Crítica: HOMEM-ARANHA: DE VOLTA AO LAR

spider_man_poster2

A melhor versão do amigão da vizinhança nas telas ganha um filme próprio

Por Maurício Muniz

A participação de cerca de 20 minutos do Homem-Aranha em Capitão América: Guerra Civil em 2016 não deixou dúvidas para os fãs: aquela era a melhor versão em live-action do herói vista na telona, mesmo se o personagem da Marvel já havia estrelado cinco filmes próprios desde 2002.

thumbnail_25242

Os três filmes do Aranha dirigidos por Sam Raimi têm muitos fãs e até os dois dirigidos por Marc Webb têm seus defensores – poucos, mas existem. Mas não dá pra negar que nenhum deles conseguiu representar com fidelidade o espírito de um dos personagens mais importantes da Marvel Comics. Tobey Maguire parecia uma caricatura de Peter Parker, sempre abobado, atrapalhado e chorão, sem fazer as famosas piadas do herói quando entrava em ação – na verdade, tudo nos filmes de Raimi parecia uma paródia, quase uma releitura do seriado do Batman de 1966. Andrew Garfield, por sua vez, parecia fisicamente com o Parker desenhado por Steve Ditko, mas – apesar de mais descolado – trazia uma certa angústia e ira à sua caracterização que era bastante diferente do que nos acostumamos a ver nos quadrinhos. E, da mesma maneira, os filmes que estrelou eram um tanto frios, sem emoção, feitos sem entusiasmo, com a promessa de resolver mistérios sobre a origem do herói que, no fundo, ninguém queria saber. Pra não falar que, em todos esses filmes, os atores pareciam velhos demais pra interpretar adolescentes.

spiderman-homecoming-992189

“Mas são adaptações, não precisam ser idênticas à fonte”, alguém pode dizer. E é verdade… porém, ainda assim esses filmes não pareciam ter conseguido reproduzir o clima correto das aventuras de Peter Parker e representar a necessidade do personagem em ser um herói para se redimir pela morte do tio e ainda ajudar a quem necessitava.

É uma felicidade, então, que aquele Aranha que vimos por tão pouco tempo no filme do Capitão e que tanto agradou aos fãs, ganhe um filme próprio que, se ainda não é perfeito, já é a melhor aventura do amigão da vizinhança nas telas.

Spider-Man-Homecoming-1-2-600x400

A trama de Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming, 2017), escrita por nada menos que seis roteiristas com os mais variados currículos, tem início logo depois da já mítica “Batalha de Nova York”, na qual os Vingadores enfrentaram e detiveram uma invasão alienígena, como mostrado no primeiro filme da equipe, de 2012. Uma empresa do setor privado, encarregada de limpar os escombros da luta, é impedida de continuar seu trabalho porque o governo aparece de repente e quer o controle sobre os equipamentos científicos avançados deixados ali pelos chitauri. O dono da empresa, Adrian Toomes (o ótimo Michael Keaton), revolta-se com a situação, já que investira alto em recursos e equipamentos para realizar o trabalho. Sentindo-se responsável por seus funcionários e pelo sustento da própria família, Toomes desvia uma parte da tecnologia alienígena e passa a criar e vender armas avançadas para criminosos pelos próximos anos. O próprio Toomes usa um traje voador para realizar alguns crimes e roubos, o que o torna muito perigoso.

spider-man-homecoming-michael-keaton-hi-rescnh7azyxgaeddewjpg-large

Alheio a tudo isso, Peter Parker (o britânico Tom Holland, reprisando o papel de Guerra Civil) aguarda desesperançado um chamado de Tony Stark (Robert Downey Jr.), o Homem de Ferro, para unir-se definitivamente aos Vingadores, já que não é contatado por seu mentor há meses. Enquanto aguarda, Peter usa o uniforme hi-tech que ganhou de Stark para impedir um ou outro assalto com métodos duvidosos, ajudar velhinhas perdidas na rua e outras ações menores. Nas horas vagas (que são muitas), ele se envolve nas atividades normais de qualquer adolescente: vai à escola; tenta lidar com sua paixão pouco discreta pela colega Liz (Laura Harrier); constrói Estrelas da Morte feitas de Lego com o amigo Ned (Jacob Batalon); tenta evitar o incômodo Flash (Tony Revolori), que gosta de chama-lo de Pênis Parker; e esconde suas atividades heroicas da meio avoada Tia May (Marisa Tomei, linda aos 51 anos). Porém, o inevitável acontece e Peter depara-se com assaltantes que utilizam as armas com tecnologia chitauri e quase causam um acidente fatal quando enfrentam o rapaz. Talvez sentindo-se culpado por um inocente que quase perde a vida devido a essa luta, Peter passa a investigar a origem dessas armas e acaba em uma série de confrontos perigosos com Toomes e seu bando.

fotonoticia_20170403123440_640John Watts, saído do cinema independente, dirige o filme de maneira leve e com o tom e ritmo corretíssimos para o tema. A trama é ágil e divertida, com ótimas piadas e uma representação bastante fiel do universo adolescente. Os personagens são carismáticos e sempre interessantes. As cenas de ação provavelmente são as mais grandiosas entre todas as mostrados nos filmes do Aranha até hoje, com algumas delas bastante tensas. O filme é moderno e descolado na medida certa, não esquecendo da representatividade: os amigos mais próximos de Peter, a garota por quem se apaixona e até seu nêmese na escola são latinos ou negros e é tudo mostrado naturalmente, sem precisar de discursos ou explicações de nenhum tipo – como deveria ser. Importante também é que Holland interpreta, finalmente, um Peter Parker mais humano, com o qual conseguimos nos identificar e por quem torcemos com prazer.

Homecoming-Humor

Mas o melhor ator do filme é, sem dúvida, Keaton. Seu Abutre é um achado: um personagem tridimensional, com motivações realistas para seus atos criminosos e uma personalidade até cativante. Você pode não concordar com ele, mas entenderá por que faz o que faz. Também traz humor e leveza ao filme as várias referências ao universo cinematográfico da Marvel, desde os vídeos de motivação escolar estrelados pelo Capitão América (Chris Evans, em pequenas participações hilárias); a presença do motorista e guarda-costas de Stark, Happy Hogan (Jon Favreau), como agente de contato (e babá) de Parker; e uma certa aparição ao final que resolve uma subtrama deixada em aberto desde Guerra Civil e que envolve o Homem de Ferro.

Spider-Man-Homecoming

Um grande acerto é evitar contar de novo a origem do Homem-Aranha: não vemos a picada da aranha radioativa e nem a morte do Tio Ben. Os dois acontecimentos apenas são mencionados discretamente – porque, sinceramente, ninguém mais aguenta vê-los após 50 anos de filmes, desenhos animados e quadrinhos que os mostraram à exaustão.

spider-man-homecoming-vulture-keaton-1280-1484268513778_1280wO filme ainda tem alguns defeitos pontuais. Faltou o clássico “sentido de aranha”, faceta importante do universo aracnídeo; J. Jonah Jameson, o editor do Clarim Diário, está ausente (assim como esteve ausente nos filme de Marc Webb); e a luminosa Marisa Tomei está mal aproveitada, seu papel tem pouco destaque. Também vale notar que o clímax, apesar de eficiente, tem um desfecho que não é tão empolgante quanto o filme merecia. O pior, porém, talvez sejam alguns efeitos por computador irreais demais: em alguns momentos, o Homem-Aranha parece quase um desenho animado na tela, pulando pra lá e pra cá sem peso ou substância. Mas, após a ótima cena pós-créditos, você já terá perdoado todos esses deslizes, porque o filme cumpre bem sua missão de divertir e reiniciar a série do Aranha nas telas.

Spider-ManHomecomingIronManShipSave

O título se refere ao Baile de Volta ao Lar, uma tradição do ensino médio nos Estados Unidos, pois é na noite do baile que se dá o confronto final entre Peter e o Abutre – e na qual o velho azar de Parker sai dos quadrinhos e surpreende o espectador com uma reviravolta nada boa para Peter. Mas, o título também se encaixa melhor ainda aos bastidores da produção:Laura-Harrier-as-Liz-Allan-in-Spider-Man-Homecoming-2000-x-1000

Este filme só foi possível graças a um acordo entre a Disney (dona dos direitos da maioria dos personagens da Marvel hoje) e a Sony (detentora dos direitos para realizar filmes do Aranha) para incluir o herói aracnídeo no universo cinematográfico dos Vingadores (Marvel Team-Up?). O universo interligado da Marvel nas telas é como um grande gibizão, com heróis se encontrando o tempo todo e o Homem-Aranha realmente fazia falta nesse mosaico colorido e superpoderoso. Porém, a alta bilheteria que o filme certamente renderá fará com que a Sony nunca queira devolver os direitos sobre o personagem para a Marvel-Disney, mas se o acordo entre os estúdios se mantiver, ao menos poderemos ter o Aranha junto aos outros heróis em alguns filmes eventuais, como o aguardado Vingadores: Guerra Infinita. Quem ganha com isso é o público.

Bem-vindo ao lar, Aranha.

Cotação:

4-pasteis

MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e HQs. Nasceu decenauta, depois virou marvete, depois voltou a gostar mais da DC e ultimamente tem lido mais gibis da Marvel. Mas garante que gosta das duas

Clique abaixo e curta O PASTEL NERD no FACEBOOK e no TWITTER
para não perder nossas atualizações:


Facebook
Twitter-Logo

Anúncios

2 comentários sobre “Crítica: HOMEM-ARANHA: DE VOLTA AO LAR

  1. muito obrigado  “Que a força esteja com você!!” (Star Wars) “Longa vida e próspera!” (Spock – Star Trek)  “Nada tema, com o Ivan não há problema!”

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s