Crítica: GHOST IN THE SHELL – A VIGILANTE DO AMANHÃ

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Mais preocupada com a criação de uma estupenda cenografia, essa nova adaptação do clássico manga japonês peca por não ter colocado alma em sua concha

Por Carlos Alberto Bárbaro

scarlettjohansson-ghostintheshellDar vida a formas inanimadas é o mito mais antigo da humanidade. Do sopro de vida primordial num boneco de barro, passando pelo mito judaico do Golem, pelo Monstro de Frankenstein de Mary Shelley e o jogador de xadrez de Edgar Allan Poe, até chegar aos robôs de Karek Čapek, responsável, no início do século passado, por toda uma nova corrente de fábulas modernas sobre o assunto, e sem esquecermos de Isaac Asimov, a criação da vida é inegavelmente um dos temas mais visitados pela ciência e pela ficção-científica, notadamente do século XX em diante.

Natural, portanto, que seja igualmente um dos mais difíceis de ser abordado de forma fresca e inovadora à medida em que os anos vão passando, o futuro vá chegando e as variações originais sobre o tema vão ficando cada vez mais raras.

Ghost in the Shell – A vigilante do amanhã (Ghost in the Shell, 2017, 107min), a última investida cinematográfica nesse tema milenar é a adaptação de um mangá e um anime japoneses de sucesso com quase trinta anos de existência, e tenta dar nova vida a esse tema tão fascinante.

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Dirigido por Rupert Sanders (de Branca de Neve e o Caçador), o filme narra a busca de Major (Scarlet Johansson) – uma unidade robótica de combate equipada com um cérebro humano para lhe dar mais eficiência e liberdade de ação em suas missões – por um terrorista misterioso que está empreendendo ataques cirúrgicos contra a empresa que a criou, assassinando um a um seus membros fundadores.

Auxiliada em sua missão por Batou (pilou Asbaek), no decurso de sua busca, Major vai tendo lampejos de memórias de sua vida anterior, de seu receptáculo humano original, e, claro, suspeitando cada vez mais que há algo de sombrio em torno de sua origem.ghost-in-the-shell-featurette-00

Soa conhecido? Sim, porque era assim no princípio, com Adão e Eva contestando o senhor no Paraíso, foi assim com o Monstro de Frankenstein, solicitando respostas do doutor Victor, o seu criador, e, sete anos antes do mangá japonés, foi assim no clássico Blade Runner, o Caçador de Andróides (1982).

Invariavelmente, filmes sobre robôs são filmes sobre a busca de respostas para o significado da vida. O que varia, e faz a diferença, é não somente o enredo, mas o modo de trabalhá-lo. E é aqui que A vigilante do Amanhã deixa um pouco a desejar.

ghost-in-the-shell-movie-image-scarlett-johansson-motoko-kusanagiPreocupado talvez com oferecer uma visão suntuosa da aparência das cidades no futuro, em uma clara homenagem justamente ao citado Blade Runner, Rupert Sanders esquece de rechear seu filme, sua concha, com alma, ou seja, com desenvolvimento de personagens. O ghostjuliettefilme acaba por se concentrar demasiado na trama policial de ação e nos cenários suntuosos em CGI e acaba por dedicar pouco tempo à humanidade de seus personagens. Certo, há um membro da equipe de Major que busca a humanidade no contacto com os cães e uma sequência fantástica, a melhor do filme, com dois personagens tomando chá à moda antiga, tornada humana pela interpretação estupenda da fantástica Kaori Momoi, que, ao contrário da mecânica (sem trocadilho) Juliete Binoche, dá vida à sua personagem e, nos poucos momentos em que está em cena, ao filme como um todo.

Um filme competente, mas excessivamente burocrático, tornando-se assim não mais do que uma boa diversão.

Cotação:

3 pasteis

BraboCarlos Alberto Bárbaro é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Na versão de 1960 de Sete Homens, ele se identificava mais com o personagem de Yul Brinner, mas por motivos meramente capilares…

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