Crítica: CARROS 3

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A nova produção da Pixar mostra que mesmo suas continuações ainda podem trazer boas surpresas ao público

Por Carlos Alberto Bárbaro

Quando a mítica Pixar passou a produzir continuações de seus grandes sucessos, a crítica especializada enxergou nisso um sinal de falta de vitalidade, um indício de que o estúdio, sob as asas da Disney, estaria se acomodando, perdendo o frescor e a ousadia que o haviam levando ao merecido posto de melhor estúdio de animação do mundo.

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E, embora seja forçoso admitir que faltem, a suas continuações, o deslumbramento e as surpresas que suas produções originais trazem, não há como negar que todas as outras qualidades da animações ali realizadas permanecem também nos capítulos adicionais de seus títulos mais bem-sucedidos. De certo modo, Carros 3 (Cars 3, 2017),  a nova produção do estúdio, toca involuntariamente nas opções feitas pela Pixar nos últimos anos.

maxresdefaultDirigido por Brian Fee, que estreia aqui na direção após trabalhar como desenhista de storyboards na produção anteriores, o filme apresenta uma trama na qual Relâmpago McQueen (dublado por Owen Wilson, no original), o protagonista campeão das duas aventuras anteriores, está ficando velho. Como um verdadeiro guerreiro, porém, recusa-se a admitir que pode ser ultrapassado pela nova geração de carros de corrida que vem tomando conta das pistas, e que tem no novato e velocíssimo Jackson Storm (Armie Hammer) o seu melhor representante.

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Assim pressionado, McQueen acaba se excedendo e, ao acelerar demais numa corrida decisiva, perde o controle, envolvendo-se em um acidente feio e sendo forçado a se retirar temporariamente do circuito para se recuperar. Nesse exílio forçado, com o apoio de seu novo patrocinador e da treinadora Cruz Ramirez (Cristela Alonzo), uma profissional afinada com as técnicas modernas e que nitidamente idolatra nosso heroi, presenciaremos o calvário de Relâmpago McQueen ao tentar dar a volta por cima e retornar às pistas.cars-3-20151007-demolition5redo-cone-1493222297179_1280w

À semelhança de Rocky, um Lutador (1976), Carros 3 é um filme de superação que, como o clássico no qual busca inspiração, reserva algumas surpresas. O filme apresenta o clássico dilema do entardecer, da passagem da maturidade à velhice, do reconhecimento dos limites que o tempo impõe à existência. E da chegada inevitável do novo. E o faz com calma, conduzindo seu público pé ante pé (ou seria roda ante roda?), aos poucos, para que a constatação desses limites chegue ao mesmo tempo tanto para o protagonista quanto para sua plateia mirim.

É certo que, para os pais que acompanham os filhos nessas aventuras cinematográficas, o desfecho da trama (criada por Fee e mais seis roteiristas) ficará claro já pelo meio da projeção, mas a reversão de expectativas não apenas surpreenderá os pequenos, como educará esses jovens paladares para as delícias das narrativas imprevisíveis e da subversão dos clichês, começando a tirá-los, como espectadores, da zona de conforto do convencional.

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Para lá dessas divagações, no entanto, Carros 3 é antes de qualquer coisa um filme divertidíssimo, introduzindo novos e bons personagens ao seu panteão e não dispensando a qualidade no acabamento que virou a marca registrada da empresa. Porém, como em outras ocasiões, Lou, o curta apresentado antes do filme e dirigido por Dave Mullins, que tem como tema uma caixa de brinquedos perdidos no parquinho de uma escola, rouba todas as atenções.

Cotação do filme:

3 e meio

Cotação do curta:

4-pasteis

BraboCarlos Alberto Bárbaro é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Entende muito bem como é essa história de ficar velho, defasado, desatualizado, antigo, idoso, antiquado… ok, paramos!

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