As 10 maiores bobagens de Dan Slott na Marvel

O roteirista Dan Slott deixou um legado de bizarrices e bobagens em sua passagem pelo Homem-Aranha e outros heróis da Marvel. Confira as 10 piores

Por Eduardo Marchiori

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Como diz o ditado “não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe”. A frase cabe como uma luva (a primeira parte dela, ao menos) na notícia da saída do roteirista Dan Slott do título do Homem-Aranha. O autor assumiu a revista do Aranha na edição 546 (2008) e, de lá pra cá, escreveu 189 edições, segundo informações do site Vulture (Quem quiser confirmar a informação e contar, fique à vontade…). Slott deixará o título do aracnídeo na edição 801 (junho/2018) e passará a escrever as aventuras do Homem de Ferro.

tocando o terror na Marvel

Slott trabalha na Marvel desde 1991, quando estreou como editor das HQs do Demolidor e do Capitão América. Sua estreia como escritor foi na revista New Warriors Annual 1 (1991), numa história do Speedball. Pouco tempo depois, ele passou a escrever o Motoqueiro Fantasma e HQs curtas do título Marvel Comics Presents.

Uma passagem bem-humorada pelo título da Mulher-Hulk impulsionou sua carreira e o autor logo assumiu a revista do aracnídeo com uma missão bem difícil: reconquistar o leitor furioso após a malfadada saga “Um Dia a Mais”, na qual o Homem-Aranha fez um pacto com Mefisto para salvar a vida da Tia May e teve seu casamento com Mary Jane apagado da cronologia.

O arco “Um Novo Dia” (Amazing Spider-Man 546, 2008) teve o mérito de trazer um novo frescor às HQs do Homem-Aranha, recuperando o clima juvenil do personagem, já que as responsabilidades de homem casado haviam tirado essa característica do herói. De lá pra cá, Slott se tornou o roteirista oficial do Homem-Aranha e não largou mais a teia. Ele também assumiu o título do Surfista Prateado e chegou a ganhar um Prêmio Eisner pelo título em 2014.

Embora tenha conquistado uma legião de fãs, é fato que Slott também escreveu muita bobagem. Aliás, a maior parte do que ele escreveu foi bobagem. Para notar isso, basta um olhar mais crítico e menos “fanboy”. Considerado um dos “escritores que mais entendem da mitologia do aracnídeo”, tudo que ele fazia era reciclar velhas ideias e criar algo “novo” (só que não) com um ar “engraçadinho” (ele é perito em piadinhas contextualizadas). No final das contas, suas opções não trouxeram grandes contribuições e ainda estragaram aquilo que conhecíamos dos personagens.

Duvida? Então acompanhe esta lista com as maiores bizarrices desse… aham… “escritor conceituado”.

10) Casamento da Mulher-Hulk

Sim, a fase de Slott com a Mulher-Hulk foi bem divertida. O roteirista soube usar a seriedade do Direito (vai dizer que você não sabia que a heroína era advogada?) e transformar tudo numa grande piada. Um exemplo é a clássica cena em que o Aranha processa Jameson pelos anos de perseguição e diz que tudo aconteceu porque ele (Aranha) era negro, causando um enorme constrangimento no editor do Clarim Diário. Porém, o casamento da Mulher-Hulk com o Homem-Lobo foi desnecessário, principalmente porque a separação veio logo em seguida. Uma brincadeira com a indissolubilidade do matrimônio? Talvez. Mas uma brincadeira sem graça, de qualquer forma.

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9) Alfa

Um “sidekick” (parceiro mirim) para o Homem-Aranha cujo nome real é Andy Maguire (referência a Andrew Garfield e Tobey Maguire, atores que interpretaram o Homem-Aranha no cinema… oh, que genial!!). Parceiros juvenis para os personagens eram algo comum nas décadas de 1940 a 1960, para criar empatia com o público das HQs. Hoje? Resultou apenas num personagem esquecível que apareceu por três edições e mais algumas participações especiais nos meses seguintes para depois ser apagado da história. Ou seja: nada relevante para a vida do Homem-Aranha.

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8) Antivenom

Já não bastasse o Venom (que é um personagem chato pra dedéu), o Carnificina e toda uma geração de simbiontes que foram surgindo com o tempo, Slott ainda criou mais um: o Antivenom. O curioso é que se trata do mesmo Eddie Brock, que já foi hospedeiro do simbionte alienígena, mas adquiriu câncer e foi rejeitado. Às portas da morte, Eddie foi curado pelo poder do Sr. Negativo, mas os traços do simbionte em seu sangue o tornaram um Venom negativo (em vez de preto com aranha branca, ficou branco com a aranha negra), capaz de curar qualquer impureza no corpo humano (inclusive matar o simbionte Venom). Então tá.

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7) Ilha das Aranhas

Um arco péssimo onde o Chacal (ele não estava morto? Bem, esqueça… ninguém morre no Universo Marvel…) concede poderes de aranha a todos os habitantes de Manhattan. Como? Com percevejos geneticamente alterados. Sim, percevejos que transmitem poderes de aranha. O acidente que concedeu poderes exclusivos a Peter Parker foi banalizado, gerando milhares de homens e mulheres-aranha, nem todos com responsabilidade para usar os poderes. Claro que, com a ajuda de Reed Richards e do Antivenom um soro foi desenvolvido e todos os afetados voltaram ao normal… mas, nessa lambança toda, é sério que nenhum habitante saiu da cidade e manteve os poderes? É uma ofensa à inteligência.

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6) Surfista Prateado “despratear”:

Desde que foi criado, o Surfista Prateado era um personagem transformado pelo poder cósmico de Galactus, coberto com uma película prateada para suportar os rigores do espaço. Durante anos foi assim. Slott botou as mãos no herói e já lhe deu um poder novo: “despratear” – virar humano novamente – além de conceder personalidade (leia-se “inteligência”) à prancha do herói. Talvez você diga que nada impede uma mudança de status no Surfista, mas considerando que o Senhor do Fogo, Terrax, Nova e todos os outros arautos de Galactus mantém seu visual cósmico e não voltam ao normal… bem… “despratear” é uma bobagem desnecessária! (Nem vou mencionar a paixão do herói pela cosplay da Brotoeja – os leitores mais antigos vão entender a referência…)

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5) Peter Parker rico

O grande charme do Homem-Aranha ao longo dos anos era exatamente ele ser um pobretão azarado, mas que sempre conseguia dar a volta por cima dos problemas e se dar bem com o chefe exigente, provando que você não precisa de dinheiro pra ser feliz. Era isso que gerava identificação com o público, em sua grande maioria, formado por pessoas comuns, de classes não privilegiadas, que também têm um patrão pegando no pé e precisam se virar para superar os problemas do dia a dia. Mas essa característica é jogada no lixo quando Parker se torna empresário, dono de uma empresa multinacional e concorrente de Tony Stark. Acabou todo o apelo do Aranha. E, para completar, ainda trouxe de volta o Aranhamóvel, um conceito que sempre foi piada ao longo dos anos, disfarçado de “olha que legal, o Aranha tem um carrão tunado!”. Ninguém explicou pra ele que o Aranha não precisa de carro quando tem teias para circular pela cidade – e ainda evitar o trânsito!

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4) Senhor Negativo

Chefões do crime sempre surgiram nas HQs do Aranha. Do Rei do Crime ao Cabelo de Prata, Maioral, Cabeça de Martelo, Coruja… Com o vácuo no submundo deixado pelo sumiço do Rei do Crime, era óbvio que alguém ia tentar ocupar a vaga. E eis que surge o Sr. Negativo, um mafioso com o poder de… ficar negativo. Simples assim. E Peter Parker, fotógrafo (acostumado a lidar com negativos de filmes) e cientista com inteligência acima da média, nunca pensou em inverter a imagem do criminoso para descobrir sua verdadeira identidade (ele era Martin Li, um bondoso mantenedor do albergue onde trabalhava a Tia May). Faça-me o favor!!!

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3) Clash

Outro vilãozinho xumbrega criado por Slott, Clash surgiu lááááááááááá na origem do Homem-Aranha. O autor inventou um retcon para inserir um vilãozinho adolescente do qual – vejam só! – nunca se ouviu falar em toda a carreira do Aranha. Clash é um jovem tão genial quanto Peter Parker era, só que, em vez de cientista, Clayton Cole era especialista em engenharia sonora. Ao ver o Homem-Aranha pela primeira vez, se apaixonou pelo herói e tentou se tornar um, criando um uniforme sonoro. Porém, mais atrapalhado que nosso aracnídeo, Cole só fez bobagem e acabou ganhando a antipatia do Aranha e virando vilão. O personagem nem é tão ruim; ruim é ele ter saído de um retcon desnecessário. Não podia nascer em nossos dias mesmo? Slott precisava ir lá atrás, mexer na origem do Homem-Aranha?

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2) Teia-de-Seda

Outro retcon inconcebível é fazer a aranha que deu poderes a Peter Parker morder outra pessoa antes de morrer – mesmo que, na revista Amazin Fantasy 15, seja mostrada a aranha morta na mão de Peter. Esta jovem, claro, também ganhou poderes aracnídeos, mas, ao contrário de Peter, ela produz teia por si mesma e faz seu próprio uniforme com ela – Isso mesmo: cada vez que ela vai entrar em ação, cria um novo traje com teia orgânica! A jovem, assustada com suas habilidades, resolveu se trancar num bunker e hibernar por dez anos, longe de tudo e de todos. Quando acordou, sem querer, adotou o nome de Teia-de-Seda e passou a combater o crime em Nova York. E não pode ficar perto do Homem-Aranha, senão ela solta feromônios que deixam nosso aracnídeo excitado e incapaz de controlar seus instintos masculinos. Olha o estupro, Aranha!

1) Homem-Aranha Superior

O auge do inconcebível foi transferir a mente do Dr. Octopus para o corpo de Peter Parker (e vice-versa) e criar o “Homem-Aranha Superior”. Em resumo, todos os anos de vilania do Dr. Octopus foram pro lixo, porque, ao assumir a mente de Peter Parker, passou a entender suas motivações e percebeu que precisava fazer o bem. E o que é pior: o conceito de “superior” foi descaradamente roubado da excelente “A Última Caçada de Kraven”, onde o caçador “mata” o aracnídeo e toma seu lugar por uns dias, tudo para provar que é – Tcharam!! – superior ao seu inimigo. Para piorar: Octopus passou a ser herói, mas continuou arrogante, humilhando as pessoas ao seu redor e manchando a reputação do sempre dócil e amigável Parker.

Como se vê, Dan Slott não escreveu uma fase brilhante do Homem-Aranha, como muita gente prega por aí. Ele desconstruiu o personagem, copiou ideias de forma piorada e estragou um passado que, se não era imexível (afinal, existem retcons muito bons e interessantes), não contribuíram em nada à mitologia do herói. Slott fez, com o Homem-Aranha, o que nem seus piores inimigos não conseguiram: transformou o herói num personagem chato e pedante.

dando tchau pro Aranha

Edu

Eduardo Marchiori é jornalista, escreve para a revista Mundo dos Super-Heróis e é responsável pelo blog Raio X (http://mutantexis.wordpress.com), também voltado à cultura pop. Passou os últimos dez anos rezando novenas e acendendo velas para que Dan Slott deixasse a revista do Homem-Aranha. Infelizmente, suas preces foram atendidas tarde demais.

 

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6 comentários sobre “As 10 maiores bobagens de Dan Slott na Marvel

  1. Caramba, Eduardo, quanta besteira esse Slott escreveu! Parei de acompanhar o Aranha mensalmente após a saga De Volta Ao Lar (do “Estragazinski”), e algumas dessas citadas eu conhecia só boatos (Parker empresário sem nunca ter sido nem recepcionista de padaria, Antivenom, outra Amoeba invencível para ludibriar a criançada, Octopus encenando “Se eu Fosse Você”…), mas não tive nem coragem de ler… Até gostei da fase dele na Mulher-Hulk, mas eram aqueles gibis pra ler despretensiosamente, de preferência numa ida ao banheiro, que não mudaria nada na mitologia da heroína. Ainda bem que me mantive longe de tanto material ruim….

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  2. Lembro que fizeram outra estória com a Aranha que mordeu o Peter. Um cara que estava lá perto do Peter, na hora que ele foi mordido, resolveu COMER a aranha morta para ver se ela ainda poderia lhe dar algum superpoder. Ele se transformou num monte de Aranhas que devoram as pessoas por dentro e usam a pele das pessoas como seus hospedeiros. Uma estória digna de filme de terror gore usada numa estória de super-herói.

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  3. Devo discordar de algumas coisas.. Claro.. Cada qual com seu pensamento e opinião.. Algumas coisas escrita por Slott me desagradaram, assim como de outros vários roteiristas.. Ninguém é 100% sempre bom.. Mas outras foram bem empolgantes.. “O grande charme do Homem-Aranha ao longo dos anos era exatamente ele ser um pobretão azarado”
    (Na minha opinião ) Não exatamente.. Apesar de ser um gênio.. Com potencial comparado ao do Stark.. Com invenções feitas em minutos.. Como sempre fez nos primórdios da era Stan Lee.. Os roteiristas posteriores simplesmente ignorava tudo isso.. E com isso era humilhado pelo JJ.. o perrem de todo dia.. Sempre me incomodou.. Porém com a fase do aranha rico, pra mim foi o período do descanso do Guerreiro.. Chega de ser humilhado.. Ele Deu a volta por cima.. Fiquei extremamente feliz com essa fase.. E guardo com carinho toda coleção.

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  4. Dan “Slott quer chocolate!!!” é pavoroso mesmo.
    Ilha das Aranhas parece nome de pornochanchada do David Cardoso.
    Superior foi a ideia mais estapafurdia que já li. Foi neste ponto em que, após quase 20 anos comprando compulsivamente, parei a coleção.
    Também acho a Mulher-Hulk dele um genérico do Byrne.

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