figura de Hank Marlow (o sempre ótimo John C. Reilly), um piloto da Segunda Guerra Mundial que caiu na ilha junto com um inimigo japonês há 29 anos e está preso nesse estranho local desde então. Só a história desses dois personagens já daria um ótimo filme.

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Diferente do Godzilla de 2014, também produzido pela Warner, Kong: A Ilha da Caveira traz batalhas entre monstros realizadas a contento. Nem são tantas assim, mas são bem construídas e emocionantes. Kong é um herói inusitado, a quem o espectador pode se alinhar contra a princípio, mas para quem estará torcendo ao final. É pena que o pique do início do filme caia na segunda metade. Ele é sempre bastante competente – e algumas vezes até mais que isso –, mas parece ir perdendo fôlego ao final, o que é uma pena. Mesmo assim, é a melhor aventura com King Kong desde o filme de 1933.Kong-Skull-Island-2017-Movie-Scene

Se você leu todo o texto acima, notou que citamos várias vezes Godzilla, um monstro criado para o cinema japonês em 1954 e que já teve várias versões no cinema nipônico e no americano. Não é á toa. Kong: A Ilha da Caveira é, a rigor, a “segunda parte” de um universo de monstros gigantes que a Warner quer criar nas telas. A empresa Monarch, citada aqui, é a mesma do Godzilla de 2014, uma empresa cujos membros sabem que existem monstros gigantes e muito antigos por aí e que a Terra, afinal de contas, pertenceria a eles. Os planos da Warner são mostrar um confronto entre Kong e o lagartão japonês até 2020, em uma superprodução que teria a presença possível de outros monstros saídos do universo de Godzilla – e que já renderam bons filmes de luta entre bichões gigantes nos anos 1960 e 1970 (aliás, espere os créditos finais porque tem uma cena depois). Vai ser interessante ver onde isso vai dar. Claro, tudo depende de que Kong se mostre lucrativo o bastante, mas se tudo der certo, tudo indica que veremos seres gigantescos urrando e se estapeando muito pelos próximos anos nos cinemas.

Cotação:

3 e meio

MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e HQs. Gosta de filmes de monstros – podem ser do tipo gigante ou aqueles em tamanho normal mesmo

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2 comentários sobre “Crítica: KONG: A ILHA DA CAVEIRA

  1. Engraçado que lançam séries com enorme tempo de projeção com vários episódios e temporadas, e geral assiste aplaudindo, enquanto no cinema, quando se acrescenta 60 minutos a mais de película, todo mundo entra em pânico dizendo que o filme vai ser longo…

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