Crítica: VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS

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Baseado numa famosa HQ francesa, o filme de Luc Besson é mais um espetáculo que privilegia a forma em vez do conteúdo

Por Maurício Muniz

Em tempos de filmes da Marvel que arrecadam mais de um bilhão de dólares nas bilheterias com uma regularidade já pouco surpreendente, deve ter parecido uma boa ideia produzir uma grande aventura cinematográfica baseada em uma das séries em quadrinhos de ficção científica mais amadas da França.

Pena que o tiro de laser saiu pela culatra da arma de raios.

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Agentes espaço-temporais surgidos em uma série em quadrinhos publicados na Europa desde 1967, os personagens Valerian e Laureline – criados por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières – se tornaram um grande sucesso com histórias que misturavam cenários curiosos, estranhos planetas, viagens no tempo, e alienígenas e monstros diversos. Um de seus fãs, desde a infância, é o cineasta Luc Besson, conhecido por filmes de ação como Nikita: Criada para Matar (1990), O Profissional (1994) e Lucy (2014). Besson já tinha feito um “gibizão” nas telas há vinte anos com O Quinto Elemento, que já parecia ter a pretensão em ser um álbum em quadrinhos europeu de ficção científica. Desde o sucesso daquele filme (de público, nem tanto de crítica), Besson comentava sua intenção em transformar em filme as aventuras de Valerian. Mas, assim como em O Quinto Elemento, ele se preocupou mais com a forma que com o conteúdo.

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Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valérian et la Cité des mille planètes, 2017) tem dois prólogos antes de apresentar seus personagens principais e chegar à trama de fato. O primeiro deles é sobre a criação, ao longo das décadas, de uma estação espacial chamada Alfa, que une diversas culturas planetárias diferentes. O segundo, mostra uma raça alienígena que leva uma existência idílica (ecos de Avatar), mas é pega em meio a um conflito entre duas forças bélicas e sofre uma catástrofe terrível.

the-fifth-element-director-is-back-with-valerian-and-the-city-of-a-thousand-planetsAs duas histórias vão se unir quanto os agentes Valerian (Dane DeHaan, de O Espetacular Homem-Aranha 2) e Laureline (Cara Delevingne, de Esquadrão Suicida) são enviados em uma missão para resgatar um animal chamado de “conversor” em um mercado negro cheio de elementos perigosos e alienígenas dos mais variados tipos. Após algumas cenas de correria, a dupla vai para Alfa, onde se mete em uma conspiração que envolve os pacíficos alienígenas vistos no começo, um general do exército (Clive Owen, sem muito que fazer), os conversores, muitas raças estranhas e alguns segredos militares escusos que os lança em uma aventura por toda a estação.

Com um orçamento que ficou por volta de US$ 200 milhões, o filme tem bons efeitos especiais, cenários interessantes e bastante atenção ao design das inúmeras criaturas espaciais que são mostradas em Alfa.

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Estaria tudo muito bem se o roteiro, do próprio Besson, não se mostrasse tão pouco inspirado e arrastado, e a direção não fosse tão burocrática e pouco inventiva. O diretor parece deslumbrado por estar levando seus heróis de infância às telas e esquece de dar algo realmente interessante para fazerem. Apesar da beleza estética, tudo é comum, sem criatividade e, talvez o pior, tem clima de farsa: em nenhum momentos os heróis parecem realmente em perigo ou enfrentam situações que deixem o público empolgado ou emocionado. É um filme onde tudo brilha, mas de maneira falsa, sem vida. Não há absolutamente nada aqui que você já não tenha visto antes em outros filmes ou séries de TV. E foi mais divertido das outras vezes. Uma sequência que traz a cantora Rihanna como estrela de uma cabaré espacial, então, é até constrangedora pela sua inutilidade dentro do contexto geral.

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A escolha dos astros também não poderia ser mais equivocada. DeHaan pode ser um bom ator quando bem dirigido, mas não tem o carisma ou as feições de um herói para carregar um filme grandioso. Delevingne se limita a fazer algumas caras e bocas – e também não é uma figura simpática o bastante para que torçamos ou nos identifiquemos com ela. E a tal química entre eles, que deveria ser um fator importante para a trama, mal existe. Em nenhum momento dá pra acreditar que Valerian ama Laureline, o que o leva a pedi-la em casamento logo no início.

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Aguardado por muitos, Valerian se mostra apenas uma bolha de sabão e nem das mais bonitas, o que explica o desempenho ruim que vem apresentando nas bilheterias. Alguns filmes, você esquece logo após assistir, já este você começa a esquecer mesmo durante a projeção de seus longos 137 minutos. Nada é propriamente ruim, mas é tão genérico que, infelizmente, está longe de ser uma boa e memorável diversão. E, em tempos em que até mesmo os filmes menores da Marvel parecem ter bom conteúdo, boa caracterização e boas doses de emoção e suspense, ser apenas “mais do mesmo” já não é o bastante.

Cotação:

2 pasteis

MauMaurício Muniz é jornalista, tradutor e editor de livros, revistas e HQs. Teve que lutar para não dormir durante a projeção de O Quinto Elemento e agora, de novo, com Valerian. Acha que, se Luc Besson quiser ficar bilionário, é mais fácil inventar logo um remédio contra a insônia…

 

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