Crítica: EM RITMO DE FUGA

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Velozes e estilosos: o novo filme do ex-diretor de Homem-Formiga se destaca pelo maneirismo e não por um roteiro cativante

Por Carlos Alberto Bárbaro

Os filmes de assalto a bancos e perseguições de carro contribuíram para a história do cinema com um punhado de clássicos. São gêneros quase tão populares quanto o faroeste ou o terror.

Um prato cheio, claro, para Edgar Wright, diretor britânico festejado em círculos um tanto quanto restritos, com filmes não menos que empolgantes no currículo (Todo mundo quase morto, Scott Pilgrim contra o mundo) e uma frustrada experiência com a Marvel Studios, quando se afastou das filmagens de Homem-Formiga (2015).

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Em Ritmo de Fuga (Baby Drive, 2017), sua mais recente realização, é quase uma condensação dos vícios e das virtudes acumulados em seus quatro longas anteriores. O Baby do título (Ansel Elgort, todo caras e bocas), que se apresenta assim a todos que perguntam seu nome, é um jovem motorista fenomenal que presta serviços a Doc (Kevin Spacey), um agenciador de roubos a banco que aparentemente tem o incrível poder de contratar psicopatas problemáticos para esse tipo de serviço, e também de sempre quebrar as próprias regras de trabalho (“Você me conhece, Baby, nunca repito uma mesma equipe…”; “Ok, Baby, estamos quites. Você é um homem livre, agora.”).

fan_anselelgortkevinspacey_A primeira sequência do filme, aparentemente empolgante, depende exclusivamente dos 174 cortes em meros três minutos de duração feitos na ilha de edição, tendo como fundo um rock descoladíssimo. Finda essa extenuante experiência inicial, segue-se um longo plano sequência, um videoclipe, na verdade, também com três minutos de duração, em que acompanhamos o protagonista em sua ida à lanchonete da esquina na busca de cafés para os companheiros do bem-sucedido assalto ao banco.  Não demora e Baby irá descobrir um interesse amoroso na garçonete Debora (Lily James, a Cinderela de Cinderela, 2015), que, para delícia de um amante dos volantes, sonha em viajar por aí deixando sua vidinha modorrenta para trás.baby_driver_edgar_wright

Cortes à razão de um por segundo seguidos de longuíssimo plano-sequência, sempre com clássicos do pop e do rock ao fundo para criar empatia? Sim, estamos no reino do maneirismo absoluto.316B001200000578-0-image-a-35_1456062667894

Embora seja o responsável por transportar os assaltantes para a sua segurança após os roubos, Baby sempre será vítima do assédio dos valentões desses grupos modelares. Curiosamente, também, embora tenha sofrido um acidente automobilístico traumático na infância, que o deixou com sequelas, Baby tornou-se justamente um exímio motorista (!!!).

Não há aqui propriamente um roteiro, apenas um esboço da história de três assaltos, com um romance adolescente a reboque (“a reboque”, perceberam?) e personagens sem vida interior, movidos tão somente por aquilo que o preguiçoso argumento lhes diz que devem fazer. Não há grandes reviravoltas. Os assaltos não têm planejamento algum, diferente dos filmes tradicionais do gênero. Os bandidos se comportam como crianças mimadas – Jamie Fox ganha medalha neste quesito – sempre confrontando uns aos outros, um comportamento no mínimo estranho, pois minaria, claro, toda e qualquer possibilidade de sucesso da gangue.

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Quanto a Baby? Baby quer sair dessa vida, mas em nenhum momento entendemos de fato seus motivos. Porque encontrou o grande amor de sua vida? Porque os últimos contratados do Doc são muito violentos? Por que, Baby? Por quê?

Mas, claro, o filme é pop. Tem boa música. Tem até coreógrafo, embora musical não seja. Além disso, vem precedido da fama cult de seu diretor, o que conta muito. E por último, mas não menos importante nesses tempos de muita e constante informação, já era saudado como um clássico antes mesmo de entrar em produção. E continua sendo incensado por aí, embora seja um filme frouxo. Tão perene quanto um videoclipe. Tão vazio quanto.

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Cotação:

3 pasteis

e um chopp

BraboCarlos Alberto Bárbaro é tradutor, preparador de textos e criador de casos profissional. Não assalta bancos, mas se meteu com uma quadrilha perigosa de comedores de pastéis. Até planeja abandoná-los… mas onde encontrar outros chatos tão parecidos com ele?

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